O Pop Maduro e a Inquietação Percussiva de Lykke Li

“Wounded Rhymes” ativa a música Pop em caminho denso e autoafirmativo pela sueca que fugiu da mistificação de uma fofura fácil

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Sabe aquele disco lançado há algum tempo que você carrega sempre com você em iPod, playlist e coração, mas ninguém mais parece falar sobre ele? A equipe Monkeybuzz coleciona álbuns assim e decidiu tirar cada um deles de seu baú pessoal e trazê-los à luz do dia. Toda semana, damos uma dica de obra que pode não ser nova, mas nunca ficará velha.

Lykke LiWounded Rhymes

A música Pop na segunda metade dos anos 00 era abastecida majoritariamente pelos grandes nomes de artistas norte americanos. A aparição e o pontapé de Lykke Li no final dessa década foi um dos nomes a surgir como ponta de Iceberg para o desdobramento do gênero de maneira mais pensada e diferenciada. Se logo em 2008, com Youth Novels a musicista mostrou seu lado mais alegre e percussivo, os curiosos pelo segundo disco se surpreenderam ainda mais com o lançamento do marcante disco Wounded Rhymes.

Aproximada do Indie, Li Lykke Timotej Svensson Zachrisson galgou junto ao tal trabalho espaço entre as cinco posições de mais vendidos entre os países europeus. O álbum que vem como um retrato invernal da sueca, também mostra que a própria tem mais talento do que um belo rosto – Segundo palavras da mesma em entrevista, que confessou ter se sentido ameaçada no início da carreira.

Estreando a poucos meses de fazer três anos do seu debut, o drama costumeiro promovido ao redor do típico segundo disco de todo artista passou longe deste lançamento. Surpreendendo seu público e chamando ainda mais atenção da crítica, a atmosfera que divide-se entre um blasé recluso e lamentos dançantes acompanhados por meias-lua incessantes permeia por todo o disco, transportando a boa primeira impressão causada por Li num voto de confiança a ser levado em conta a longo prazo, principalmente pela madurez do registro.

Enquanto o disco lançado em 2008 foi construído no alto dos 19 anos da cantora, Wounded que veio alguns bons anos depois opera em cima de um mood antipueril e um tanto afirmativo. Inquieta em ficar estagnada com a boa fama de início, Lykke fez o seu melhor para sair da zona de conforto: Se deslocou de onde estava para gravar em Los Angeles, local que considera misterioso e que casava com o ideal do disco, buscou referências em David Lynch e Leonard Cohen e chutou pro canto o que de fofo havia lhe restado, das letras até a estética. Vale levar em conta que desde então a cantora virou fonte de inspiração para a safra mais nova de cantoras estrangeiras.

Com a parceria acertada mais uma vez junto ao músico Björn Yttling na produção, da banda Peter, Björn and John, Lykke consegue vagar entre ideais conceituais e faixas enviesadas ao popular de maneira que fogem ao óbvio, e carregadas de instrumentações de violinos, sintetizadores, tamborins, trompetes, saxofones e cellos. Canções como I Follow Rivers e Sadness Is A Blessing foram composições que vingaram com tanta eficácia que ressoam até hoje por diferentes tipos de ambientes, dá versão remixada para a balada, a passarela de moda, tema de house parties e servindo até como ambientação para lounges.

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ARTISTA: Lykke Li
MARCADORES: Fora de Época

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.