Pharrell Vai Dominar o Mundo?

Produtor está por trás dos maiores hits de Hip Hop e Pop depois de 20 anos de carreira

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“Clap along if you feel like a room without a roof”. O verso de Happy, primeiro single de G I R L, parece servir como uma luva para a vida de Pharrell. O produtor, cotadíssimo para trabalhar com nomes de Madonna a Jay-Z, produz músicas há 20 anos e parece que, só agora, faz jus à boca do povo. O Pop de qualidade inserido em seus trabalhos conseguiu refletir só agora em sua carreira solo. O resultado disso é dois meses como primeiro colocado na Billboard, assinando atestado de competência e momentos áureos agora, aos 41 anos de idade.

Duas décadas para que o nome se firmasse na cabeça das pessoas, para que o talento fosse reconhecido, para que Pharrell fosse um nome de respeito não só entre produtores, mas diante do mundo. Músicas que se consagraram no Pop e Hip Hop tiveram não só dedos como uma mão inteira de Pharrell e poucos têm noção disso. Aposto como muitos ali na tenda em que o produtor se apresentou nesse último fim de semana no Coachella se surpreenderam com o setlist escolhido. E é bem assim que se perpetuou sua carreira ali, “detrás das câmeras”. Até 2013.

Pharrell agora tem o posto de produtor do ano, dono da música mais bombada do 2014. Isso se deu, principalmente, depois do momento que aceitou inserir seu nome no trabalho dos “robôs”: Todo o marketing envolvido com a nova obra do Daft Punk funcionou muito bem para botar Pharrell nos holofotes. Foi praticamente o garoto-propaganda do álbum mais esperado do ano passado, a mão-de-obra e, inclusive, a voz do primeiro single de Random Access Memories. Sei que a primeira reação de muitos foi “Por que Pharrell? Por que justamente ele?”, a resposta está detrás de sete Grammys e uma cabeça brilhante.

Sim, tinha que ser ele. Veio com uma proposta muito ousada de reviver os anos 1970 em plenos anos 2010, trazer a guitarra em um momento que cada vez mais a música se afunda no computador. Reviver o orgânico como a “lenda da Fênix”, se me permitem a citação. Muitos se perguntavam a razão da escolha quando ela estava tão clara. Poucos são tão vanguardistas como ele, poucos foram o fator X do sucesso de tantas faixas que marcaram sua vida. Desde Drop it Like its Hot e Beautiful, hinos com Snoop Dogg, até o Pop mais escrachado, como um álbum com Shakira, I’m Slave for u de Britney Spears e forte influência em Bangerz, de Miley Cyrus. São só alguns.

Get Lucky foi o prelúdio de um caminho que vai percorrer mais leve para Pharrell de agora em diante. Lose Yourself to Dance abre seu show para uma viagem nos maiores hits de rádio. E, diante de tanto portfólio, fica até difícil de escolher músicas para um setlist. É tanto trabalho que se escondeu desde 1999 que agora parece que tem o americano por todo lado. Isso é resultado que vem desde de sua época com The Neptunes até seu recente trabalho com Robin Thicke, Blurred Lines que, sim, também tem dedo do rapper.

Mas o mar de rosas começou só agora. Desde que foi descoberto por Teddy Riley, produtor de Michael Jackson e Bobby Brown, Pharrell tentou. E tentou muito. Tudo parecia decolar, desde seus trabalhos com Usher até seu Grammy proveniente de seu esforço com Justified, de Justin Timberlake. The Neptunes tinha prestígio enquanto produtores, mas seus trabalhos não viralizavam. N.E.R.D. veio em 2002 e, mesmo com nada mais nada menos que quatro trabalhos em um espaço de oito anos, nada parece ter feito alguma diferença além de Sooner or Later. Ganhavam espaço na Billboard, assinavam trilhas de produções gigantes e nada parecia estourar. O que mudou para agora? Por que para todo lado que olhamos lá está aquele chapéu de guarda-florestal? Porque Pharrell é a bola da vez.

E por mais que encha o saco de alguns, ainda falo: 2014 é o ano de Pharrell. Não por causa da visibilidade que ganhou nos últimos meses, mas por conta de toda a bagagem que carrega durante anos e que pouco foi reconhecida. Não estamos falando de um produtor somente. Estamos falando de um cantor, baterista, dono das coleções Billionaire Boys Club e Ice Cream Footwear, codesigner da Louis Vuitton e pena de mim se ousasse continuar com o currículo de Williams. Sucesso de Pharrell não se deu no estilo “Get Lucky”, mas como consequência de um trabalho incrível e um dom para lidar com melodias e batidas únicas para o R&B que tirou a indústria do Rap da inércia.

Se pudéssemos ser menos racionais, diria que são os ventos mudando a vida de Pharrell e, diante de tanta positividade, conseguimos enxergar que a aceitação não é resultado de trabalhar com grandes nomes. Cada vez mais, as pessoas estão percebendo que a noção de qualidade está deixando de ser mecanizada e mais orgânica, afetiva. Selos assinando nomes até então desconhecidos, mas que acertam na sensibilidade dos trabalhos e que tiram aquela mesmice que os velhos consagrados criam. Pharrell quer impressionar não pelo know-how, mas com a sinestesia que sua música causa. “O que eu senti quando ouvi aquela faixa?”. Entendemos que o que G I R L vem nos ensinar é que o que realmente conta não é se uma música é boa ou não – porque músicas boas são escritas a todo momento. O que importa hoje é como o próprio público interage com seu trabalho, o que sua faixa transmite enquanto sentimento e ele conseguiu acertar na mosca pela maior busca entre as pessoas: a felicidade. E o mais importante: ele está feliz.

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Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King