Entrevista: Alabama Shakes

Brittany Howard conta sobre álbum “Sound & Color” e relembra turnê no Brasil

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Alabama Shakes é uma das bandas mais unânimes entre as favoritas tanto da equipe, quanto dos leitores do Monkeybuzz, além de ser o único nome cuja discografia foi 100% analisada com nota máxima no site – tudo bem que são apenas dois discos, mas quem já ouviu Boys & Girls e o novíssimo Sound & Color sabe que nada no grupo pode ser considerado “pouco”.

Agradando públicos bem diversos, Brittany Howard e seus comparsas ganham a simpatia de muitos ao trabalharem de uma maneira quase utópica quando comparamos sua carreira a de outras bandas do mesmo tamanho: Tudo é apoiado apenas em boa música. Prova disso é Alabama Shakes ter lançado seu primeiro videoclipe apenas nesta semana, após três anos fazendo tanto barulho por todos os cantos.

Isso fica ainda mais claro quando vemos o que a vocalista nos contou por email recentemente, relembrando sua passagem pelo Brasil em 2013 e comentando como foi trazer Sound & Color ao mundo.

Monkeybuzz: Qual a diferença entre trabalhar em um segundo disco e entrar em estúdio pela primeira vez?
Brittany Howard, Alabama Shakes: Com o primeiro álbum, nós não tivemos muito tempo ou recursos para gastar experimentando como fizemos em Sound & Color. Com Boys & Girls, nós entramos de cara sabendo o que queríamos fazer e não saímos muito do plano. Com o segundo, tivemos sorte de poder ir com calma, voltar e trabalhar mais as coisas e experimentar mais, o que eu acho que ficou claro no álbum. E também tivemos um co-produtor em Sound & Color, Blake Mill, que ajudou a nos guiar e nos impulsionar para vermos como poderíamos continuar a levar cada música a um outro nível.

Mb: Como vocês decidiram o som que o novo disco teria? Houve intenção de seguir referências específicas ou vocês preferiram trabalhar de forma mais espontânea?
Brittany: Foi com certeza mais espontâneo. Algumas canções eram pensadas com mais antecedência e algumas eram mais uma ideia geral ou um som que começamos a fazer e depois compusemos juntos no estúdio. Queríamos ver como poderíamos incorporar uma mistura de nossas influências musicais na criação de uma vibe para o álbum, ao invés de tentar seguir qualquer estrutura específica.

Mb: Se Boys & Girls fosse feito hoje, vocês acham que ele seria diferente?
Brittany: Sempre tem coisas que você quer voltar lá e mudar, mas foi um ótimo primeiro álbum que sempre teremos perto do coração e temos orgulho de como ele ficou.

Mb: Ambos os discos são, no mínimo, incríveis. Como vocês lidam com o sucesso e todo o reconhecimento?
Brittany: Nós tentamos mesmo só nos concentrarmos na música e nos shows ao vivo. É ótimo que pudemos alcançar algum sucesso, mas tentamos muito apenas nos focar em como podemos melhorar como compositores, músicos e performers.

Alabama Shakes

Mb: A indústria musical mudou drasticamente nesses últimos vinte anos. Quando você olha para tudo ao seu redor – as conquistas, ambições e mesmo sua agenda – é o que você imaginava que seria estar em uma banda de sucesso
Brittany: Quado começamos a banda, nunca imaginávamos como seria ser “de sucesso”. Eu nem acho que chegamos lá ainda. Acho que, quando isso acontece, você já deu tudo de si, e nós ainda temos muito aonde chegar e espero que cresçamos individualmente e como banda. Com certeza, tivemos várias oportunidades incríveis e que eu nunca imaginaria ter quando começamos. Para nós, o lance sempre foi fazer música que nos parece sincera e que nos conecte com nossos fãs. Se conseguirmos fazer isso, pra mim é “sucesso”.

Mb: O que se aprende ao fazer tantas turnês?
Brittany: Na estrada, você aprende muito sobre si mesmo, sobre seus fãs de lugares diferentes e sobre seus companheiros de banda, porque passamos muito tempo juntos. Acho que uma das maiores coisas que aprendi, porém, foi valorizar o tempo que tenho com minha família quando volto pra casa. Estar tanto na estrada é difícil porque somos muito próximos de nossas famílias e a turnê nos afasta deles por períodos muito extensos, então eu aprendi a apreciar nosso tempo juntos.

Mb: Como foi tocar no Brasil em 2013?
Brittany: Foi muito louco! Todos nós sempre conversamos sobre como aquela foi uma de nossas turnês favoritas do outro álbum. O público era muito incrível e apaixonado.

Mb: Se você tivesse que dar um palpite, como acha que Alabama Shakes será lembrado em vinte anos? Como você gostaria de ser lembrada?
Brittany: É difícil dizer como seremos lembrados. Espero que as pessoas nos lembrem como compositores que mantiveram suas integridades. Isso é importante pra mim.

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MARCADORES: Entrevista

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.