Ouça – Daughter

Conheça o trio inglês que traz em sua música uma dualidade emocioante, misturando nela uma aura angelical e visceral

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O que mais chama a atenção desde a primeira audição de Daughter é o contraste que existe em sua música. Ao mesmo tempo em que os arranjos e vocais são tão angelicais e etéreos, as letras são profundamente viscerais e, algumas vezes, sombrias, e dessa fusão de dois mundos aparentemente diferentes nasce a atmosfera emocionante de sua música. Outro diferencial na sonoridade desse trio inglês é não ter a voz como protagonista. Aqui, cada elemento tem seu papel, seja o mais simples acorde do violão, as pequenas texturas digitais ou mesmo o leve dedilhar do piano, todos são igualmente responsáveis por criar essa ambientação sonora cheia de pessoalidade.

O som é feito por jovens, mas está longe de ser um lamento juvenil. Suas letras trazem sentimentos profundos, cheios de dor e sofrimento, o que parece ser também uma chave para conseguir se comunicar com tanta gente tão facilmente. Essa carga de intimidade e seus relatos tão pessoais podem trazer à tona comparações com o Folk – a vibe voz e violão também contribui para isso -, mas em momento algum o trio pensou em se enquadrar em um estilo ou em outro, e sim, em simplesmente explorar uma sonoridade que gostasse e que conseguisse se comunicar plenamente.

O que hoje é um trio começou somente com Elena Tonra, que, para extravasar suas tristezas e contar suas histórias, começou a compor com seu violão. Eventualmente a moça se cansou do esquema voz-violão e chamou seu namorado Igor Haefeli para tocar guitarra, posteriormente Remi Aguilella entrou na banda para assumir a percussão. Quando Daughter ainda era um duo, lançou na internet seus primeiros demos e singles, que começaram a chamar atenção de muita gente, dentro e fora de sua terra natal.

Em abril de 2011, a banda lançou seu primeiro EP, His Young Heart, que com altas doses de melancolia, intimidade e honestidade, se mostra diferenciado de outros trabalhos por não apelar para autopiedade em nenhum momento. “I want you so much, but I hate your guts, I hate you” é uma das frases mais memoráveis e impactantes deste primeiro trabalho, ainda mais quando entoada pela delicada e doce voz de Elena.

No mesmo ano e com uma proposta um pouco diferente, o trio lançou seu segundo EP. The Wild Youth conta com mais elementos para compô-lo, usando desta vez uma instrumentação mais rica e apostando em arranjos mais sofisticados – mas sem nunca deixar um elemento se sobrepor ao outro. Com esta mudança o disco ganhou uma musicalidade maior, assim como uma aceitação maior. O curto disco tem um grande hit, o arrebatador Youth, e mais pelo menos dois possíveis candidatos.

O lançamento mais recente da banda foi o single Smother, que mostra elementos usados no último trabalho e adiciona a eles belas harmonias vocais criadas em múltiplas camadas. Mais uma vez, esse lançamento mostra um avanço ou um novo caminho a se explorar pelo trio, mas sem nunca perder de vista as letras emotivas de Elena e musicalidade que emana delas.

Apesar de tão jovem, o trio já é tão maduro. Apesar de aparentemente angelical, sua sonoridade é tão sombria e abrasiva. Acima de tudo, suas músicas mostram que elas não precisam ser só bonitinhas ou só melancólicas, ela pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.

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ARTISTA: Daughter
MARCADORES: Ouça

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts