Taco de Golfe, Erika de Casier, Kins e mais…

O novo Monkeyloop é uma curadoria com os discos que você deveria estar ouvindo. Confira!

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O Monkeyloop está de volta. Mas, no lugar de falar sobre as notícias mais quentes do mundo da música, decidimos fazer uma curadoria com o que estamos ouvindo no momento para trocarmos referências e sonoridades com quem nos honra com sua leitura. Por isso, toda sexta-feira, selecionamos três discos relativamente recentes que tem a nossa chancela + um disco antigo/clássico que deveríamos dar mais atenção. Ao final, uma seleção com os clipes mais interessantes da vez. Aproveitem!

PARA OUVIR

Taco de Golfe – Folge

Espanto é, talvez, a primeira grande impressão que tive ao ouvir Folge do grupo sergipano Taco de Golfe. Seguindo o traço de bandas instrumentais do nordeste como Mahmed e Bagum, o trio impressiona pelo virtuosismo em cada traço deste disco. Criativos e matemáticos, partem de compassos musicais pouco usuais, envolvem o ouvinte em loops que o fazem acreditar na possibilidade de uma conclusão que, no fim das contas, é frustrada porque, há todo momento, novos caminhos se iniciam novamente. O experimentalismo em sua sonoridade os aproxima do Jazz e do Math Rock e cria motivos para que fãs de grupos como Battles, Toe e Mars Volta possam orgulhar-se do ouro minerado em terras brasileiras. (Gabriel Rolim)

Erika de Casier – Essentials

Para Erika de Casier, mesclar suas composições modernas de Pop com as vibrações do R&B dos anos 1990 parece ser algo simples, que ela conclui com maestria. Em Essentials (2019), a produtora e compositora de Copenhague, cria um equilíbrio saudável com o G-Funk relaxante e sua variedade de temperaturas emocionais. Canções como “Rainy” e “Intimate” capturam alguns dos aspectos mais frágeis de um relacionamento. Já “Do My Thing” é sobre a auto-libertação, aceitação e não ter vergonha disso. Em seu disco de estreia, a influência retrô é cristalina, mas a inovação é ainda mais clara. Erika de Casier consegue canalizar, simultaneamente, o passado e já traçar um belo rumo para o futuro. Pense em uma Sade com produção de Smerz e uma pitadinha de Tirzah, é tudo isso misturado. Aqui vai a dica! (Ana Laura Pádua)

Blue Lab Beats – Vibe Central

Se quando você pensa em Jazz a associação no tempo e espaço remete aos Estados Unidos dos anos 1960 e 1970, está precisando se atualizar. Talvez esse cenário possa mudar um pouco ao observar a riquíssima cena que tem surgido no Reino Unido ao longo dos últimos anos. O jovem duo Blue Lab Beats é um dos expoentes desse fervilhante momento que vive a terra da Rainha ao trazer ao experimentalismo e ao requinte do Jazz mais tradicional um tanto do Hip-Hop, Soul e Funk – algo que, imagino, deixaria gente do quilate de J Dilla bastante orgulhoso. E em mundo pós-To Pimp A Butterfly (2015) uma obra como Vibe Central (2019) faz total sentido, ainda que desacompanhado de fervorosos versos de Rap. A riqueza dessa mistura é o que dá o tom nessa coesa e potente obra. É esse o norte que conduz os dois jovens músicos por terrenos extremamente consolidados sem caírem no óbvio. (Nik Silva)

Kins – Kins (2013)

Eis uma pequena reparação histórica: Se Kins foi uma banda bastante celebrada no Monkeybuzz na época do fim de suas atividades, em 2016, seu álbum de estreia não chegou a ser resenhado no site. Suas dez faixas entregam a sonoridade pela qual a banda será lembrada – aquele Indie com herança Post-Punk –, baseada em pequenos experimentalismos, graves pulsantes no baixo e agudos fraquejantes do vocalista Thomas Savage (Vilde). Da vibe crescente de “Mockasin’s” à melancolia com timbres de sopro em “Aimless”, passando pela força de “Break Ties”, pelo potencial de hit de “Post Tropical Storm” e pela melodia que se estende sem pressa de acabar de “Absblurd”, Kins é um disco que mostra seu valor aos poucos, conquistando o ouvinte nas referências familiares do Indie e na execução cheia de personalidade das músicas. (André Felipe de Medeiros)

PARA VER E OUVIR

James Blake – “Can’t believe the way we flow”

Luiza Lian – “Mil mulheres”

Björk – “Losss”

Ovo ou Bicho – “Baby”

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