Mayer Hawthorne – Cine Joia, SP

Com transmissão ao vivo pela TV, músico empolga plateia heterogênea com um show marcado por hits

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Fotos: Fernando Galassi/Monkeybuzz
Nota: 4.5

Como é bom ser Mayer Hawthorne. Ao menos é isso o que o músico faz parecer quando está no palco, como fez na última quinta durante apresentação no Cine Joia, em São Paulo. O músico consegue, sem muito esforço aparente, exalar o que pode apenas ser definido como cool.

Com um repertório apoiado em hits, seja os do recente Where Does This Door Go ou lançamentos anteriores, o cantor mostrou estar afinado com sua banda, seja no entrosamento dos instrumentos (ele, inclusive, se arrisca na guitarra em alguns momentos) ou nos passinhos de dança coreografados com o baixista e o guitarrista. Tudo é espetacular, no sentido primário da palavra, e cool, do figurino aos movimentos no palco. É Las Vegas em décadas passadas, é Art Déco, é um drink em um louge com vista para a cidade em uma cena que faria James Bond morrer de inveja.

Escolher um ponto alto é praticamente impossível. Tocar praticamente de uma vez Designer Drug, Henny & Gingerale e No Strings chega a ser covardia, enquanto abusar da Bossa Nova na introdução de Her Favorite Song (entoada com ajuda do público, fazendo as vezes de Jessie Ware no refrão) é um golpe baixo e colocar Allie Jones para acalmar nossos ânimos, sem perder a empolgação, foi jogada de mestre. Mas, convenhamos, qualquer show que tenha The Walk e The Innocent na mesma noite já ganharia respeito automaticamente.

O público parecia estar bem dividido entre dois grandes grupos: O pessoal que segue Hawthorne (independente se recentemente ou há muito tempo) e estava ansioso pra dançar e cantar junto ao músico, e também uma multidão empolgada com um show excelente visto ali, mas que não sabia exatamente o que estava acontecendo. E foi com esses últimos que, infelizmente, se fez um dos pontos negativos da noite.

Os fetiches de “estar lá na frente perto do palco” e de tirar fotos com o músico viraram prioridade para várias rodinhas de pessoas que caíram de paraquedas na apresentação e queriam só beber e conversar – sim, criar rodinhas pra ficar conversando o mais perto possível do palco, mas sem se empolgar muito em dançar ou mesmo prestar atenção no que acontecia. O empurra-empurra gerado por comoções dessas, diversas vezes criou o clima de “todo mundo se divertindo” que imperou durante a primeira metade da performance.

Fora isso, o som estava com uma qualidade lamentável em diversos momentos, com as caixas de som emitindo ruídos desgastados e a equalização deixando as palavras de Hawthorne emboladas em diversos momentos.

Mesmo assim, a noite foi memorável em cada segundo e o músico demonstrou aos paulistanos que, acima de tudo, é um excelente homem do entretenimento e sabe como causar um espetáculo como poucos, seja convidando a plateia para dançar ou levantando seu copo com um sorriso de satisfação entre as músicas. Saúde!

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MARCADORES: Cine Joia

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.