Entrevista: Quarto Negro

Em conversa sobre novo disco, banda revela capa de “Amor Violento”

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O retorno de Quarto Negro já começou. No intervalo entre os últimos shows do disco Desconocidos e essas últimas semanas, Eduardo Praça e Thiago Klein se dedicaram à produção de Amor Violento, seu segundo álbum, em Portland (EUA), viagem que rendeu também um documentário.

Com lançamento estimado para o início do ano pela Balaclava Records, o disco teve boa parte de seu repertório apresentado em dois shows recentes em São Paulo (um deles abrindo para Real Estate com Câmera) e já possui duas músicas lançadas pelo Soundcloud do selo.

Para apresentar a capa do álbum no Monkeybuzz, o guitarrista nos contou sobre a produção de Amor Violento, a arte do disco, shows e muito mais.

Monkeybuzz: Desconocidos foi gravado em Barcelona, Amor Violento em Portland. Por que essas mudanças de cenário a cada álbum?
Eduardo Praça: Em Desconocidos, ainda éramos em quatro pessoas na banda, o plano inicial era sair de São Paulo pra se dedicar apenas ao disco, dar uma espairecida e renovar as inspirações. No novo álbum, na realidade, estava tudo pronto e negociado para gravar em São Paulo, porém, nos últimos meses de pré-produção, surgiu essa oportunidade de gravar com o Helio Sequence em Portland, e não tivemos nem tempo de pensar duas vezes.

Mb: Vocês levaram as músicas todas já compostas, ou elas nasceram lá?
Eduardo: Passamos oito meses seguidos pré-produzindo o disco em São Paulo, viajamos com 11 músicas prontas, com apenas alguns arranjos e letras por fazer. Dessas 11, uma ficou pelo caminho, e uma foi feita lá, Mala mujer, que conta também com arranjos e melodias feitas pelo Helio Sequence.

Mb: Como surgiu a ideia do documentário sobre as gravações?
Eduardo: Nosso diretor, Daniel Barosa, faz quase parte da banda, esteve conosco em tudo que já lançamos e gravamos, desde o primeiro lançamento, San Telmo, até agora. Assim que soubemos que viajaríamos, começamos arquitetar um jeito de levar ele conosco e, sabendo de todo o pessoal que conheceríamos em Portland, apenas juntamos uma coisa à outra. Seria um desperdício não documentar tudo que vivenciamos ali e somos muito gratos que isso aconteceu. O filme está lindo e deve estrear oficialmente no próximo ano, junto do disco.

Mb: Sobre os músicos norte-americanos que tocaram no disco, como foi a escolha e o trabalho com eles?
Eduardo: As escolhas foram por afinidade, não foram calculadas. Alguns deles, os produtores indicaram, mas no fim eram todos amigos que conhecemos em algum bar se divertindo. O Justin Harris (Menomena), conhecemos em uma noite e no dia seguinte ele foi gravar os baixos. O mesmo para a Kathy e os outros. Felizmente aconteceu assim, foi tudo muito sincero e nada burocrático, o que combina muito com o jeito que levamos nossa trajetória.

Mb: Agora, já conhecemos Mala Mujer e Espírito Vago. Por que escolheram elas para serem ouvidas primeiro?
Eduardo: Queríamos escolher uma que mostrasse de uma maneira mais abrangente como é o disco e não havia uma única canção com toda essa desenvoltura. Escolhemos elas por que elas passam diversos sentimentos e sonoridades, e porque ainda se aproximam do que foi feito em Desconocidos.

Quarto Negro

Mb: Conte um pouco da capa de Amor Violento. O quanto pra vocês ela traduz o disco?
Eduardo: Confesso que a capa foi um assunto que tardo muito para resolver, tivemos umas três opções antes de chegarmos à definitiva. Passamos um longo tempo gravando e produzindo esse disco, tivemos um caminhão de sentimentos ao longo do processo, chegou um momento que foi difícil saber em que pé estávamos, por isso decidimos que a capa assim como o resto, seria simples e direta, com uma imagem que passasse ao mesmo tempo intensidade e que a tornasse enigmática. Quando recebemos essa fotografia do Mr. Chill, fotógrafo francês e amigo, logo vimos que era ela, apenas colocamos o nome do disco para completar.

Mb: A arte de Desconocidos foi feita pelo mesmo fotógrafo e com a mesmo modelo do clipe de Vesânia II (Delírio Mútuo). Vocês imaginam mais um “crossover” pro novo álbum?
Eduardo: A gente gosta de trabalhar com conceitos, continuidade de trabalho, músicas interligadas, pequenos contos e tudo que torne a obra mais completa, mas por hora ainda não pensamos em algo do tipo para o disco. A única coisa que posso dizer é que adoraríamos fazer algo do tipo, sem dúvidas.

Mb: Vocês fizeram dois shows recentemente em São Paulo com algumas das novas músicas. Como foi o processo de levá-las pro palco?
Eduardo: O processo ainda está sendo de readaptação, ficamos quase três anos sem se apresentar. Confesso que no show do dia 20 de novembro com Real Estate, parecia o primeiro show da minha vida. O que é bom, mas custa um pouco a retomar o ritmo. A idéia dessa vez é tocar muito mais vezes que a turnê que fizemos de Desconocidos, então creio que não vai tardar tanto para termo um ritmo ideal.

Mb: Quem vocês enxergam como o público da Quarto Negro? Qual o perfil de quem ouve a banda?
Eduardo: Eu não gosto muito de segregar ou segmentar nosso público, eu acredito que as pessoas precisam gostar do que lhe dão motivo pra continuar, e se isso acontece com nossa música nas pessoas, eu ficaria muito feliz. Também acredito que nossa música é para ouvir e digerir ao longo do tempo, você precisa se dedicar um pouco aos arranjos e as letras. Definitivamente não é algo passageiro.

Mb: Que bandas vocês tem ouvido recentemente? E que ouviram durante a gravação do disco?
Eduardo: Hoje em dia, acho que estamos ouvindo coisas diferentes, posso falar apenas por mim, e confesso que não estou em uma fase específica, estou ouvindo de Beanie Sigel a Nina Simone, não tem muita coerência. Lembro que para as referências do disco e climas, tentamos buscar algo como se o Brian Eno produzisse um disco do Jorge Ben.

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ARTISTA: Quarto Negro
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.