Single Parents – SESC Vila Mariana, SP

Show se despede da turnê de “Unrest”, disco de estreia do quarteto paulistano

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Nota: 4.0

Unrest foi, para mim, um dos grandes discos de 2012. Ele foi uma boa carta de apresentação da banda ao mostrar seu som característico, apresentar essa sonoridade que se inspira no Rock noventista à nova geração e, mais que isso, conquistar fãs através de ótimas músicas. Com todos esses predicados para o disco de estreia do grupo paulistano Single Parents, não é à toa que ele tenha sobrevivido tanto tempo nos palcos e levado a banda para quase todos os estados de nosso país, além de uma pequena turnê pela Europa. Não fosse sua tamanha qualidade, provavelmente não teríamos assistido tantos shows do quarteto ao longo destes dois anos.

Pois é, eu realmente perdi a conta de quantas apresentações vi nesse período. Acompanhei shows nos mais diversos ambientes, de casas de shows pequenas, até palcos maiores, passando ainda por performances mais intimistas (e quase acústicas) em locais não tão apropriados para isso, mas ainda assim encantadores. Enfim, já vi essas músicas do álbum sendo tocadas nos mais diversos arranjos e volumes. O que não fez esse show de ontem, 5 de novembro, ser menos especial. Esse, marcava o fechamento de um ciclo, o ponto final na turnê de um disco que levou o quarteto tão longe.

Tenho que dizer que mesmo tendo assistido a tantos shows do grupo ao longo destes anos, nunca tinha visto em um teatro. Confesso que me desagradou um pouco a ideia de ter que assistir sentado, ainda mais em faixas como Beginning of Your Rage ou Out of Sight, que dão aquela vontade de acompanhar o guitarrista Zeek Underwood e sair pulando por aí ou pelo menos acompanhar o ritmo das músicas balançando o corpo. Isso não atrapalhou os músicos no palco, mas a quebra da barreira artista/público poderia ter ocorrido em um ambiente, digamos, menos sisudo.

A apresentação ocorreu muito bem, mostrando, mais uma vez, toda a potência do álbum quando transposto aos palcos. Faixas como Stop Waiting (For Me Now), Daydreaming e Unrest se mostram ainda mais potentes ao vivo do que em sua versão de estúdio e espero que continuem no set da banda mesmo após o lançamento de um futuro novo álbum. O grupo foi acompanhado de dois convidados especiais, o tecladista Thiago Klein (Quarto Negro) e a violinista Sara Olivera, que ajudaram o grupo em muitas músicas e trouxeram um novo tempero a elas, em especial a Jaunt Ends, Free Fate, tocada somente pelo vocalista e guitarrista Fernando Dotta e pela violinista, em uma versão muito bonita para uma música composta em homenagem a Jeff Buckley.

O show foi uma bela despedida a um disco que trouxe tanto para a banda, um momento dividido com amigos, familiares e fãs. Se por hora o grupo deva parar de se apresentar ao vivo, espero que venha logo outro disco para que possamos ver o quarteto paulistano novamente subindo aos palcos.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts