“Só estamos falando de sentimentos”

Aproveitando a passagem do Men I Trust por São Paulo e Porto Alegre via Monkeybuzz, conversamos sobre o calor que a banda canadense recebe de quem curte os seus discos

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Fotos: Lucas Sant'Ana/Monkeybuzz

Sabe quando, durante um show, você ouve alguém dizer “essa é minha música”? Nas apresentações que o Men I Trust fez no Brasil via Monkeybuzz (elas aconteceram nos dias 21.9 em São Paulo e 22.9 em Porto Alegre) a sensação era e de que a todo momento, tinha alguém falando isso. Aparentemente, em qualquer apresentação do grupo canadense isso é comum. Pelo menos nos shows que fizeram por aqui foi 100% assim. Curiosamente, a banda ainda se impressiona com essa identificação tão profunda expressa por seu público. “É o melhor elogio que alguém pode nos fazer”, disse Emma ao Monkeybuzz. “É assim que nós consumimos música. Cria-se uma intimidade, ficamos ouvindo a mesma várias vezes e sozinhos, em nossos fones de ouvido.”

“Acho que as coisas que colocamos nas músicas e nas letras se aplicam, primeiramente, a nós mesmos. Depois, às pessoas que estão em nossos círculos sociais. A partir daí, elas ecoam nos outros. Não estamos aqui para pregar nada, nem motivar ninguém. Cantamos sobre o que faz sentido para nós. Não queremos usar as letras para ensinar alguma coisa. Só estamos falando de sentimentos. Quando estamos no palco, estamos fazendo aquilo para as pessoas que estão ali, mas acho irresponsável trabalhar no estúdio pensando na recepção do disco. É melhor focar no que queremos ouvir e seguir nessa direção”, continua Emma.

 “A quantidade de críticas negativas nem se compara com o amor que chega até nós. É totalmente desproporcional. E eu sei que isso é especial” – Emma Proulx

Sentados em uma mesa no restaurante do hotel, Emma, Jessy, Dragos e Eric estão cansados, mas visivelmente satisfeitos por terem percebido que as composições de Oncle Jazz, lançado apenas uma semana antes, repercutiram tão bem nos shows no Brasil. Dragos conta que o show em Porto Alegre foi bom porque eles gostam de tocar em lugares menores, como o Agulha, porque “nos sentimos mais próximos do público”. Já a vocalista adiciona que o legal, em São Paulo, foi justamente a energia da multidão no Fabrique. Ainda na primeira metade do repertório em São Paulo, entre uma música e outra, Emma falou ao microfone que nunca tinha visto uma plateia cantar tanto. “Eu fiquei muito comovida”, relembra. “Não me acostumei com a sensação.”

Assim como acontece em outros lugares por onde Men I Trust toca, o contato com o público continuou após a apresentação. “Nós temos os melhores fãs, sério. Eles sempre vêm conversar depois do show, e os seguranças das casas não sabem bem se deixam ou não, mas todos são sempre muito respeitosos.” Eric comenta que “as pessoas se sentem muito à vontade para nos contar tudo, o que é muito legal. Elas falam que terminaram um relacionamento ruim, ou que se aproximaram de quem amam por causa das músicas.” Nessa hora, a vocalista comenta que “ontem mesmo (em Porto Alegre), cinco pessoas me falaram que nossas músicas foram de grande ajuda, uma até terminou um casamento tóxico. Eu só falei: ‘Uau’ (risos)”.

Esse contato com quem ouve Men I Trust é visto por Dragos como “de grande impacto. Eu me sinto mais aberto. Não sei, eu me sinto mais humano. Quando você está fazendo uma turnê, você se concentra muito nos shows, nas questões técnicas, e acaba se desprendendo da realidade. Conversar com as pessoas te traz de volta ao chão”. Eric adiciona: “Quando você viaja muito, acaba aprendendo que, não importa onde você for, pessoas são sempre pessoas. A música mostra isso. Quando você está em um show, não importa o contexto social do qual você veio, ou classe econômica, etc. Tem gente mais velha, gente mais nova, todo mundo está curtindo a música – e nós também. É uma experiência bastante coletiva. Isso é o mais legal de fazer turnê”.

“A mídia influencia a mídia e você acaba se tornando um produto do que está acontecendo”, explica sobre a identificação que acontece nos shows. “Vemos os mesmos filmes, ouvimos as mesmas músicas.” “Moramos todos no país Internet”, brinca Emma que assegura que o contato online chega no mesmo nível emocional do que vimos ao vivo. “Adiantamos o lançamento duas vezes e as mensagens que chegavam eram: ‘Calma, descansa, foca em você, a gente pode esperar’ (risos). É difícil explicar o quanto sabemos da sorte que temos. A quantidade de críticas negativas nem se compara com o amor que chega até nós. É totalmente desproporcional. E eu sei que isso é especial”.

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ARTISTA: Men I Trust
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.