20 Anos Depois, Pablo Honey Continua Dividindo Opiniões

Primeiro disco do Radiohead comemora duas décadas hoje e nós analisamos por que a relação dos fãs com ele é de amor e ódio

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A relação com o primeiro álbum de uma banda considerada um marco no Rock pode vir de diversas maneiras. Ao olharmos para Pablo Honey hoje, 20 anos após seu lançamento, podemos considerá-lo o álbum mais improvável do Radiohead.

Seguindo o sucesso da épica Creep que começou um ano antes, a banda poderia ser mais uma One Hit Wonder, aqueles grupos que emplacam um grande hit e não conseguem produzir uma obra consistente no restante da carreira. O que emplacaram então foi um belo álbum de Rock Alternativo, incorporando (às vezes até demais) influências do Rock oitentista de bandas como U2, The Smiths e até o Pixies, mas que talvez não tenha surgido na época certa.

Pablo Honey surgiu durante auge do Grunge, de onde também compartilha referências. A crítica e o público estavam então anestesiados com o som cru de Soundgarden, Nirvana e Pearl Jam, tornando inevitáveis as comparações com as faixas mais melodiosas e o vocal único e ainda jovem de Thom Yorke que apesar de bons, não mostravam a que vieram.

Como toda banda jovem, inexperiente e com um pouco de receio da recepção que sua obra pode ter, o álbum de estreia do Radiohead pode ter sido bastante importante para pavimentar as bases sonoras ddo grupo, deixando claro ao público e crítica quais era suas influências para a partir daí poder ter coragem de começar a criar seu próprio som que influenciaria outros jovens durante as próximas décadas.

Para quem possui uma relação menos passiva com a música, analisar a obra de uma banda é algo muito mais complexo do que apenas ouvir e rotulá-lo como bom ou ruim. Isoladamente, Pablo Honey é um ótimo álbum de Rock Alternativo, mesclando faixas com muita personalidade como Creep, que continua sendo até hoje uma das obras-primas da banda, e outras como Stop Whispering que colhe mais frutos de um som mais acessível e sentimental, lembrando faixas clássicas como Here Comes Your Man do Pixies. Porém, é nela que podemos ter os primeiros sinais de que o Radiohead não seria uma banda que ficaria presa em suas próprias influências já incorporando elementos do Noise Rock ao final da faixa tranquila, com características do que depois viria a ser conhecido como Post-Rock.

É recomendável para quem ainda não conhece Radiohead, que não comece por Pablo Honey, pois a chance se encantar é enorme e ficando mais difícil assimilar o restante do trabalho da banda. Começar por In Rainbows pode ser um bom caminho, já que consegue misturar homogeneamente a fase roqueira de Ok Computer com o experimentalismo antes incorporado em Kid A, produzindo um álbum que quebrou menos barreiras musicais que seus antecessores, mas é um dos mais belos e consistentes produzidos nos últimos dez anos.

20 anos depois, parece que o álbum antes conhecido como “aquele que tem Creep”, começa a ganhar seu devido reconhecimento, talvez por mostrar um Radiohead mais cru, por trás de todo o experimentalismo e sintetismo dos trabalhos posteriores da banda e de Thom Yorke. É um disco bom para acalmar os fãs e essencial para entender o caminho traçado por eles de inovar um pouco mais a cada disco, impressionando a todos, influenciando gerações de músicos e criando uma das discografias mais invejadas do Rock recente.

Confira a capa e a contracapa com a tracklist de Pablo Honey em nossa galeria no final da página.

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ARTISTA: Radiohead

Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.