Se o Filme é de Baz Luhrman, a Trilha é Caprichada

“O Grande Gatsby”, que estreia no Brasil neste fim de semana, traz Jack White e Lana Del Rey, entre outros, em produção de Jay-Z

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Florence + The Machine, Lana Del Rey, Jack White, Gotye e The xx de uma só vez. Poderia ser o line up de um grande festival (e bota grande nisso), mas é apenas uma lista com alguns dos nomes que compõem a trilha de O Grande Gatsby, mais uma super produção do australiano Baz Luhrmann, que aos poucos se firma como um diretor não apenas de filmes com visuais sultuosos, mas também com músicas que são uma tração a parte.

Com estreia no Brasil nesta sexta-feira, 07 de junho, a produção adapta ao cinema o livro de mesmo nome, escrito por F. Scott Fitzgerald e publicado pela primeira vez em 1925. No papel do tal grande Gatsby, está Leonardo DiCaprio, que encabeça um elenco que tem ainda Tobey Maguire e Carey Mulligan. Eu ainda não vi e as críticas não andam muito favoráveis, mas sua trilha sonora merece muito mais do que uma meia-entrada em matinê.

O repertório tem produção artística – ou seja, quem ficou a cargo de escolher os intérpretes certos e os convencer a entrar na jogada – do rapper Jay-Z, que parece ter selecionado dois estilos que caem muito bem juntos: O Hip Hop com pegada Eletrônica e o Indie sombrio e bem produzido, muitas vezes com um aspecto vintage que combina bem com a década de 1920 em que se passa a trama.

Jay-Z e Kanye West – No Church in the Wild

Gotye – Heart’s a Mess

Jack White – Love Is Blindness

Se alguém achar que Jay-Z, Gotye e Jack White não tem muito a ver, devo dizer que tudo combinou bem direitinho dentro deste mesmo CD. Um aspecto dramático e um tanto quanto dark ajuda a dar uma coesão maior entre as faixas, além da qualidade impressionante que as composições tem.

Quem já acompanha o trabalho de Luhrmann há um tempo, não vai se surpreender com a seleção de estrelas e hits presentes no lançamento. Desde Romeu + Julieta, seu segundo filme, a trilha tem grande destaque dentro e fora do filme, já que parece ganhar uma vida própria por si só e entra para a coleção de favoritos até de quem nunca assistiu à obra.

Esse filme de 1996, por exemplo (também com DiCaprio como protagonista, junto de Claire Danes), tinha Garbage (#1 Crush) e Radiohead (Talk Show Host) na seleção, mas a que brilhou como craque na temporada – e fez história como um dos maiores hits da segunda metade da década – foi certamente Lovefool, da norueguesa The Cardigans.

The Cardigans – Lovefool

Moulin Rouge (2001), o filme seguinte, tinha uma prposta muito específica para trilha, não só por se tratar de um musical, mas por apresentar releituras de faixas conhecidíssimas inseridas como diálogos no romance de Satine (Nicole Kidman) e Christian (Ewan McGregor). David Bowie, Massive Attack e Beck estão entre os participantes da compilação, mas uma joia preciosíssima escondida ali no meio é a interpretação doce, Pop e melancólica de Rufus Wainwright para Complainte de la Butte.

Rufus Wainwright – Complainte de la Butte

Australia (2008) foi seu filme menos celebrado até agora e, coincidentemente (ou não?), foi o que fugiu à regra das trilhas com grandes e populares nomes. Mesmo assim, os créditos finais da produção (que tem Hugh Jackman e, novamente, Nicole Kidman como protagonistas) ficou a cargo de ninguém menos que Sir Elton John.

Elton John – The Drover’s Ballad

Com tantos contatos assim no mundo da música e a capacidade de reuni-los em uma só causa, fica a sugestão para Baz Luhrmann comandar também um próximo festival – que seria completo também com o deslumbre visual presente em tudo o que ele faz no cinema. O Grande Gatsby está aí para provar isso.

Lana Del Rey – Young and Beautiful

Florence + The Machine – Over the Love

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.