Hot e Oreia, 박혜진 Park Hye Jin, Bon Iver e mais…

O Monkeyloop é uma curadoria com os discos que você deveria estar ouvindo

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Fotos: Arte: Solo.etc

para ouvir

Hot e Oreia – Rap de Massagem

A dupla se apropria do selo de outsiders do Rap – como são vistos por muitos – e transforma a alcunha em bandeira no seu primeiro álbum de estúdio. A exaltação da sensação de não pertencimento ao gênero aparece nas letras de diversas faixas ao lado de críticas ao governo Bolsonaro, referências à Umbanda e humor autorreferencial (aspecto que também chega forte nos videoclipes). E este humor, por sua vez, está distante de ser apenas tempero no disco: é a ponta da lança para versos diretos a que quem quer que seja o destinatário. Os beats coloridos deixam a escuta se aproximar da adrenalina de um passeio em uma montanha-russa – basta piscar para que algo passe despercebido. Entre as cinco participações extras do LP estão Djonga (“Eu Vou”) e Luedji Luna (“Xangô”). Grandes chances de agradar a quem gosta do som de Black Alien. (Leandro Reis)

박혜진 Park Hye Jin – IF U WANT IT

Que a Coréia do Sul tem dominado o cenário mundial da música ninguém duvida. Seja com seu grandioso K-Pop ou com o Indie Rock (já ouviu o grupo Say Sue Me?), eles estão crescendo cada vez mais. Aparentemente, agora é a vez da música eletrônica do país ganhar o globo. As DJs Yaeji e Peggy Gou acredito que já são convidadas para a sua festa, mas que tal chamar a 박 혜진 Park Hye Jin também? É fácil mergulhar no House e no Techno de IF U WANT IT (2018), EP da rapper e produtora de 24 anos. Alternando entre o inglês e o coreano, as letras revelam o uso da técnica “falada”, que apesar de serem apenas “palavras jogadas” para se expressar, carregam consigo a complexidade de suas emoções que, por fim, casam perfeitamente com suas texturas sonoras propostas por ela. Vale a escuta. (Ana Laura Pádua)

Bon Iver – i,i

Quem ouviu 22, A Million (2016) não estranha o que Justin Vernon propõe em seu novo disco, desde a grafia dos títulos (que brincam com o egocentrismo que ronda o conceito da obra) até a estética de sons sempre muito processados. Se Bon Iver não poderia estar mais distante do aspecto Lo-fi de seu For Emma… (2007), várias de suas particularidades seguem presentes. A principal delas é aquela explosão sonora quase melodramática, que injeta uma grandiosidade nas músicas que dificilmente deixa o emocional do ouvinte indiferente ao que escuta. “Naeem” e “Faith” são os melhores exemplos desse recurso, enquanto faixas como “Salem” e “We” prolongam o clima de introspecção guiado pelo vocal sempre marcante. i,i pode não ter uma personalidade tão distinta quanto os outros títulos de sua discografia, mas não esconde a força sentimental tão bem trabalhada na escolha de timbres e interpretação do cantor. Ou seja, o álbum traz exatamente aquilo que Bon Iver tem de melhor. (André Felipe de Medeiros)

Tom Misch – Geography

Se John Mayer ajudou a reintroduzir o Blues a um público enorme ao longo das últimas décadas – ainda que transformando o estilo em algo bastante Pop e açucarado – o britânico Tom Misch me parece ter o mesmo potencial ao mostrar em sua fusão de Jazz, Soul e Funk algo também bastante popular e de fácil assimilação. Seu disco de estreia, Geography (2018), mostra esse munido de grooves pegajosos e dançantes, letras de amor e uma produção impecável. Os pontos altos do LP surgem também do inesperado: convidados que orbitam esses estilos trazem em um novo contexto para a música de Misch – é o caso da ótima parceria “It Runs Through Me” com De La Soul, uma quase Bossa Nova para ser ouvida com areia nos pés e um drink na mão. (Nik Silva)

PARA VER E OUVIR

Jay Som – “Nighttime Drive”

BROCKHAMPTON – “If You Pray Right”

Big Joanie – “Way Out”

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