Thiago Pethit – Bourbon Street Music Club, SP

Show vazio deixou o músico livre para encarnar sua “Estrela Decadente” no palco e revelar seu potencial artístico

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Fotos: Fernando Galassi/Monkeybuzz
Nota: 4.5

Com a desculpa de estar geograficamente deslocado, Thiago Pethit encontrou ainda mais uma justificativa para assumir seus personagens no show do álbum Estrela Decadente realizado no Bourbon Street Music Club em São Paulo na terça-feira, 27 de novembro. É que, segundo ele deu a entender no palco, seu público se localiza nas casas do Baixo Augusta (região central de São Paulo) e não iria até Moema (na Zona Sul, onde fica a casa), e vice-versa, daí as poucas pessoas no local. “Eu sou a Estrela Decadente”, concluiu o músico logo após a primeira canção.

Apesar da excelente qualidade do som que a casa oferece, a ótima performance do cantor e sua banda tinha pouca resposta da plateia, que se concentrava ao redor do palco deixando algumas cadeiras e mesas vazias à vista. Tudo isso acabou contribuindo ainda mais à temática do álbum e do show, como se Thiago se apresentasse em um cabaré de época e lugar distantes para alguns poucos boêmios – papel que o músico assume brilhantemente.

Mesmo sem uma resposta muito efusiva, ele demonstrava por que tem conquistado cada vez mais atenção ao eu trabalho. Assim como o disco, a apresentação começou com Pas de Deux, logo seguida de Dandy Darling e Perto do Fim, na qual Thiago fazia sua parte e a de Mallu Magalhães, com quem canta essa faixa no álbum.

Após algumas tentativas de interação com o público, ele se concentrou em continuar mostrando as novas músicas e alguns sucessos do passado, como Mapa-Mundi e Nightwalker, que ganhou uma roupagem mais Estrela Decadente ao fim de uma trinca com Haunted Love e Devil in Me – que, por sua vez, teve um mash up com Blue Jeans de Lana Del Rey.

Em cada uma das canções, Pethit parece assumir pequenos personagens que compõe sua persona no palco. Com o microfone sempre no pedestal, ele fica livre para usar seus braços em danças hipnóticas quando não brinca com a voz, interpretando cada música como uma pequena narrativa fechada dentro do todo.

Assumindo de vez o clima teatral, Surabaya Johnny encerrou o bis enquanto Thiago apontava para indivíduos da plateia e os olhava fixamente para entoar versos como “Você é um rato, Johnny”. Ao aplauso final, ficava a imagem de alguém que ruma em qualquer direção, menos à decadência. “Fui eu quem pendurou as cortinas”, disse ele em certo momento ao apontar para o fundo do palco. É assim, meio Gata Borralheira, que nossa estrela firma-se como um artista com total controle de sua obra, inclusive do efeito que causa na plateia – mesmo quando ela não está lá.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.