Renovação e reciclagem com o Nu-Gaze

Conheça um pouco sobre o estilo formado por bandas como a Ringo Deathstarr (foto), que deram uma nova cara ao bom e velho Shoegaze

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Mais uma vez, vemos um estilo que marcou uma época ser revisitado, reciclado, revivido e renovado pela nova geração. Hoje vamos falar do Nu-Gaze (ou Nu-gaze, Nugaze, New Gaze – como você preferir).

Sua base é um estilo que tomou conta do final dos anos 80, principalmente no Reino Unido: o Shoegaze. Esse estilo era caracterizado por bandas altamente tímidas no palco e que olhavam para os próprios sapatos (daí o nome do estilo: shoe= sapato; gaze(r) = que olha). Porém, essa timidez contrastava com um som bem barulhento que vinha do uso de vários pedais de distorção, fuzz, reverb, chorus etc. As letras eram bem intimistas e a música soava de maneira melancólica, às vezes bem blasé e totalmente sem sentimento aparente. Mas tudo isso com certa melodia dada pelo vocal e pelas guitarras que vez ou outra deixava de fazer os wall of sound e eram dedilhadas.

O Shoegaze perdeu espaço para o Britpop, que veio logo em seguida no início dos anos 90, o que o deixou mais afastado do mainstream, mas não perderia espaço como influência para as futuras bandas, como veremos a seguir.

No começo dos anos 2000, mais precisamente 2004, em Londres, é idealizada uma noite temática para se celebrar o Shoegaze, a Sonic Cathedral. O que começou com uma simples festa nostálgica acabou se tornando um espaço que abrigou novas bandas que estavam trazendo de volta o som do Shoegaze com suas adaptações pessoais. Eram os Nu Gazers.

Em 2006, a casa ganha ainda mais notoriedade e se torna uma gravadora: a Sonic Cathedral Records, responsável por dar amparo para as bandas de Nu Gaze do underground local. Além disso, a casa ainda promovia shows dessas bandas, como, por exemplo, os suecos da The Radio Dept..

O Nu Gaze ganhava notoriedade na mídia e até mesmo os “dinossauros” do Shoegaze, o My Bloody Valentine, se reuniram em 2007 para terminar um álbum incompleto e saíram em turnê internacional, incluindo festivais. Bom, foi muito falado do espaço que os novos artistas ganharam, mas não falamos sobre como é o som deles. Pois bem, vamos lá.

O Nu Gaze não se trata de um revival do Shoegaze. Ele é, na verdade, uma renovação do estilo. Assim como o Chillwave, não há uma fórmula para ele e cada banda/artista lhe dá a sua identidade, mistura outros estilos e cria novidades, mas – é claro – também existem os mais fiéis ao antigo estilo.

Há bandas que reviveram o som clássico do Shoegaze – The Fauns, The Black Ryder, A Place To Bury Strangers e Black Rebel Motorcycle Club. Porém, o que mais encontramos no Nu Gaze são as bandas que misturam outros estilos formando um som bem pessoal. Como, por exemplo, Craft Spells e The Radio Dept., que misturam o Shoegaze com um som mais espacial e ecoante do Dream Pop, ou a Ringo Deathstarr, com as guitarras ecoantes do Shoegaze e os “barulhos” clássicos das guitarras do Noise Pop dos anos 90.

O doce Twee aparece em bandas como a The Pains of Being Pure at Heart, com um som mais brando e suave em um Nu Gaze mais levado por músicas com temáticas “fofas”, mas ainda se utilizando da base Shoegaze. Os franceses do M83 adicionam o eletrônico no estilo ao lhe adicionar pitadas de Chillwave. Ainda na levada eletrônica, o The Depreciation Guild traz o som do Chiptune/8-Bit ao seu som. Até mesmo o Novo Psicodélico aparece no som do Deerhunter.

O Nu Gaze veio não como uma cena, nem revival, mas sim como uma redescoberta de um estilo que foi muito importante para a cena independente, o Shoegaze. Isso mostra que sua riqueza sonora ainda se faz presente nas influências das novas gerações, as quais perceberam que uma adição individual e pessoal ao estilo lhe daria uma cara muito interessante, o que resultou em sons que conquistam vários ouvidos.

Discografia:

The Pains of Being Pure at HeartThe Pains of Being Pure at Heart The FaunsThe Fauns The Radio Dept.Clinging to a Scheme Black Rebel Motorcycle ClubB.R.M.C. Craft SpellsIdle Labor Ringo DeathstarrColour Trip A Place to Bury StrangersA Place to Bury Strangers M83Saturdays = Youth The Depreciation GuildIn Her Gentle Jaws DeerhunterCryptograms

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Autor:

Marketeiro, baixista, e sempre ouvindo música. Precisa comer toneladas de arroz com feijão para chegar a ser um Thunderbird (mas faz o que pode).