Apanhador Só

A sala de teatro intimista e intimidadora ganhou atmosfera de festa entre amigos para o show da banda gaúcha, que quebrou as barreiras com a plateia para uma apresentação que agradou velhos e novos fãs

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Fotos: Marcos Bacon
Nota: 4.0

De vez em quando, alguém escreve pejorativamente que uma banda fez “um show para fãs”. Agora, que é minha vez de usar o termo, quero deixar claro o quanto a frase entra aqui com um valor positivo. É que fico feliz que esta apresentação da Apanhador Só pareça ter sido feita sob medida para agradar o público que a segue e que já conhecia o trabalho da banda ao vivo.

O que não significa que quem assistia ao quarteto ali pela primeira vez não tenha aproveitado. Eu mesmo, por maior admirador que seja de seu trabalho, não poderia ser chamado de “fã” (já que nem a maioria das letras sei de cor) e nunca tinha tido a oportunidade de ir a um de seus shows, mas nada disso me deixou de fora. Talvez seja justamente essa a maior qualidade da noite, essa inclusão no clima familiar convidativo criado entre banda e plateia.

O pequeno teatro do SESC Ipiranga estava cheio, com pessoas de idades e companhias bem diferentes – casais, famílias, grupos de amigos e alguns solitários. As cortinas se abriram e o videoclipe Nescafé foi exibido no telão e devidamente aplaudido enquanto os músicos entravam no palco e o vocalista Alexandre Kumpinski dava as boas vindas a todos. A atmosfera da sala deu ao show um início um pouco morno, com todos sentados comportadamente.

Vendo a empolgação durante a quarta música, Maria Augusta, Kumpinski convidou quem quisesse para se levantar e curtir a música da frente do palco ou nos corredores. Foi a deixa para a grande festa que começava de fato ali, não só pela desinibição do público para cantar alto e dançar, mas pela quebra de qualquer barreira que poderia ter na comunicação com a banda.

O pessoal estava à vontade para fazer comentários e sugerir músicas, como Líquido Preto durante uma pausa para troca de cordas no baixo. Todas as canções do álbum homônimo (de 2010) foram executadas, além de Na Ponta dos Pés, do Acústico Sucateiro, e duas novas canções em um clima mais melancólico que lembram um pouco a pegada de O Porta-Retrato.

Os músicos quase não se olhavam durante as músicas, mostrando o quanto são fluentes em suas composições já há tanto tempo, sem economizar sorrisos agradecidos ao público. Com a exceção da roda de bicicleta (símbolo da banda) na longa introdução de Bem-me-leve, o show não foi nem acústico, nem sucateiro, mas as canções ganham uma nova vida na interpretação de Alexandre, dono de uma das vozes mais agradáveis da cena independente brasileira.

No clima de amizade que tomou conta do teatro, a banda convidou todos para o próximo show na cidade (17 de maio, no Studio SP) quase como quem diz “passa lá em casa” na certeza de ver aquele pessoal mais uma vez em breve, e no maior clima caseiro e cotidiano que deu tantos fãs para a Apanhador Só.

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ARTISTA: Apanhador Só
MARCADORES: SESC Ipiranga

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.