Spoon: Uma Conversa Sobre Passado, Presente e Futuro

Britt Daniel e companhia comentam sobre shows no Brasil e repercussão do álbum “They Want My Soul”

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Prestes a fazer seu segundo show no Brasil pela turnê de They Want My Soul, no Popload Festival, o grupo norte-americano Spoon tomou algum tempo para conversar com alguns representantes da mídia brasileira. Pressão, 20 anos de carreira, novo disco, viagens, fé e tabuleiro de Ouija foram alguns dos temas que Britt Daniel e companhia circundaram durante a descontraída conversa, que começou tratando do presente da banda: “Estamos fazendo isso há bastante tempo e já tivemos outros discos grandes no passado. Digo, ‘grande’ é relativo e de fato não sei o que fizemos nesse de diferente em relação aos outros, mas você cresce como pessoa, sabe? Então as coisas mudam”.

“Nós estivemos em lugares diferentes e coisas assim também nos mudam. Além disso, trabalhamos com o produtor Dave Fridmann, que queria um som mais poderoso, mais distorcido, mais barulhento. O disco tem bastante dele”, comenta o baterista Jim Eno sobre algumas das mudanças que foram vistas neste mais recente lançamento do grupo. “Eu costumo escrever em todo lugar que vou. Eu acho que quanto mais se vive, viaja e mais se experimenta da vida, mais dessas coisas acabam aparecendo no seu som”, completa Daniel.

Ainda falando sobre a obra, o grupo comentou como a fé se encontra como temática recorrente de They Want My Soul. “Eu acho que esse tema aparece algumas vezes no álbum, as pessoas que fingem e os ‘Holly Rollers’. Eu meio que cresci com isso, com esse lado não tão puro da espiritualidade. Às vezes, a igreja não é o melhor lugar para dar vazão a isso, e então cruzamos com isso algumas vezes no disco”, diz Britt sobre um álbum.

Apesar da longa turnê e dos projetos paralelos de alguns dos membros do grupo, o embrião para o próximo disco de Spoon começa já a tomar forma. “Eu tenho escrito bastante coisa e tenho várias ideias. Não sabemos ainda quando vamos começar a gravar, mas tem um novo álbum a caminho, com certeza”, diz Britt, que ainda comentou sobre ter escrito algumas coisas sobre sua noite anterior, na qual fez um DJ Set ao lado de Lovefoxxx.

“Eu acho que nós ficamos mais seletivos, não queremos fazer um álbum que queime todo nosso passado. Eu não sei se todas as bandas se sentem assim, mas não queremos só ‘terminar esse aqui e ir para o próximo’, então continuamos trabalhando até achar algo que nos nocauteie”. E, certamente, They Want My Soul foi também um fruto desse modus operandi do grupo, de ser “derrubado” pela própria música. Em certo momento, o grupo chegou a comentar que já tinha 42 músicas escritas, um número grande quando se pensa que seu mais recente disco foi lançado somente há um ano. Talvez ainda seja cedo para sentir qualquer tipo de ansiedade, mas, vendo o retrospecto do grupo e o shows que é capaz de fazer, fica difícil não criar grandes expectativas – que talvez venham mais do lado do ouvinte que dos próprios músicos, que disseram não sentir esse tipo pressão.

“O show no Rio de Janeiro foi incendiário e, sim, continuamos nos divertindo bastante mesmo depois de 20 anos”, diz a banda, que ainda brinca: “Tocar é uma das coisas mais divertidas que fazemos. Eu gosto da ideia de tocarmos nossas músicas, sair do palco e ter bebida de graça. Isso nunca perde a graça”. E o resultado foi mesmo uma apresentação muito divertida, seja para o público – que cantou os diversos hits do grupo – ou para a própria banda, que continua bastante animada ao subir aos palcos.

Um pouco antes do fim do bate-papo, Spoon mostrou a lista de músicas que tocaria naquela noite e brincou dizendo que prepara seu set com um tabuleiro de Ouija, simplesmente listando todas as músicas e deixando os espíritos decidirem o que vai ser tocado naquela noite. Não sei quais foram os tais espíritos, mas a seleção deles foi impecável e rendeu um ótimo show.

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ARTISTA: Spoon
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts