Laure Briard lança “Coração Louco”, gravado com Boogarins

Francesa conta ao Monkeybuzz sobre as gravações no interior de São Paulo

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Fotos: Olia Eichenbaum

Faz quase um ano já que Laura Briard pisou no país pela primeira vez, com sete shows marcados e uma música em português na bagagem – Janela. Aquela turnê, que começou com uma amizade com a banda Boogarins em Austin, nos EUA, resultou em um retorno da cantora e compositora francesa, desta vez com ainda mais composições em nossa língua nas malas. Daí nascia Coração Louco, disco de seis faixas com produção de Benke Ferraz que chega ao mundo nesta sexta, 29 de junho.

Além de Janela e da já mostrada Cravado, as outras quatro faixas que compõem a obra incorporam não só a voz da artista e a banda que a acompanhou nas gravações (gente que conhecemos com Boogarins e Carne Doce), mas também a ambientação e as experiências construídas no estúdio Mestre Felino (da banda Hierofante Púrpura), no interior de São Paulo, nos cinco dias que levaram para produzi-la. Mais do que isso, elas mostram a conexão entre todos os envolvidos, um laço desenvolvido pelas referências compartilhadas e pela vontade de criar um disco excelente. Saiba: Deu certo.

“Quando eu comecei a escrever músicas em português, queria guardá-las para mim”, contou Laure ao Monkeybuzz, “quando minha banda ouviu Janela, eu entendi que isso não era só uma diversão minha”. Segundo ela, foi esse retorno positivo dos seus parceiros que lhe deu “força, determinação e, mais importante ainda, autoconfiança” para dar vazão à ideia de compor na língua de Caetano, Gal e Os Mutantes. “Tinha medo de ser ridícula, de ser paródica”, explica.

Seu desafio era “não copiar o Samba e a Bossa Nova”, algo que ela soube ser possível de concluir ao gravar Janela em Goiânia no ano passado. Para Benke, “os desafios todos se tornaram dádivas uma vez que todos envolvidos no projeto abraçaram as especificidades das canções, foi mais fácil ter confiança e dar sequência ao processo de gravação sem ficar muito focado em probleminhas de pronúncia correta. Na questão da escrita, é surpreendente mim como a poesia dela cria imagens ricas e complexas”.

Em Coração Louco, sua lírica carregada de significado, sotaque e charme reverbera por uma estética emprestada do Lo-fi, aquela sonoridade Psicodélica limpa nos lugares certos e carregada onde precisa. “Em grande parte do material, meu objetivo era passar a mesma impressão que tive das demos que ela mandou das canções, tentando dar uma espontaneidade parecida com a dos momentos de criação da maneira mais genuína que pude”, revela Benke, “não queria gravar arranjos pensados e repensados excessivamente, mas sim aproveitar a interação musical do pessoal. Pegávamos os acordes das canções, pensávamos juntos, firmávamos a métrica e já partíamos para a gravação direto”.

Foi isso o que gerou a faixa-título, construída em uma intencional fragmentação sonora, e também Jorge (feita em homenagem ao grande Ben Jor), a singela Tomada de Decisão e a hipnótica Numa Fria Noite, a mais experimental de todas. Laure conta que essa última nasceu de uma faixa que não estava finalizada e virou “um improviso dirigido em tempo real”. Benke queria que ela fizesse um spoken word em francês, mas ela preferiu o português. “Ficamos em choque com o modo que as frases e o tom dela encaixavam tão bem com o clima do improviso e com o coro que se repete no Sambinha”, relembra ele.

Ela pode ser a música mais diferente das seis, mas sua gravação (com a metalinguagem incorporada ao produto final) é a que melhor exemplifica os cinco dias em que Coração Louco foi gravado, na tal cara e na tal coragem, em meio a agendas complicadas, intervalos de turnês e vôos internacionais. “Todo mundo que participou desse projeto é meio maluco, né?”, brinca Benke, “mas, de repente tudo funcionou e estávamos la, com cinco dias pra criar o material que eu mais tarde mixaria”.

“Quando eu estava em casa em Tolouse mandando minhas músicas para Benke, não dava para acreditar que eu logo iria ao Brasil para gravar com Boogarins”, conta Laure, “me sinto muito sortuda por tê-los conhecido. Eles acreditaram em mim, me ajudaram com seus talentos, me entenderam. A semana de gravação foi incrível, aprendi muito sobre mim. Há uma vibe aqui no seu país, eu senti isso na turnê e durante a gravação também”. Ela revela ainda que faltou tempo para gravar duas de suas composições que estavam planejadas, mas ela não se preocupa: “Vou guardá-las para meu próximo álbum em português”.

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MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.