A vida póstuma de Michael Jackson

Morto há cinco anos, músico continua sendo um dos artistas mais lucrativos da atualidade

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Não é que Michael Jackson tenha voltado dos mortos, mas sua carreira post-mortem tem sido incrivelmente bem sucedida. Desde que o Rei do Pop nos deixou, em 2009, muito material referente ao cantor tem surgido, seja em forma de compilação dos seus maiores sucessos, peças de teatro ou circo, documentários ou discos contendo músicas teoricamente inéditas ou reeditadas.

Há quem diga que o interesse maior em lançar esse tipo de material é trazer “novidades” aos fãs órfãos de Michael depois de sua morte, mas a verdade é que essas diversas obras não passam de uma nova forma de encher os bolsos de quem detém os direitos da obra de Michael – em grande parte nas mãos das gravadoras Epic Records e MJJ Music (um braço da Sony Music Entertainment especializada na obra de Jackson).

Essa estratégia de marketing póstumo começou a se provar uma ótima ferramenta de vendas já no dia de sua morte. Assim que a notícia se espalhou pela imprensa o fluxo de trafego na Internet aumentou estimadamente em 20% naquele dia, derrubando uma série de sites, como TMZ, Los Angeles Times, AOL, Wikipédia – até mesmo a gigante Google bloqueou as pesquisas do termo “Michael Jackson” sob suspeita de um ataque de hackers.

Fora isso, inúmeros veículos televisos se aproveitaram da ocasião para cobrir extensivamente todos os detalhes do acontecimento na tentativa de prender seus espectadores. Seu funeral, que aconteceu duas semanas após seu falecimento, foi um dos eventos mais assistidos ao redor do mundo e estima-se que só nos EUA mais de 33 milhões de pessoas acompanharam a cerimônia pela TV. O rei se fora, mas sua capacidade de se tornar manchete e de atrair a atenção de muitos continuava inabalada.

No ano que se seguiria, a obra de Michael voltaria ao topo das paradas. Alguns de seus discos, como os icônicos Thriller (relançado como edição especial de 25 anos em 2008) e Bad, alavancariam e manteriam o rei do Pop novamente no topo por muitas semanas – chegando ao ponto de venderem mais que álbuns recentes da época, emplacar quatro deles no Top 20 ao mesmo tempo e somar a incrível marca mais de 35 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo em apenas doze meses. As vendas de singles também dispararam significativamente e todos pareciam novamente interessados em consumir a música de MJ.

Com números expressivos da venda de material já conhecido pelos fãs, era hora de ver como faixas “inéditas” se sairiam nas prateleiras. O single This Is It, composto por Michael e Paul Anka ainda nos anos 80, foi o primeiro de muitos outros bem sucedidos lançamentos póstumos de MJ. Um filme com cenas da preparação para a última turnê de Michael (nomeado como Michael Jackson’s This Is It) viria em seguida, sendo um dos mais lucrativos documentários/filmes relacionados à música já produzidos, arrecadando cerca de $260 milhões ao redor do mundo. Um disco com o repertório da turnê, que nunca chegou a acontecer, foi vendido separadamente, aproveitando esse novo interesse do público em ter tudo referente ao músico.

A feitura de uma nova memorabília não parou por aí e nos anos seguintes surgiram dois espetáculos ambientados na obra do músico, Michael Jackson: The Immortal World Tour e Michael Jackson: One, ambos criados pela companhia Cirque du Soleil. As duas peças ambientavam a música e figura icônica de Michael no terreno fantástico e imagético do mundo circo, um feito que salta aos olhos e que leva a obra da realeza do Pop ainda mais adiante. Por mais que o lucro esteja envolvido nestas iniciativas, elas conseguiram trazer algo novo ou pelo acrescentar algo à obra do músico.

Os dois discos póstumos, porém, falham ao tentar acrescentar qualquer coisa à obra de Michael. Eles não passam de coleções de material descartados de discos anteriores ou músicas que foram deixados pela metade por MJ antes de sua morte. Michael (2010) e Xscape (2014) são na verdade uma forma de tentar reanimar um zumbi ainda lucrativo, mas o resultado, ao contrário do que se espera, macula a obra quase impecável de um músico genial.

Com faixas decepcionantes e muito abaixo do que se espera de um disco de MJ (como por exemplo Hold My Hand, feita em parceria com Akon, ou A Place with No Name, feita a partir de Horse Whith No Name, da banda Kansas), as duas obras se tornam desinteressantes e visivelmente feitas somente para conseguir lucrar alguns trocados. Mesmo um time de diversos produtores, que tenta recriar as faixas do músico ao seu modo e adaptá-las a uma nova realidade mercadológica, não conseguiu salvar as obras de se tornarem fracas – e, de certa, forma desnecessárias.

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MARCADORES: Redescobertas

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts