Tame Impala – Cine Joia, SP

Banda hipnotiza fãs em show lotado e que mostrou que já entendem seu lugar na cultura Pop, sabendo agradar, sem prejudicar o principal, a música

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Fotos: Fabrício Vianna/Popload Gig
Nota: 5.0

Aqui no Monkeybuzz, o Tame Impala tem moral. Nunca recebeu uma nota menor do que nossas raras cinco banananinhas nas duas resenhas que fizemos dos australianos, uma para sua primeira apresentação em São Paulo e outra para Lonerism, segundo álbum dos rapazes, que também recebeu nosso máximo reconhecimento como melhor álbum de 2012.

Ontem em São Paulo, não vimos apenas uma banda diferente do que estamos acostumados, mas principalmente um público diferente, talvez a maior causa de qualquer mudança de atitude e postura por parte de Kevin Parker. Tame Impala agora, ainda mais do que em sua primeira passagem, faz parte da cultura Pop e está sabendo lidar com as consequências de tudo isso.

Para nós, fãs, talvez seja uma das bandas que melhor sirva de exemplo para outras que passaram por isso, pois só levamos os lados positivos dessa nova popularidade, que são shows mais frequentes por aqui, público engajado sabendo cantar todas as músicas, mais lançamentos, clipes e sem os pontos negativos como mudança no som, queda de qualidade e afetação comum de artistas que do dia para a noite acreditam terem se tornado a última bolacha do pacote.

Obviamente que com o Tame Impala essa transição para grande nome do Pop está sendo mais gradual, até por não ser um som acessível como um derivado de Strokes ou algum grupo de Indie Pop qualquer. Os caras tem resgatado uma das influências mais incríveis que uma banda pode utilizar, mas ao mesmo tempo uma das que exige maior qualidade para saber explorá-la de uma forma relevante, a Psicodelia.

Ontem no Cine Joia, vimos momentos de hipnose coletiva durante eternos prolongamentos de faixas, verdadeiras Jam Sessions psicodélicas guiando olhos que não piscavam e não se mexiam, talvez também por que estava bastante difícil de se locomover, naquele que foi o dia mais cheio que já encontrei a casa desde sua inauguração.

Outra grande vantagem comum de apresentações de bandas em seu segundo disco é continuarmos com aquela sensação de que nada faltou, todas as nossas preferidas estavam presentes, no meu caso, Alter Ego, It Is Not Meant To Be e Elephant, mas ao mesmo tempo cortando os excessos de uma banda no primeiro disco, que acaba preenchendo o espaço com faixas que não ficam tão interessantes ao vivo. Com todos esses hits, a banda agora muito mais madura, sabia os momentos certos para deixar o público explodir, para arrancar aplausos, mas ainda sim, mostrando sua sinceridade, como na cara de envergonhado de Kevin ao errar o tempo para começar a cantar em It Is Not Meant To Be.

Este setlist aliás, é de dar lágrima nos olhos para qualquer fã do grupo, pois é impressionante o quanto cada riff, cada início de faixa é muito marcante e não por acaso, fez o público cantar do início ao fim, absolutamente todas as músicas, como grandes hinos de uma banda excelente que dá orgulho de estarmos vendo crescer ali na nossa frente.

Nosso saldo final com o Tame Impala portanto é à prova de críticas, os caras estão sabendo fazer um som impecável, que nos faz esquecer qualquer discussão sobre inovar na música ou reutilizar o que já foi criado, voltando nossas atenções apenas ao som extremamente atual e que coloca a banda como expoente máximo contemporâneo de um dos estilos mais resgatados ultimamente. Esperamos ansiosamente pelos novos trabalhos e por novas passagens da banda por aqui, cada vez maiores, cada vez melhores.

Setlist

Intro
Endors Toi/ Jam
Solitude Is Bliss/ Jam
Alter Ego
Music To Walk Home By
Why Won’t They Talk To Me
Desire Be, Desire Go
It Is Not Meant To Be
Half Full Glass Of Wine
Why Won’t You Make Up Your Mind
Elephant
Be Above It
Oscilly
Mind Mischief
Apocalypse Dreams


Feels Like We Only Go Backwards
Nothing Has Happened So Far Has Been Anything We Could Control

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ARTISTA: Tame Impala
MARCADORES: Cine Joia

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.