Do Pop pegajoso ao Electropop previsível

Descubra de onde vieram as batidas eletrônicas nas faixas Pop dos últimos seis anos e por que isso é péssimo para os amantes dos gêneros

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Tudo começou em 2006, quando ouvimos que Justin Timberlake iria voltar com um álbum revolucionário. O próprio cantor disse, com uma arrogância positiva, que iria mudar a forma que as pessoas ouviriam o Pop. O álbum FutureSex/LoveSounds se distanciou de tudo do mercado do Pop, que já se encontrava saturado, e recriou a fórmula do gênero. O álbum deixou pra trás as batidas simples de singles de cantoras que estavam no topo, como Britney Spears e Jennifer Lopez, e alguns já batidos como Destiny’s Child, Backstreet Boys e NSync. FutureSex/LoveSounds trouxe o Pop revestido com uma malha eletrônica. Já com seu primeiro single, Sexyback*, críticos já apontavam que seria o início de uma nova era do Pop, como de fato aconteceu.

Apenas um ano depois, Rihanna entrou no estúdio, juntamente com Timbaland (Incrívelmente o mesmo produtor de FutureSex/LoveSounds, coincidência?), e deu seu primeiro passo pro estouro. Pra quem não se lembra, foi com seu terceiro álbum, Good Girl Gone Bad, que Rihanna exorcizou sua veia latina (em faixas como SOS e Pon Da Replay) e assumiu batidas fortes com seus singles Umbrella, Shut up and Drive e Don’t Stop the Music. Quem diria que, depois disso, todos abandonariam suas maiores características pra fazer um pouco do mesmo.

Lady Gaga serviu como uma transição. O freakshow começou em 2008 com The Fame e trazia forte influência rasgada do Electro em Love Game, por exemplo. No mesmo ano, Britney lançou Circus e começou a engatinhar no eletrônico em Womanizer e If U Seek Amy. Em 2009, Beyoncé liberou I Am… Sasha Fierce, admitindo e estourando ainda mais as batidas eletrônicas pra massa do pop(ular). Diva, Sweet Dreams e Videophone foram o divisor de águas, em que nem se dava mais pra enxergar vestígios daquele Pop quase cru, aqui já quase considerado ultrapassado.

2010 veio como um desespero. O que dava a entender é que a fórmula já era considerada como mágica e os produtores agora já tinham know-how de como produzir e fazer vender. Virou uma corrida contra o tempo pra fazer hit e dinheiro e logo os lançamentos foram massivos. Rihanna levava muito a sério toda essa transformação com S&M e Only Girl em Loud. No ano passado, Spears avacalhou e soltou Femme Fatale com Dubstep em Hold it Against Me e Urban em I Wanna Go e Till the World Ends. Alguém consegue enxergar aqui algo parecido com o que intitulamos como Pop lá no início?

Hoje, em uma balada, o que temos de referência Pop? Rihanna traz Where have you been com sua percussão pesada e marcada do electro, Bounce com um trabalho em parceria com Calvin Harris, Nicki Minaj com seu Hip POPeado de Starships ou a surra de Dutch de Pon the Alarm. Você consegue enxergar o erro aqui?

Há quem defenda a metamorfose da música e eu não rebato, mesmo porque essa é uma dos pontos que me faz ser apaixonado por música. O que me incomoda aqui é falta de uma linha que separe os gêneros. A geração de hoje está tendo primeiro contato com esse (Electro)Pop. Já ouvi gente falando que não gosta de Electro, mas se esbalda dançando ao “Pop” de hoje na pista. Isso é ruim pra música eletrônica? Sim. Isso é ruim pros produtores? Para alguns, não. E eu acho isso, inclusive, ótimo. Lady Gaga, inclusive, no seu novo álbum ARTPOP, promete fazer um trabalho em colaboração com produtores emergentes, como Zedd (produtor, inclusive, de Stache) e Madeon. Com certeza, uma iniciativa ótima para o crescimento da carreira desses meninos e da música em geral. Mas até que ponto a falta dessa linha não prejudica o que temos de melhor em cada gênero? Até que ponto isso essa mistura toda não torna monótono e linear o talento de cada artista?

As batidas do Electropop são mais divertidas e apropriadas para uma pista de dança, mas vamos por partes. O uso dessas batidas compromete a importância lírica de cada faixa, o que prejudica o talento que as cantoras do Pop já provaram que tem. O que eu tô tentando falar? O Electro tem o bônus de dinamizar a música e o ônus de inferiorizar a importância vocal do intérprete. Essas cantoras ficam reféns de uma produção eletrônica, cantando cada vez menos. E já pelo lado eletrônico, há (o pecado e) a monotonia de se tornar comercial batidas para se encaixar na estrutura Pop da faixa, como fizeram David Guetta e Calvin Harris, produtores interessantíssimos antes de ingressarem suas batidas no Pop comercial.

E o que tem de lição pra isso tudo? O desespero já tomou conta e as batidas parecem que viraram solução pra falta de criatividade. Hoje, qualquer cantora tentando se reerguer tenta a fórmula do Electropop. Kelly Rowland com Commander, Jennifer Lopez com On The Floor ou Christina Aguilera com a péssima Your Body. A proposta de Timberlake lá no início era de modernizar, de trazer o diferencial, inovar, não massacrar e tornar o que era Pop pegajoso antes um emaranhado de batidas chatas. Mais uma vez, o Pop se encontra maçante e infectando/enlatando o Eletrônico na monotonia do comercial. A revolução, hoje, já é degradação. E se isso não tiver um freio, ambos os gêneros vão cair na previsibilidade, prejudicando talentos do Pop e fãs do Electro. Infelizmente.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King