Explorando Novos Sons com Flying Lotus

“Cosmogramma” é ótimo como primeiro contato com um som que alguns podem considerar experimental e pode mudar a relação de um jovem ouvinte com a música

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Seria exagero da minha parte tentar explicar racionalmente a qualidade que percebi em Cosmogramma de Flying Lotus quando o ouvi há três anos. O desconforto da primeira audição, acostumada a ouvir álbuns mais comumente estruturados, foi grande, tentando abstrair do que conhecia como música e falem o que quiser, mas isto não é tarefa fácil.

Não me sinto confortável dizendo que Steven Ellison faz música experimental, pois ao lado de outros artistas que flertam com o título, é possível encontrar traços familiares em meio ao caos sonoro proposto na obra, principalmente na segunda metade mais melódica do disco, a partir de …And The World Laugh With You, com participação de Thom Yorke do Radiohead que consegue, mesmo com toda a personalidade do produtor, imprimir um pouco do clima visto em Kid A. Como li em alguma resenha na época, vale dizer que Flying Lotus explora, não experimenta. Apenas uma mudança de nomenclatura, mas que para o meu entendimento pessoal (o seu pode perfeitamente ser diferente), significa explorar o que já é conhecido ou já foi descoberto e experimentar implica construir algo do zero, causando desconforto bem maior no ouvinte, o que não é o caso de Cosmogramma, que te acolhe facilmente após algumas audições.

Talvez a palavra música, para alguém mais jovem como eu na época que ouvi o disco pela primeira vez, já chegue muito carregada de significado e neste caso, pode atrapalhar a audição, então peço licença para tratar o disco como uma coletânea de sons, sejam instrumentos, lasers, bolinhas de tênis de mesa, samples ou vozes trabalhadas com uma postura do Jazz, mas à favor do Hip-Hop, como foi bem descrito neste artigo sobre um novo Jazz.

Cosmogramma foi um dos álbuns responsáveis por uma maior exposição de Flying Lotus para fãs de Hip-Hop, música eletrônica e novidades em geral. Para mim, foi meu primeiro contato com o músico e o primeiro disco a me abrir para um mundo completamente novo de quebrar de forma ordenada (ou não), o que conhecemos como música.

Outra grande importância deste álbum na minha formação musical, foi o lacre que faltava para fechar minha preferência e meu hábito de ouvir álbuns inteiros e de forma atenta. Obviamente que antes disso, já ouvia álbuns completos com frequência, mas Cosmogramma foi talvez o toque final para me dizer algo como “Nunca deixe de ouvir um disco completo desta maneira, senão estará perdendo exatamente esta sensação, de se perder pela criação de alguém por mais de 40 minutos. Ouvi-lo como som ambiente e deixando apenas a sensibilidade guiar minha audição, foi uma experiência sem volta e que pode ser um ótimo primeiro passo para entender muita música boa feita por aí.

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Autor:

Nerd de música e fundador do Monkeybuzz.