Rafael Castro: “Lembra?” trilha a nostalgia de seus dez discos

Em seis anos de carreira, o músico firma raízes com letras e melodias ágeis e críticas de maneira bem humorada

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Fotos: Filipe Franco

Completando exatamente hoje uma nova primavera em sua vida é que Rafael Castro comemora sua décima e mais recente produção de estúdio, com um título saudoso e propício que fecha muito bem o ciclo de todas as datas e festejos citados: Lembra? é o disco da fatídica e famosa idade dos 27 anos, momento no qual vários artistas ficaram marcados, mas nesse caso é para o bem e um pensamento de longevidade.

Vindo do interior de São Paulo, a cidade de pequeno a médio porte (Lençóis Paulista) deu base ao cantor, que ainda busca ali refúgio em seus vínculos musicais iniciais ao compor. Trazendo os sonhos revolucionários na mochila, Castro coliga hoje sua rotina paulistana atual sem perder seus ideais, produzindo um Rock honesto, desacelerado e que surpreende com as letras de cada canção revelada. Nem só de reclamar de amor não correspondido, paixão a primeiros olhares e vingança pré-meditada através de metáforas é que vivem as músicas de Rafael, muito pelo contrário. O músico traz muitos momentos do cotidiano de forma crítica e bem humorada, falando desde contas a pagar e se estendendo até a estratégia para a criação de um filme pornográfico, de maneira ágil e esperta.

Com arranjos embasados na psicodelia dos anos 60 e 70, o vocalista mostra um bom número de nuances brasileiras e até mesmo a presença singela em alguns momentos da viola caipira. O mais atual trabalho do cantor penera com precisão o que ele e sua banda produziram de melhor em seis anos de carreira ativa e itinerante, mas agora contando com uma estrutura e técnica que vem se aprimorando, produto da vivência e experiência a cada pequeno em cada canto. O corte das longas madeixas, o aumento da melancolia apresentada em vocalizações graves e a mistura de sons da cidade mostram que o disco de 2012 desperta uma nostalgia agradável que conquista facilmente já nos primeiros acordes, num ataque sonoro certeiro a um ponto vulnerável de cada um: A boa lembrança.

A boa nova para Rafael é que os dez anos de percurso íngreme tiveram seu motivo e revelam cada vez mais um resultado positivo. O combustível de persistência que o fez seguir também o girou em seu próprio eixo, fez o reciclar-se a cada tentativa até alcançar o almejado e crescente número de olhares que agora para ele se voltam e apontam.

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ARTISTA: Rafael Castro
MARCADORES: Novo álbum

Autor:

Jornalista por formação, fotógrafo sazonal e aventureiro no design gráfico.