Entrevista: Tanlines

Banda comenta novos meios para trabalhar música contemporânea e sua identificação com SP

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Tanlines é uma dessas bandas que gostam de surpreender o público com grandes invenções e estratégias de chamar nossa atenção. Isso inclui, entre várias ações, clipes interativos e um site que tem sido muito comentado por reproduzir o Netflix – provavelmente a ação de banda em html mais divertida desta nossa geração na Web.

Mas pouco disso adiantaria se seu som não fosse também de alta qualidade. A união de Jesse Cohen e Eric Emm mostra-se muito produtiva na busca de sonoridades empolgantes que compõem a obra do duo, que lançará no próximo 19 de maio o álbum Highlights.

Por telefone, Cohen falou ao Monkeybuzz sobre a carreira da banda diretamente de Nova York, de onde ele comanda o podcast No Effects com várias de nossas bandas favoritas como convidadas.

Monkeybuzz: Tenho sempre a impressão que Tanlines é uma banda que gosta de trabalhar novos meios e formatos para expôr sua música, seja associando-se a projetos como The Creators Project ou mesmo na maneira de fazer o site. Essa é uma postura que vocês de fato adotam?
Jesse Cohen, do duo Tanlines: Fico feliz em ouvir isso, porque é algo do qual me orgulho. Percebo que, para fazer música hoje, você tem que fazer muitas outras coisas ao mesmo tempo, então escolho pensar nelas como opções para expressar nossa personalidade e nosso gosto. Todas as coisas, de vídeos ao site, ajudam a novas percepções da música e nos possibilitam agregar novas coisas – como o humor, por exemplo. Eu sou muito bem humorado, mas não quero que minha música seja “engraçada”. Daí, podemos fazer algo que seja divertido e que acompanhe a música sem interferir nela.

Mb: Parece ser um bom desafio criativo também, te mantém sempre em forma.
Jesse Cohen: Eu sou uma pessoa movida a ideias. Eu vou pensando coisas novas e colocando tudo no meu telefone, esperando a hora de colocá-las em prática. Foi assim com vários clipes, foi assim com o Netflix no site. Até mesmo a capa do disco veio de uma ideia anterior. Pensando bem, a primeira coisa que sabíamos sobre o novo disco é que ele teria uma capa colorida, já que a do anterior foi em preto e branco. Esse tipo de simbolismo é muito importante para nós.

Tanlines

Mb: E conte um pouco mais sobre o site travestido de Netflix, ficou muito legal.
Jesse Cohen: Eu acho interessante como todo mundo que assina Netflix já ficou encarando aquela tela por meia hora pelo menos uma vez, contemplando todas as opções. O legal é que é um padrão que foge completamente do uso da Web nos dias de hoje – em que outro site você fica parado olhando por meia hora pra escolher o que fazer? Eu me peguei pensando nisso e imaginei que dava pra fazer algo assim para a banda. Conversei com o meu amigo designer que fez o site e ele falou “boa ideia, dá pra fazer”. De todas as ideias que temos, essa foi provavelmente a que conseguimos colocar em prática mais literalmente como ela surgiu.

Mb: Além dessas ideias mais aleatórias, você está sempre em contato com músicos por causa do seu podcast. Você percebe o quanto está inserido no cenário contemporâneo e o quanto é influenciado pelos artistas que te cercam?
Jesse Cohen: (Pausa) Isso é algo que eu penso bastante. É muito claro pra mim como eu penso muito na minha carreira como um todo, mas não me sinto bom o suficiente para calcular o tipo de música que eu faço. Eu toco até ficar bom, sem refletir muito no estilo. Você acha que nosso som é o que está na moda?

Mb: Acho que está bem alinhado com a produção de hoje em dia, não necessariamente é o que está na moda.
Jesse Cohen: É o que eu também acho. Acho que o jeito que trabalhamos é contemporâneo, de ter instrumentos de verdade, mas também uma parafernália eletrônica, o que acaba refletindo em um estilo também contemporâneo de música. Como artistas, acho que experimentamos menos em Highlights do que no anterior, e eu estou satisfeito com isso. Sobre estilo também, eu não quero fazer música pensando no que está na moda agora porque, se você foca no som de agora, logo é esquecido.

Mb: Você imagina que seu som seria diferente se vocês não morassem em Nova York?
Jesse Cohen: Acho que o novo álbum é menos um produto de “uma banda de Nova York”. Fazendo tanta turnê, tocando shows “de verdade” para muita gente, as coisas mudam. As influências da cidade ainda estão em nós, e acho que seu legado é que você pode se parecer com cinco coisas ao mesmo tempo que tudo bem.

Mb: Por falar em cidades cosmopolitas, quais são suas lembranças de tocar em São Paulo?
Jesse Cohen: Eu amo São Paulo, foi a primeira vez em que eu estive em uma cidade maior que Nova York. Você mora aqui e pensa que está no maior lugar do mundo, daí chega em SP e o horizonte de prédios não termina nunca. Subimos no alto de um prédio de sempre e eu nunca vou me esquecer daquela vista. Ouvi dizer que os brasileiros falam que as pessoas de São Paulo são muito tensas, né? Acho que Tanlines tem muito disso: Um lado tropical e ensolarado, mas um lado neurótico ao mesmo tempo.

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ARTISTA: Tanlines
MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.