5 Shows para os próximos 5 Anos

Que tal sonharmos com algumas grandes bandas que poderiam voltar ao país em breve?

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É perceptível que o Brasil está um período em que não nos faltam bons shows internacionais – o que nos falta, na maioria dos casos, é dinheiro e tempo pra tantas atrações. Talve seja um reflexo do “momento econômico” vivido pelo país, mas a verdade é que vivenciamos hoje uma grande demanda cultural. Já que estamos “tão bem”, por que não sonhar com a volta de alguns grandes shows que já passaram pelo país nos últimos anos? Selecionamos cinco bandas que deveriam retornar à terra brasilis nos próximos cinco anos – afinal, pedir um grande show por ano não é querer demais, não é?

Flaming Lips

Talvez poucos saibam, mas um dos shows mais psicodélicos do mundo já passou pelo nosso país. Em 2005, o Flaming Lips integrou o já o extinto festival Claro que é Rock, que ainda contava com as presenças dos também extintos Sonic Youth e Nine Inch Nails, além do arroz-de-festival Iggy Pop & The Stooges em sua turnê de retorno aos palcos. Constava ainda no set do festival um dos milhares projetos do workaholic Mike Patton, Fantômas, o sempre bom e brasileiro Nação Zumbi e o totalmente esquecido/esquecível Good Charlotte. E por que a Flaming Lips deve voltar? Simplesmente por fazer uma das apresentações mais divertidas que já passaram pelo Brasil.

O grupo tem um show realmente peculiar, utilizando bolhas inflavéis para interagir com o público, pessoas fantasiadas no palco e serpentinas, além de tocar um Rock Alternativo que só o Flaming Lips consegue. Podemos até considerar que a atual fase do grupo é pior do que há sete anos quando fazia a turnê do excelente Yoshimi Battles the Pink Robots, mas tanta psicodelia é sempre muito bem-vinda e divertida, além do fato de o grupo estar tocando atualmente a sua versão do Dark Side of the Moon (sim, aquele disco clássico de um tal de Pink Floyd).

Daft Punk

Mais um membro de um festival já extinto, o Tim Festival, o duo francês/robô passou por aqui em 2007 em um outro lineup sensacional que incluía TV On The Radio, Yeah Yeah Yeahs e, com tristeza em dizer, Beastie Boys. Ao vivo, os franceses conseguem fazer o que talvez seja o melhor show de música eletrônica do mundo, com luzes, batidas e sinestesias em excesso. Além disso, os “robôs” fazem mashups entre as suas músicas, criando faixas que misturam o trabalho da banda ao longo de sua carreira, criando uma playlist perfeita para uma festa.

Uma prova? Escute o disco Alive 2007, da mesma turnê que tocou o nosso solo, e tente não se imaginar vendo isso ao vivo. Após uma trilha sonora muito bem feita para o filme Tron: Legacy, o duo deve vir com algo novo nos próximos cinco anos o que aquece nossas esperanças de vê-lo novamente. Caso venha, sem dúvidas será um dos shows listados entre os melhores do ano.

Weezer

Sim, Rivers Cuomo também já esteve aqui em outro festival extinto, pra variar. Em 2005, a banda tocou no Curitiba Rock Festival fazendo o primeiro e único show do Weezer no Brasil. Se na época me arrependi por não ter comprado os ingressos e pegado um busão rumo à Curitiba, hoje posso dizer que o arrependimento é muito maior. A banda tocou aqui pela turnê do seu último disco decente, Make Believe, sucedido por trabalhos fracos e pouco inspirados, sem mencionar as propostas milionárias, vindas de seus próprios fãs, para que parassem de tocar definitivamente e as parcerias questionáveis com rappers. A verdade é que o grupo perdeu aquele espírito nerd que o fez despontar no início dos anos 90.

Por que, então, eles deveriam tocar aqui de novo? Se eles devem muito aos seus fãs ao longo dos últimos sete anos, eles devem muito mais para os milhares de fãs brasileiros que querem, sim, escutar ao vivo clássicos como Buddy Holly, Undone (The Sweater Song), Say It Ain’t So e Tired of Sex, entre outras. Pensa, bem ou mal, é o Weezer. Ao vivo.

Wilco

Pois é, no longínquo e também excelente ano para música no país, 2005, o Wilco tocou no já dito extinto Tim Festival, mas somente no Rio de Janeiro, deixando de contribuir para um dos melhores lineups que poderiam tocar essas terras, pois na versão paulistana do festival tocaram, no mesmo dia, Arcade Fire, Kings of Leon (quando ainda eram uma banda de Country Rock) e The Strokes, fresquinho e muito mais unido que o visto aqui no ano passado. Dono de um dos discos mais marcantes da década passada, a banda possui uma base de fãs tão grande que já até rolaram campanhas pela volta do grupo ao país, como Is Wilco Coming to Brazil. Já se passaram três álbuns desde o último show do grupo no Brasil e diversos boatos não confirmados de shows têm circulado desde então. A verdade é que, dentre todos os shows listados aqui, talvez o mais perto de se concretizar seja o do Wilco, que vem namorando a volta ao país há algum tempo e está em turnê pelo seu bom e mais recente álbum The Whole Love. Recentemente, eles tocaram no Hangout Festival nos EUA e nos fizeram imaginar como seria tê-los por aqui novamente.

Arcade Fire

O show mencionado acima foi também o único da banda no país, o que é um tremendo desperdício. Se com um álbum o grupo multiinstrumentista fez uma apresentação memorável e criou uma base de fãs por aqui, posso afirmar que com três discos lançados ele hoje faz um dos mais divertidos, empolgantes e emocionantes shows do mundo. Eu o vi ao vivo duas vezes e a banda está ainda melhor do que quando veio pra cá – nada mais natural após dois excelentes álbuns, alguns Grammys, notoriedade e parcerias ao vivo com U2 e David Bowie.

Se existe uma banda atualmente que é definida por sua “presença de palco”, esta é a Arcade Fire. Com vários músicos trocando instrumentos entre si, músicas que podem ecoar até em estádios, é a banda a ser lembrada por suas apresentações ao vivo, algo muito valorizado pelos brazucas. Tem cheiro de ser a cabeça do lineup de algum Planeta Terra, SWU ou Lollapallooza, nos próximos anos.

Algumas considerações sobre a lista: Nela, só constam shows que não vieram para cá nos últimos três anos, ou seja, bandas que não retornam ao país desde 2008. Por isso não vemos aqui bandas como Radiohead, Queens Of The Stone Age, Rage Against The Machine, AC/DC, The National entre outras. Algumas menções muito honrosas vão para o Yeah Yeah Yeahs, PJ Harvey, e aqueles que se vierem causarão uma pane nos sistemas de vendas de ingresso, como Rolling Stones.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.