Jake Bugg: Relâmpago da Fama

Relembre a curta trajetória do músico que, com segundo álbum recentemente lançado, segue aprimorando seu estilo e prepara vinda ao Brasil

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De tempos em tempos, um fenômeno se repete no mundo da música: o aparecimento de um “talento” natural vindo de uma origem improvável que se destaca por conta de sua inventividade, sacia tanto a necessidade dos novos consumidores de música, na qual um novo astro hitmaker sempre é bem vindo, quanto dos antigos nostálgicos, por resgatar, graças à semelhança, o afeto por um grande ídolo do passado.

Assim foi com Jake Bugg. Vindo do interior da Inglaterra, o jovem com uma técnica precoce que não deixa nada a desejar no seu estilo de tocar violão – com riffs rápidos do Rock temperados aos modismos do Country -, graças ao timbre peculiar de sua voz e do uso de sua impostação anasalada que se projeta de modo azedo, ganhou comparações imediatas a Bob Dylan, um dos grandes patronos do Folk na história da música mundial, e assim, projetou sua carreira sob os grandes holofotes da música atual.

Graças à tanta fama, o músico já experimentou algumas viagens internacionais, e, seguindo esta onda, desembarca no Brasil para o próximo Lollapalloza, no início do ano que vem. Aproveitando a ocasião e tirando vantagem do fato do garoto ter acabado de lançar seu segundo álbum, preparamos um artigo especial sobre ele

Jake Bugg

Com um impulso de carreira meteórico alçado por conta de sua apresentação ao lado dos “novos talentos” no Glastonbury Festival de 2011, que lhe rendeu um contrato com a gravadora Mercury Records, o músico se viu ainda muito novo (nos limites da maioridade, pois nasceu em 1994) como dono de alguns hits da BBC Radio daquele ano, além de figurar entre as listas da UK Single Charts e da Billboard.

Apesar de sair do interior, seu sotaque carregadíssimo de Clifton apenas ajudou para a construção favóravel de sua personalidade singular. A faceta meio caipira de sua música foi a grande responsável por ter projetado a alcunha de “novo Bob Dylan” nas comparações inevitáveis que brotavam entre o estilo dos dois músicos. Não apenas o timbre anasalado que já mencionei, mas também a cadência do ritmo, além da simplicidade das composições (com arranjos de violão, poucos acordes e riffs marcantes) são semelhantes à algumas das composições mais conhecidas do veterano, como Subterranean Homesick Blues, e acabaram resultando nas tantas analogias promissoras.

Depois do lançamento de seu primeiro álbum, no ano passado, que conta com singles incríveis como Lightning Bolt e Broken, o apadrinhamento de Noel Gallagher consolidou sua carreira, além de começar a ampliar as comparações sonoras em torno de seu nome. De fato, Bugg já declarou que Dylan não é uma grande influência para seu som, e, se abrirmos nossos ouvidos, a sonoridade Britpop dos seus conterrâneos do Oasis passa a ficar evidente. Poderemos notar também as influências do também britânico Donovan, e, além disso, os traços de Johnny Cash e Don Mclean parecem fazer mais sentido dentro de seus riffs marcados de Country (e os maneirismos das letras de Trouble Town, que dizem “In this trouble town, troubles I found” deixam ainda mais evidentes tais influências).

A estreia de Jake Bugg rendeu ótimos frutos além do álbum em si: Depois de excursionar ao lado de grandes nomes como Oasis e Stone Roses, e participar de vários programas tocando ao vivo (entre eles, o ótimo Guitar Moves, abaixo) Bugg lançou na semana passada, um ano depois de seu primeiro lançamento, seu segundo álbum, Shangri La.

Shangri La

Ainda dentro de suas temáticas precoces, que, embora soem como um projeção fantasiosa que ajudam na glamourização da atitude bad boy (afinal, é meio difícil de acreditar que Jake Bugg use tantas drogas e se meta em tantas brigas de gangues, não?), o músico ainda faz uso de uma certa maturidade que sempre lhe foi inerente, agora ainda mais realçada pela projeção de seu sucesso (assim como nas repercussões e dificuldades dele, como no caso de seu curto romance com a modelo Cara Delevingne, que não foi capaz de resistir ao assédio da mídia).

O álbum desta vez conta com a produção do lendário Rick Rubin, que já produziu nomes como Metallica, Beastie Boys, Rage Against the Machine, Run DMC, Kanye West e muitos (muitos mesmo) outros. Shangri La respeita o estilo de Bugg, mas a produção do lado elétrico do álbum (que conta com a participação de Chad Smith e Pete Thomas nas baterias) faz a nova sonoridade assumir os riffs de guitarra e soar mais ao lado do revival rock star setentista de Miles Kane ou mesmo dos próprios Arctic Monkeys.

Quanto aos shows, apesar de passado um ano cheio de apresentações, o próprio Bugg já confessou a dificuldade de se apresentar ao vivo, baseado no longo tempo necessario de adaptação de suas músicas para o palco. Afinal, seu estilo é mais intimista mesmo, pois, apesar da explosividade dos hits de seus lançamento como Lighting Bolt ou da nova What Doesn’t Kill You é óbvia a desenvoltura do rapaz sozinho com seu violão, num lado Singer-Songwriter que lhe é inerente, mas que parece vir pouco à tona nos reviews da obra do rapaz.

Até o começo do ano que vem, resta esperar as repercussões do novo trabalho, mais clipes ou programas gravados, e contar com a disposição de um Jake Bugg adaptado e pronto para enfrentar nossa recepção calorosa típica dos trópicos.

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ARTISTA: Jake Bugg

Autor:

Discreto e silencioso. Falo pouco, ouço bem, porém.