Fever Ray, Karin Hellqvist, Rrose e mais…

Remixes impensáveis, música clássica repaginada e muito mais no primeiro Monkeyloop de 2020

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Karin Hellqvist – Flock

A sueca Karin Hellqvist tem sim um talento virtuoso para tocar o seu violino. No entanto, em seu primeiro LP, a instrumentista não faz questão nenhuma de provar seu domínio técnico sobre as cordas. Na verdade, em Flock, Hellqvist embarca em uma jornada experimental, “desafinada”, quase desconfortável, que não cede em nenhum momento para clichês nos quais tão comumente caem artistas clássicos em seus projetos solos. O resultado é uma musicalidade aérea que de um jeito torto e quase meditativo vai brincando com o Ambient e o Noise. (Pedro João)

Fever Ray – Plunge Remix

Desde o fim do duo The Knife, em 2014, a musicista sueca Karin Dreijer Andersson tem se dedicado bastante ao seu outro projeto, o Fever Ray. O resultado mais recente dessa experimentação sob outro nome foi o celebrado disco Plunge, lançado em 2017. No final do ano passado, ele ganhou uma ambiciosa versão com todas as suas faixas reimaginadas por diversos produtores. O disco de remixes ultrapassa a marca das 20 faixas (o original tem somente 11), ou seja, a mesma canção pode ganhar duas ou até mais versões. Entre os convidados para criar as releituras estão nomes de peso como Björk e Olaf Dreijer (irmão e ex-parceiro de Karin no The Knife). Assim, trata-se de um LP diverso, quase randômico, mas especialmente interessante para quem já conhecia o disco original. (Nik Silva)

Rrose – Hymn to Moisture

O álbum de estreia de Seth Horvitz como Rrose explora fenômenos naturais com tons inconstantes e afinações instáveis. Evocando o vento, a água e a carne via Techno, o registro faz referência aos pioneiros Jeff Mills, Pan Sonic e Plastikman. Hymn to Moisture, assim, emprega as características mais marcantes do gênero e as desenrola com calma e cuidado. Além disso, há uma gama atmosférica emocional e expansiva que torna este um dos trabalhos mais refinados do artista até agora. Destaque para as músicas “Dissolve” e “Columns”. (Ana Laura Pádua)

Short Fictions – Fates Worse Than Death

A melancolia que chama atenção no título deste disco se arrasta para as oito faixas que o compõem. As músicas partem do princípio de que testemunhar o mundo distópico em que vivemos hoje é a pior das hipóteses de futuro que a humanidade poderia prever. Para dar conta de tragédias sociais como a gentrificação, o aquecimento global (que aproximam nosso planeta, cada vez mais de um local inabitável) a banda norte-americana lança mão do Emo de maneira bastante orgânica, explorando as nuances sentimentais do gênero para dar força à sua mensagem. O que se vê aqui é um registro que bem comunica o desamparo, a solidão e o pessimismo atrelados a essa novíssima fase do capitalismo. (André Felipe de Medeiros)

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