Para Ouvir com Fones de Ouvido

Alguns discos foram feitos para o pé do ouvido e é ali que eles falam mais alto

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Se pensarmos em uma lista de objetos muito presentes em nosso cotidiano, provavelmente citaremos o telefone celular, o computador (mesmo se você não for da turma mais online, há de concordar que essas dois são muito usados) e um tocador de música, seja ele portátil ou não. Porém, há muitas chances de você usá-los com fones de ouvido, os acessórios mais convenientes do mundo contemporâneo.

Usamos fones não apenas pra não incomodar as pessoas em volta (por melhor que seja nosso gosto musical, elas simplesmente não tem obrigação de ouvir o que queremos, certo?), mas também para uma experiência mais imersiva no som. Se bons altofalantes te cobrem de música alta, os headphones deixam ela entrar em você de maneira mais orgânica.

Os detalhes ficam mais evidentes, os sussurros falam mais alto e a experiência de um disco pode ser inteiramente modificada se ouvido dessa forma. Portanto, vale a pena escolher bons acessórios e experimentá-los com esta seleção de álbuns que ficam ainda melhores quando ao pé do ouvido.

Sábado

O próprio Cícero comentou em entrevista ao Monkeybuzz que este é um trabalho para se ouvir com fone de ouvido, como bem lhe avisou o produtor Bruno Giorgi. Ouvir por caixas de som pode deixar o som disperso demais pelo ambiente. Porém, com headphones, a poesia vai direto aonde tem que ir bem dentro da gente. Faça o teste.

An Awesome Wave

Do piano na introdução às muitas camadas de instrumentos e todos os detalhes em cada uma das faixas, o álbum de estreia do grupo Alt-J é uma bela viagem por paisagens sonoras complexas e sempre muito melódicas. O tipo de experiência que mesmo os subwoofers nem sempre dão conta. Ouça Fitzpleasure e comprove.

Visions

Já ouvi essas músicas de Grimes na balada (já até discotequei algumas delas quando era minha vez de tocar), mas continuo achando que o lugar de Visions é diretamente nas orelhas, por mais dançante que ele seja. É só assim que percebemos a densidade do som e a bela mistura do vocal de Claire Boucher com os sons que ela nos contou em entrevista que “vem naturalmente”.

Settle

Por falar em balada, o álbum de estreia do duo Disclosure ganhou merecidamente as pistas do mundo inteiro (e o espaço de headliner no Lollapalooza Brasil 2014. Mas, vai por mim, ele fica ainda melhor quando escutado com fones de ouvido. Recomenda-se, no caso, ouvir em um dispositivo portátil para maior mobilidade no inevitável ímpeto de sair a bailar.

The Golden Age

Além da beleza das músicas, o que marca o álbum de Woodkid é o quanto o clima muda entre a singeleza e o espetáculo. Headphones são a melhor pedida para acompanhar essa variedade toda, da percussividade de Run Boy Run e I Love You à doçura de momentos como Where I Live.

Antes que Tu Conte Outra

Outro cujas variações as caixas de som nem sempre dão conta é o segundo da gaúcha Apanhador Só. É com fones que a tensão de Mordido e Despirocar, os sorrisos de Líquido Preto e Torcicolo ou mesmo a melancolia de Cartão Postal são melhor captados.

Quebra Azul

O disco de estreia do sexteto Baleia parece ter mais sons do que cada uma de suas faixas comportam – e um passeio por Breu, Furo ou Motim mostra o quando essas músicas transbordam. Os fones ajudam a tampar os ouvidos e não deixar nada disso escapar, ao mesmo tempo que te deixa prestar mais atenção em momentos mais com menos coisas acontecendo ao mesmo tempo, como Sangue do Paraguai e alguns trechos de Despertador.

Yeezus

Esta seleção não ficaria completa sem pelo menos um trabalho de Hip Hop – som que nasceu do boombox e agora encontra força nos portáteis para se ouvir sozinho. O trabalho mais recente de Kanye West, indicado pela equipe Monkeybuzz como o melhor álbum de 2013 revela a força que o gênero tem nos fones.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.