Os 45 Anos do Primeiro Disco do Pink Floyd

“Piper at the Gates of Dawn”, lançado em agosto de 1967, marca o início da carreira de uma das maiores bandas que já conhecemos

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Há 45 anos, a provável banda mais influente de Rock Psicodélico de todos os tempos lançava o seu primeiro disco: Pink Floyd, conhecida pelos seus inúmeros discos de sucesso comerciais e de crítica, lançou Piper At The Gates Of Dawn no incrível ano para música de 1967, que teve dentre os discos lançados o também psicodélico Sgt. Pepper’s Lonely Heart Club Band do The Beatles. Coincidências à parte, ambos os álbuns foram gravados no mítico estúdio de Abbey Road no mesmo período. A pergunta que não cala é: Quem influenciou quem? Se Sgt Pepper’s foi um divisor de águas no bom mocismo dos rapazes de Liverpool, Piper Gates é, desde o começo, Psicodelia pura e foi um marco sem antecedentes para o gênero.

Se não bastasse a importância da obra inicial do grupo, o LP também representa o único trabalho da banda liderado de forma integral pelo gênio, lunático e cantor Syd Barret. Gênio, pois os arranjos e letras feitos no álbum são quase todos méritos do guitarrista. Roger Waters ainda era um menino com grandes ideias e desempenho no baixo regular. Junto dele se uniam Nick Mason, baterista, e Richard Wright, tecladista. David Gilmour, o guitarrista e vocalista em diversas obras conhecidas do grupo como Dark Side of The Moon e Shine On Your Crazy Diamond, só viria a integrar o grupo após uma série de distúrbios relacionados com Syd Barret. O “lunatismo” deste não passa só pelos sons escutados no álbum, mas também devido ao fato que deste ser esquizofrênico, fato só descoberto muito tempo depois de todos os casos envolvendo o cantor quando a própria doença foi descoberta. Após a gravação deste álbum, o início do abuso de LSD por Syd acabou alavancando sua esquizofrenia, que o faria deixar o grupo algum tempo depois.

Letrista e cantor, ele sempre continuou parte da banda, seja através de suas próprias letras, ou de outras escritas sobre ele, como quase o álbum inteiro Shine On Your Crazy Diamond. Em Piper At The Gates of Dawn vemos toda a genialidade de Syd, que serviu de inspiração para a banda ao longo de sua extensa carreira. A obra, para aqueles que estão acostumados com os sons mais conhecidos da banda, choca por ter a Psicodelia “floydiana” de sempre, mas feita com outros gêneros, como a Surf Music.

Feito em uma época quando lado A e lado B significavam não só os opostos do vinil, mas também os sons em cada parte, Piper At Gates começa com uma canção sobre um travesti cleptomaníaco em Arnold Layne, o primeiro single da banda. Animado e psicodélico, o lado A tem dentre os momentos mais marcantes Lucifer Sam, canção aliás que teve um cover feito pelo MGMT no lançamento de toda a discografia remasterizada no ano passado. Surf music psicodélica é a melhor definição para a canção, que captura sons que claramente são inspirados em outras bandas psicodélicas de hoje dia. Matilda Mother é a visão do Rock inglês da época, com vocais alternados entre Syd Barret e Richard Wright, e um clima no flamejante. Flaming é outra canção que lembra muita a música tocada na época mas que se torna floydiana quando unicórnios são colocados na jogada. Pow R Toc H é maravilhosa, com Richard Wright detonando no piano e criando uma canção única em toda a carreira do Pink Floyd. Take Up Thy Stethoscope And Walk é jocosa e divertida e representa bem a personalidade de Syd Barret, terminando o lado A intenso do disco.

Intersellar Overdrive começa o lado B com um pancada psicodélica, repleta de reverb e Surf Music. The Gnome é a música mais bizarra do CD e dificilmente você não se deliciará com a letra sobre os pequenos homens e o estilo característico de cantar de Syd. O lado B tem ainda Chapter 24,The Scarecrow canções que podem ser consideradas baladas psicodélicas, viajadas e extremamente climáticas. Bike, um outro grande sucesso do grupo, tem no teclado e bateria o clima de uma balada sendo feito sobre duas rodas e termina de forma magistral a obra.

Primeiros álbuns são sempre interessantíssimos, pois são o cartão de visitas da banda para o mundo e para seu público, e quando estas obras iniciais são de dinossauros da música, a importância se torna ainda mais elevada. Vista diante de todo o catálogo do Pink Floyd, Piper At The Gates Of Dawn se torna ainda mais diferenciado e peculiar, seja pelo som único feito pela banda diante da época em que vivia ou de sua extensa discografia , com diversos discos clássicos que em nada repetem ao som deste se não pelo simples fato de serem de “Rock Psicodélico”. A produção choca em um primeiro álbum, com diversos elementos eletrônicos ainda desconhecidos dos ouvintes no final da década de 60. Tudo fica ainda mais romântico quando, após escutar o disco, a associação de que os gênios são também malucos se torna ainda mais notável diante da gravação única de Syd Barret, aquele que realmente iniciou o “lunatismo” musical. Vale estar na prateleira ou iPod de qualquer fã de música, seja você um “floydiano” ou não.

Pink Floyd – Piper at the Gates of Dawn

MGMT – Lucifer Sam

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ARTISTA: Pink Floyd

Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.