Nu-Disco: O retorno da discoteca

Artistas como Breakbot (foto) revivem os anos 70 da Disco Music com toques modernos, mas sem perder a classe do estilo antigo

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Se uma das tendências do momento na cultura Pop é o referencial a movimentos, elementos e costumes do passado, o Nu-Disco está aí para fortalecer ainda mais tal fenômeno. Resgatando a Disco Music e dando-lhe uma cara mais atual, bandas do estilo apresentam através de seu som um revival da época das discotecas para um público que não teve contato com o estilo-mãe.

Dos anos 70 até o final dos 80, reinavam as boates e discotecas por todos os cantos do globo. Muitas cores nas vestimentas chamativas, penteados inusitados e as tradicionais calças boca-de-sino eram trajes quase que obrigatórios dos jovens que embalavam seus finais de semana ouvindo ABBA, Bee Gees e KC and The Sunshine Band. Com grande força na Europa, a Disco Muisc marcava uma geração e serviria como uma das principais bases para o que ouviríamos de várias vertentes do eletrônico como no House e no Dance.

Por essa ligação quase que umbilical, muitos artistas de eletrônico depositaram os elementos modernizados ao estilo, resultando em uma nova roupagem, o que resulta no prefixo “Nu”. Utilizar essas duas letras antecedendo algo, como um gênero musical ou escola artística, implica em afirmar que o objeto em questão trata-se de uma retomada ao original junto de adição de novos elementos ao mesmo, mas mantendo a essência e forma do objeto progenitor. Com o Nu-Disco o que observamos são adições de samplers e, principalmente, batidas do Euro e do French House às estruturas da Disco Music, resultando em uma nova perspectiva dançante que combina o groove das linhas de baixo e guitarra com as programações e sintetizadores.

Muito influenciado por músicos e produtores da época dourada da discoteca como Bernard Edwards e Nile Rodgers (Ouviu esse nome recentemente? Pois é, Nile é o nome por trás guitarra de single Get Lucky, novo single do Daft Punk), no início de 2000 foi reaquecido e receberia seu revival. Apesar da cena eletrônica francesa ser sempre muito forte, tal estilo foi bem disseminado por todos os cantos do globo com os australianos do Flight Facilities e do Miami Horror, além do português Moullinex, o britânico Louis La Roche, o italiano Calembour, os franceses Cherokee e Breakbot, o californiano Viceroy, o mexicano Lavantine e o brasileiro Kamei.

A “nova fórmula” alcançou ótimos resultados conquistando o público que procurava por um ritmo dançante mas sem precisar apelar para as linhas Pop. Selos como Kitsuné, Champagne Records e Ed Banger, que adotaram os principais artistas do Nu-Disco e abrem espaço para os novos nomes, se tornando um grande celeiro e vitrine do estilo no mundo comercial musical.

Sendo tocado desde artistas jovens de 16 anos como Kamei a “tiozões” beirando os 40 como Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter do Daft Punk, o Nu-Disco se mostra totalmente atemporal e confirma que tanto há muito para se descobrir com pérolas musicais do passado, quanto há espaço para se adicionar o novo e gerar resultados tão incríveis quanto os originais.

Discografia:

BreakbotBy Your Side
CalembourSoundcloud oficial
KameiComputer Malfunction
LevantineSoundcloud oficial
MoullinexFlora
CherokeeTake Care Of You (Single
ViceroyViceroy
Louis La RocheSuper Soaker
Miami HorrorIllumination
Flight FacilitiesCrave You (Single)

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).