Entrevista: Team.Radio

A banda pernambucana, que nos surpreendeu em março com o single “Stormy Melodies”, nos contou sobre sua história e sua sonoridade

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Em março, fomos surpreendidos com um belo som que veio diretamente de Recife, quando a banda Team.Radio lançou o single Stormy Melodies. Com seus mais de seis minutos de duração, a música passeia por diversos momentos em que podemos confirmar o talento do grupo em apresentar composições sólidas e sensíveis.

Formado em 2008, o quinteto já possui dois EPs lançados, White Tokyo (2010) e Summertime (2011) – disponíveis no Bandcamp da banda -, já passou por vários palcos brasileiros e arranca os mais diversos elogios nas publicações em que aparece.

Trocamos alguns emails com a banda, nos quais Roberto Kramer (guitarrista, vocalista e fundador da Team.Radio) e Marina Silva (tecladista e vocalista) nos contaram mais sobre sua história e o seu som.

Monkeybuzz: De onde vem o nome da banda? Por que vocês escolheram palavras em inglês e o ponto entre as duas? Team.Radio: O nome vem do circuito de corrida Fórmula 1. Eu (Roberto) sempre assistia quando mais novo e percebia que quando o piloto entrava em contato com sua equipe, aparecia na tela o aviso “Team Radio”. Guardei isso e segurei por alguns anos, sabendo que usaria para algo (risos). O ponto no meio é somente de cunho estético mesmo, nada mais.

Mb: O que mudou no som da banda com a entrada da Marina Silva? TR: Acho que a necessidade de ter um(a) vocalista que tivesse mais posição para ocupar tal cargo foi a principal mudança. Claro que, musicalmente, a banda evoluiu com a adesão de mais um membro pensante, mas, por exemplo, eu mesmo só cantava por gostar de cantar, mas nunca me considerei um cantor. Marina tem mais capacidade para isso (risos), além de ter muito talento como instrumentista.

Mb: Dá pra notar uma grande maturidade logo no primeiro EP. A que vocês atribuem isso, sendo vocês tão jovens? TR: Acho que pelo fato de possuir música mais intimista. Geralmente, esse tipo de música chama atenção para diferentes aspectos emocionais, e o White Tokyo foi um EP idealizado dessa forma, para que quem venha a ouvir, possa extrair qualquer interpretação possível (eu vejo essa “multi-interpretação” muito mais aguçada em músicas intimistas). Apesar das letras do EP serem diretas, eu vejo dessa forma. Por exemplo, quem é “Jolenne”? Nem eu mesmo sei.

Mb: Um dos grandes sons e referências de Recife é o Manguebeat. Que impacto a cidade e esse movimento tem no som de vocês (se algum)? TR: Acho que o Mangue Beat não só nos influencia, mas causa esse impacto em qualquer músico que tenha ligação com a cena alternativa/independente da cidade. No caso mais específico da Team.Radio, é uma influência indireta. Nunca fui um grande apreciador das características sonoras (acho que ninguém da banda seja), mas de forma despercebida, aquele trabalho nos anos 90 de Chico Science, Fred 04, e outros que encabeçaram o movimento, moldaram uma forma de agir dentro de uma cidade onde todo o movimento cultural estava estagnado dentro das grandes mídias nacionais. O Mangue Beat, como um movimento artístico, atingiu o mercado mainstream. Isso que é o mais importante, pois tal fato nunca havia ocorrido antes na música de nosso estado. Antes, do NE, apenas o movimento Tropicália o tinha feito, depois, na música em específico, com os Novos Baianos, Gilberto Gil, Caetano Veloso, etc. Dessa forma, eu admiro a relevância sócio-cultural do Mangue Beat, mas a parte musical não me interessa tanto.

Mb: Percebemos uma grande mistura de sons no trabalho da banda. Como vocês definem sua música e quais são suas principais influências? TR: Cada integrante da banda possui suas influências musicais, algumas em comum, mas poucas. Tentamos trabalhar nas músicas de forma que todos possam ficar satisfeitos, interessados (risos). Algumas das influências de cada um são Beach Boys, Syd Barrett, Chet Baker, Toe, The Radio Dept., The Cure, Frank Zappa, Neil Young, Mutantes, Clube da Esquina, Iron Maiden, Blues. Todos ouvem muita coisa! (risos)

Mb: Mesmo sendo bem atual, seu som apresenta várias referências à música dos anos 90. Qual a importância musical desse período pra vocês? TR: Antes de qualquer coisa, crescemos ouvindo Rock, né? Nirvana, e por aí vai. Os anos noventa ficaram marcados pelas “Guitar Bands”. O estilo Indie Rock estava sendo moldado com o Blur, Teenage Fanclub, Sonic Youth, mais tarde consolidado pelo The Strokes, sem contar com o Grunge, e seus seguidores fiéis como o Stone Temple Pilots, Soundgarden. Ou seja, foi muita coisa para um espaço de 15 anos (1985-2000). Esse estilo “Guitar Bands”, foi aderido por vários conjuntos musicais daqueles que cresceram nos anos 90 (é o caso da Team.Radio). Dessa forma, vejo e encaro de forma natural essa semelhança em nosso trabalho. Fomos contemporâneos desses movimentos (apesar de crianças), e concebemos isso sem qualquer problema, diferentemente de vários artistas que negam seus contemporâneos, o que é ridículo. Nós sempre procuramos ouvir e dividir conosco trabalhos novos, lançados dois meses atrás lá na Finlândia, ou um disco de 195x do Guy Mitchell, lançado pela finada (ownada pela Sony) Columbia Records. Não temos o menor escrúpulo, ou consideração que possa nos inibir ao assumir que gostamos de artistas novos. Acho uma bobagem.

Mb: Stormy Melodies é o novo single e toma novos rumos musicais, entrando mais no Post-Rock. Como foi essa mudança de direção? TR: É curioso que, apesar de sempre ser dito que a nossa sonoridade está muito próxima do Post-Rock, talvez nunca tenhamos citado o estilo entre nossas principais influências (por, realmente, não ouvirmos tanto assim), logo, esse direcionamento nunca foi consciente, especialmente no caso de Stormy Melodies. Foi a nossa composição mais “livre” até o momento, no sentido de não ter vindo quase pronta da casa de alguém, somente para finalizar os arranjos. Começamos, desenvolvemos e a finalizamos coletivamente, em estúdio, o que permitiu que cada um pudesse deixar suas próprias referências (que são muitas e diversas, como dito anteriormente) mais evidentes na hora de compor.

Você pode acompanhar mais do trabalho da banda através do Facebook, Twitter, MySpace e YouTube.

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ARTISTA: Team.Radio
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.