Everything Is Recorded: Eclético Culminar de Três Décadas de Carreira

Richard Russel, cabeça por trás do selo XL Recordings, surpreende em projeto quase colaborativo

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É impossível começar a falar do projeto Everything Is Recorded sem antes falar de Richard Russell, produtor e empresário por trás do selo britânico XL Recordings, que, durante quase 30 anos de sua empreitada com a gravadora, ficou só nos bastidores, sendo o EP Close but Not Quite seu primeiro registro, digamos, mais autoral. Nessas três décadas de XL, o produtor ajudou a descobrir nomes como M.I.A., Vampire Weekend e Adele – um currículo e tanto para um selo dito “Indie”.

Além dessa faceta de empresário e descobridor de talentos, Richard também é um exímio produtor, que já trabalhou com os lendários Gil Scott-Heron (em seu derradeiro disco, I’m New Here) e Bobby Womack (com The Bravest Man in the Universe), além de artistas mais atuais, como Damon Albarn (em Everyday Robots) e Ibeyi (em seu disco homônimo de estreia e novamente em Ash). Novamente, um currículo invejável, não?

Neste seu primeiro compacto, é o lado de produtor que se ressalta, com criações bastante ecléticas e que mostram um pouco de tudo que Russell produziu ao longo desses quase 30 anos. A obra é formada por apenas cinco músicas, mas há nelas uma versatilidade que deixam os 16 minutos de sua duração uma verdadeira montanha russa de sensações e emoções. Ainda assim, essa é quase uma obra colaborativa, visto que Russell convida ótimos nomes da música atual como Sampha, Giggs, Warren Willis e Green Gartside, entre outros, para algumas das canções.

A baladinha homônima ao registro cantada pela doce voz de Sampha abre o disco de forma calma e delicada. Enquanto na sequência, com Early This Morning, ele parte para algo completamente diferente, mais incisivo e pesado. E assim segue Russell em sua busca por mostrar tudo o que sabe fazer, passeando por gêneros como Soul (típico da gravadora Motown), Grime, Garage, UK Bass, entre outros e ainda brincando com samples de artistas que serviram como inspiração para a obra – e por que não sua carreira? -, nomes como Curtis Mayfield e Gil Scott-Heron (Me and The Devil).

O papel de Richard neste EP continua sendo o orquestrar tudo por trás das cortinas, mas é impossível não ver sua assinatura nessas canções (ou na instrumental The Rhythm of Life and Death) e saber que sua história de vida e os artistas com quem esteve envolvido em seu selo de alguma forma fazem parte deste pequeno registro.

Quer prova maior disso do que a ótima Mountains of Gold, lançada recentemente através de um videoclipe. A faixa repete a parceria com Sampha e traz ainda nomes como Ibeyi, Wiki e Kamasi Washington para viagem de montanha russa que é sua música. Rap, Jazz e R&B. Tudo isso em uma só música. E que música.

Ainda assim, ao ouvir essas poucas canções fica a impressão de que esse é apenas um “menu degustação” do que realmente está por vir. Se esse for caso, que venha logo o prato principal.

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Autor:

Desde criançaa apaixonado por música, consumidor compulsivo de hamburguer e chato