Solange: As Faces de um Diamante

Discografia da cantora revela fantástico e único crescimento sonoro

Solange: As Faces de um Diamante

Solange honra cada vez mais a etimologia de seu nome. Originado do latim, ele remete à solenidade, importância e ao majéstico. Sua obra parece ter ganhado maior renome no pós-2010, mas um olhar mais atento revela que o grandioso produto obtido atualmente é um reflexo de anos e anos de estudo e experimentações que começaram em 2002, quando a cantora/compositora/produtora compôs seu primeiro disco, aos 16 anos. A produção de Solange muitas vezes é comparada a um diamante que fôra lapidado lentamente pelo tempo, porém é possível encarar tudo isto de outra forma: a pedra já estava lapidada, nós apenas descobrimos as outras faces. Desta forma, selecionamos uma música de cada lançamento para entender como, aos poucos, fomos conhecendo a forma majéstica da sonoridade de Solange e o quanto ainda poderemos nos surpreender com o futuro da moça.

Crush e o R&B inato

Sendo uma Knowles, a música foi parte integrante de sua infância e adolescência. A relação com Beyoncé, por exemplo, vai bem mais a fundo do que apenas o sangue. Por vezes, Solange fez participações em performances do grupo Destiny Child, chegando até a substituir Kelly Rowland em um show no qual ela havia se machucado. Aos 9 anos, já começou a escrever suas composições e, com o passar dos anos, o R&B e o Soul foram tomando conta de seu universo até que, finalmente, com 16 anos, ela lançou sua estreia, Solo Star. Com batidas típicas do R&B Pop do começo dos anos 2000, este é o primeiro contato do mundo com o imaginário exclusivo da cantora e compositora e, embora a crítica tenha apontado sinais de alguma criação genérica, o envolvimento quase que completo com a criação do disco, desde a criação de beats até produção, mostrou que os caminhos dela e da irmã seriam bem diferentes e comparações com Beyoncé seriam totalmente dispensáveis.

A nostalgia de T.O.N.Y

Foram necessários seis anos para que Solange construísse o sucessor de sua dividida estreia. Solange Presents Sol-Angel and the Hadley St. Dreams Tour trouxe uma nova perspectiva para aquele RnB Pop, acrescentando um traço que se manteria persistente até os dias de hoje: a nostalgia. Especificamente no single T.O.N.Y, ela mostrou ao público a importância da Motown em sua formação, mesmo que de uma forma bastante remodelada. Os arranjos repletos de pianos grandiosos, pandeiros persistentes e vocais bem amplos nos refrões fizeram a crítica trazer uma postura menos dividida quanto às produções de Solange. O cuidado impecável com suas criações trazia composições cada vez mais afiadas e suas homenagens recriavam gêneros de uma forma saudável. T.O.N.Y representa bem esta maturação da personalidade da cantora, mas seu segundo disco inteiro trouxe uma interessante face de seu universo à tona.

Losing You e os anos 80

Assim como seu segundo disco, o único EP que Solange lançou em sua discografia demorou seis anos para ser lançado. True teve o mesmo carinho e qualidade que seu antecessor, mas parece que as coisas alcançaram um nível maior. O single Losing You talvez tenha sido o responsável pela descoberta da moça em um cenário global. O apego nostálgico permaneceu, mas a década de referência passou ddos anos 1960 para os 80, sem maiores intervenções até mesmo apelando para construções mais estereotipadas. Sequenciadores de bateria, sintetizadores soturnos e melodias extremamente pegajosas fizeram deste EP um dos pontos altos de sua carreira e aquele Pop mainstream começou a sair de suas veias dando espaço a arranjos mais exóticos e menos previsíveis.

O empoderamento de Don’t Touch My Hair

Quando a carreira de Solange parecia que não tinha como ficar melhor, ela conseguiu nos deixar sem palavras diante da bomba que seu último disco revelou ser. A Seat At The Table recebeu críticas sobre como tentou pegar carona neste conceito de Pop empoderado que sua irmã Beyoncé consagrou com seu Lemonade. Entretanto, um olhar mais atento revela que se trata de obras bastante distintas. Enquanto Lemonade se assemelhava com uma grande explosão, A Seat At The Table trazia essa mesma combustão, porém em câmera lentíssima, permitindo que sentíssemos o impacto de suas letras e composições de uma forma completa e plena. Don’t Touch My Hair exemplifica bem esta noção, trazendo em tons imperativos a importância do cabelo para o movimento negro, afirmando em alto e bom tom: “Don’t touch my hair… Don’t touch my soul... Don’t touch my crown”.

Artista: Solange

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