The Vaccines

Em sua primeira apresentação no Brasil, banda inglesa dispensa firulas, toca três novas, esbanja hits enérgicos e arrebata fãs

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Fotos: Victor Bianchin
Nota: 4.5

“Aqui estão três acordes. Agora vá e forme uma banda” – essa manchete que, diz a lenda, teria estampado a capa do fanzine Sniffin’ Glue em 1976 (embora a lenda não seja verdade) continua resumindo, para muitos, a essência do punk: improvisado, impulsivo, emergencial. Não sabemos se o The Vaccines já ouviu falar dessa história, mas que eles a seguem à risca, isso seguem.

Como em qualquer boa banda punk, é mais pela praticidade do que pela filosofia. As músicas dos Vaccines são curtas, aceleradas, sem firulas. Quando a banda subiu ao palco do Cine Jóia na noite de ontem, o relógio já batia quase meia-noite. A inconveniência de assistir a um show em um dia útil, em um horário no qual o metrô já não funciona mais, recebeu – com o perdão do trocadilho – o antídoto perfeito com o show dos Vaccines. Foi a injeção de adrenalina que todo mundo esperava e precisava.

Sem muita conversa, o set abriu com Blow It Up, que já fez o público pular alto. Wreckin’ Bar (Ra Ra Ra), com seu um minuto e vinte de pura fúria adolescente, deu continuidade à empolgação e Tiger Blood, a faixa gravada com Albert Hammond Jr., fez os fãs cantarem junto. A Lack Of Understanding e Wetsuit, duas mais lentas, deram continuidade aos trabalhos com o público aproveitando a calmaria para voltar a pular em Teenage Icon e Under Your Thumb.

A catártica Post Break-Up Sex entrou e, de repente, o show já estava na metade. A banda, animada, disparava música após música sem se importar com gracinhas. Sua comunicação eram os instrumentos. Sua preocupação era não divagar e deixar a bola cair (uma lição que poderia ser aprendida pelos Foo Fighters). Sua bandeira era a diversão.

O primeiro e único álbum da banda, What Did You Expect From The Vaccines?, foi tocado na íntegra, com as ótimas If You Wanna e Family Friend encerrando o set. A banda não demorou nem cinco minutos para voltar ao palco e mandar mais uma nova, Bad Mood, antes de encerrar de forma épica com a curta e agitadíssima Nørgaard.

Mais cedo no show, quando veio a excelente No Hope, uma das três novas que a banda havia prometido tocar, o recado ficou ainda mais claro: “Eu poderia fazer uma observação / Se você quiser a voz de uma geração / Mas eu sou muito individualista para dizê-la direito”. A letra deslizava sobre um instrumental que ficava entre os Sex Pistols e o Jesus & Mary Chain da última fase, formando um conjunto perfeito para exemplificar o Vaccines. Roqueiros usando óculos escuros à noite, com solos intermináveis e poses para as câmeras? Não tenha esperanças. O que você esperava dos Vaccines?

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ARTISTA: The Vaccines
MARCADORES: Show

Autor:

Jornalista. Acredita nos duendes enroladores de fones, mas não no hype.