Quando Macca Voou Alto

Conheça mais sobre o clássico “Wings Over America”, ao vivo da banda de Paul Mccartney que está sendo relançado acompanhado de livro e outros extras

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Em 1976, Paul McCartney e sua banda, Wings, lançaram um belo disco chamado Wings At The Speed Of Sound, o segundo mais interessante de sua carreira até então, cabendo a Band On The Run (1973) o primeiro posto. A ideia deles era cravar algumas músicas nas paradas de sucesso, cantar o amor, recuperar terreno no páreo da música Pop e, acima de tudo, afirmar o Wings como a banda de Paul naquele momento, sem qualquer nostalgia ou traço de que ele já fizera parte de um outro grupo, aquele, lá de Liverpool.

Paul, que nunca foi bobo, estava de olhos e ouvidos atentos ao que acontecia. Entendeu que poderia flertar com a nascente Disco Music se valendo da sua grande capacidade como baixista, além de contar com uma encarnação do Wings particularmente hábil tecnicamente, com destaque para o bom baterista Joe English, além dele mesmo e do ex-Moody Blues Denny Laine, mais naipe de metais, tecladistas e tudo o que estava disponível para oferecer ao público um belo disco. Com canções do quilate de Silly Love Songs e Let’Em In galgando as paradas de sucesso, Paul decidiu que era o momento de cair na estrada mais intensamente, incluindo os Estados Unidos em seu giro. Daí nasceu a turnê Wings Over America, logo depois das pernas européias protocolares, com a banda indo de costa à costa na terra do Tio Sam.

Reza a lenda que haviam três aviões envolvidos no transporte de músicos, famílias, jornalistas que cobriam a turnê, funcionários em geral, além do próprio material e equipamento dos shows. No repertório, além das canções do último trabalho e dos discos anteriores do Wings, finalmente estavam incluídas algumas canções dos Beatles, que Paul executaria pela primeira vez em dez anos, sempre lembrando que o grupo parou de excursionar em 1966. Estavam lá Yesterday, I’ve Just Seen A Face, The Long And Winding Road, Lady Madonna e Blackbird, algumas inéditas no palco, dando aos presentes a chance de ouvir com nitidez o ex-beatle ao vivo.

Tamanho empreendimento deu origem ao lançamento de Wings Over America em disco triplo, de acordo com as extravagâncias do período. 28 canções traziam praticamente a íntegra dos shows, com destaque para versões bem legais de Band On The Run, Maybe I’m Amazed, Live And Let Die, My Love, Listen To What The Man Said, Bluebird, além das cinco canções dos Beatles. A plateia vem junto com a banda e o resultado é redentor e belo. A série de relançamentos de Paul agora solta a versão remasterizada nos estúdios Abbey Road em CD duplo, além de uma edição de luxo que acrescenta livro de 80 páginas, um diário de fotos de Linda McCartney, uma réplica do itinerário dos shows e seus programas em outro livro de 136 páginas, além de outro livro de 112 páginas com um ensaio assinado pelo editor da Rolling Stone, David Fricke e as cerejas no bolo: oito faixas inéditas, gravadas em San Francisco e o documentário Wings Over The World, totalmente restaurado em DVD.

Paul McCartney também está colocando no mercado a versão DVD/Blu-Ray de Rockshow, filme que traz a íntegra do repertório do disco, filmado em Seattle Kingsdome, mas que só foi exibido quatro anos depois, em 1980.

Mais que um momento de exposição na mídia dos anos 70, Wings Over America/Rockshow, são os primeiros passos de afirmação de Paul em sua carreira solo. Ainda que ele estivesse totalmente convicto e produzindo álbuns e canções acima de qualquer suspeita, foi com esse evento mastodôntico que ele voltou a marcar seu território, além de assumir seu legado beatle pela primeira vez. Isso é história, gente.

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Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.