Dez Artistas Que Nasceram Para Palcos Pequenos

Shows obrigatórios, caso toquem em uma pequenas casa de shows perto de você

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Seguindo a linha de nosso popular artigo Dez Bandas Que Nasceram Para Festivais, decidimos fazer a lista inversa, aqueles nomes que emocionam em palcos pequenos, tocando bem perto do público.

Uma consequência negativa da popularização dos festivais – sim, conseguimos achar alguma – é a escalação de ótimas bandas com som menos expansivo para shows em grandes palcos, o que muitas vezes causa uma errônea decepção generalizada por parte do público, que teria saído arrepiado ao ver o mesmo em uma casa pequena.

Por isso, nossa intenção com esta lista de hoje é que, caso você tenha a oportunidade de ver alguns dos nomes abaixo em um local menor, não perca de jeito nenhum, mesmo que já os tenha visto em um festival e não tenha se surpreendido, pois agora eles estão realmente em casa.

Sun Kil Moon

O primeiro nome que me veio instantaneamente à cabeça logo que planejamos este artigo foi o projeto de Mark Kozelek. Poucas semanas após o lançamento de Benji, um dos mais bonitos álbuns desse ano, tive a oportunidade de assisti-lo no festival SXSW, sentado confortavelmente em uma belíssima igreja, com acústica perfeita, onde não era permitido consumir bebidas alcoólicas e os poucos presentes assistiam à apresentação quase sem respirar, prestando atenção máxima em Mark e seu violão.

Com suas letras que retratam com sinceridade e sensibilidade extremas algumas situações do cotidiano, parecia que o músico contava aquelas histórias diretamente para nós, como se botasse aquele sofrimento para fora pela primeira vez. Além de seu Voz e Violão ser perfeito para estes ambientes, ele ainda adora conversar banalidades com a plateia entre as músicas, contar curiosidades e fazer piadas, algo inviável em um grande show.

Kurt Vile

Já pude assiti-lo em duas situações distintas, a primeira no Cine Joia, onde se apresentou em pé e acompanhado de sua banda, e a segunda no SXSW deste ano, sentado, sozinho, tocando a maior parte das faixas no violão.

Em ambas, fica nítida a timidez do rapaz, que apesar do clichê, tem a música como sua melhor amiga. Ele apresenta boa parte das faixas de olhos fechados, com o cabelo tampando seu rosto e com a boca bem próxima ao microfone, passando aquela sensação de estar sussurrando em nossos ouvidos.

Darkside

Saindo um pouco do Folk, o projeto de Nicolas Jaar e Dave Harrington é empolgante e hipnotizante, sendo perfeito para o período noturno em uma casa de shows fechada. Com o nível de detalhamento do som mostrado no ótimo Psychic e visto por nós no Pitchfork Festival Paris do ano passado e no Primavera Sound na última semana, a sensação é de que em um local com paredes grossas deixaríamos escapar menos preciosidades e absorveríamos por inteiro as influências da dupla.

Rodrigo Amarante

Cavalo, primeiro disco do ex-Los Hermanos, é bastante instrospectivo, melancólico e confessional. Alguns desses adjetivos combinam com grandes eventos?

Você pode se perguntar por que ele e não Marcelo Camelo entrou nesta lista – eu mesmo me perguntei – e a resposta veio rápido. Camelo, apesar de fazer shows emocionantes em pequenas casas, funcionaria bem em um grande festival ao ar livre pois suas músicas convidam a cantar junto, característica essencial para contagiar uma grande plateia. Já Amarante iniciou sua carreira solo com músicas sem refrão, um pouco menos Pop, com um vocal mais abafado, experimentando diferentes arranjos, o que torna seu som ideal para um pequeno palco com acústica perfeita.

Damon Albarn

Mais um ex-integrante de uma grande banda que costumava ser a atração principal dos maiores festivais do mundo. Em seu belo Everyday Robots, encontramos um Damon Albarn mais solitário e também melancólico. Sua mistura de elementos eletrônicos e orgânicos em um som com um certo groove faria um delicioso show intimista, daqueles pra dançar com passinhos curtos ao lado de alguém especial. Se for em um dia frio fica ainda melhor.

BADBADNOTGOOD

A mistura e a improvisação do som desses rapazes é tão grande que a melhor coisa para curti-lo é livrar-se de qualquer influência externa, qualquer problema e preocupação. Para esse nível de concentração, nada melhor do que uma casa de shows fechada, daquelas com opção de assistir tanto sentado quanto em pé, pois o som da banda, principalmente o apresentado em seu recente disco III, pede estas duas alternativas.

Baleia

A banda carioca faz um som quase épico e por isso, pode estar no limite entre esta lista e a dos grandes festivais. Mesmo assim, ainda acho que ver Baleia em uma grande apresentação, apesar de excelente, vai te deixar com aquele pensamento de “imagine esse show em um lugar menor”. Por isso, enquanto não consegue vê-la ao vivo, use os fones de ouvido.

Oliver Wilde

A voz sussurrada, o violão e os ruídos eletrônicos do som de Oliver Wilde fazem dele a viagem perfeita para um show pequeno. A experiência deve ser embriagante e ótima para ser vista duas vezes. A primeira para se deixar levar pelo Folk Lo-Fi e a segunda para prestar atenção em como Wilde faz para reproduzir os arranjos de Red Tide Opal In The Loose End Womb ou de Brief Introduction To Unnatural Light Years no palco.

Jim James

O vocalista da banda My Morning Jacket trouxe em seu disco Regions Of Light and Sound of God uma aura bem espiritual, transcedental e que como bem descrito na resenha do disco, consegue nos fazer levitar apenas com sua bela voz e com a entrega que apresenta nos palcos. Nada melhor do que a sensação marcante de ouvi-lo bem de perto com a melodia presa entre as paredes.

Onagra Claudique

Diego Scalada e Roger Valença nos pegaram de surpresa, logo nos primeiros meses de lançamento do Monkeybuzz, com o EP A Hora E A Vez de Onagra Claudique. Sua música bela, tranquila e impecavelmente produzida pede um show aberto, ao ar livre, onde todos possam sentar na grama e curtir a música brasileira nada previsível feita por eles.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.