Serviços de Streaming: Mocinhos ou Vilões?

Mais uma vez esses sites voltam à pauta, agora sob o ponto de vista dos artistas e se as vantagens e desvantagens dessa ferramenta

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Há algum tempo, listamos alguns dos melhores serviços de streaming, discorrendo sobre os prós e contras de cada serviço sob o ponto de vista do consumidor, de usuários dos mais diversos sites para ouvir música. Sem dúvida alguma, eles facilitam e muito a vida do ouvinte que não tem mais que se preocupar com espaço em seu HD ou esperar para baixar algum disco. Com os serviços de streaming, a música está realmente a um clique. Mas e os artistas, como ficam em toda essa história?

Esse é um debate que já vem ocorrendo há algum tempo e voltou à pauta quando, no mês passado, Nigel Godrich e Thom Yorke tiraram suas obras de serviços como Spotify (um dos mais crucificados durante esses debates, ao lado do Pandora). O principal argumento desses artistas contra esses sites foi o mesmo que vem se discutindo há muito tempo: esses serviços são não ajudam novos artistas.

Isso pode não ser tão verdade assim, mas já chegamos lá. Primeiro, vamos analisar as problemáticas geradas por eles. Primeiramente, o que se ganha desses serviços é realmente muito pouco. O Spotify, por exemplo, paga cerca de $0,004 (cerca de R$0,009) por execução de cada faixa. Se em média cada disco contém por volta de dez faixas, um artista ganharia incríveis $0,04 (cerca de R$0,09) a cada vez que alguém ouvisse um álbum inteiro. Mas vale a pena lembrar que esse valor varia conforme o site e também conforme o contrato feito diretamente com o artista.

Para artistas com um número de fãs gigantesco e que vão ouvir sem parar seus discos todos os dias, isso pode até somar um valor digno, mas para quem está começando, isso não passa nem perto de somar alguma coisa à sua renda.

“Se por um lado esses canais ajudam a descoberta de novos artistas, por outro estimulam os fãs a comprarem menos discos, porque podem ter acesso ao streaming gratuito”

Outra parte do problema se deve à queda de compra de discos. Por mais que o ouvinte pense que está ajudando seu artista predileto ouvindo seu disco nesses serviços, a história pode não ser tão bonita assim. Depois de algumas contas, você chega ao impressionante número que para um artista ganhar o equivalente ao preço de um disco de R$30, seriam necessárias cerca de 3334 execuções. É claro que essa não é a única fonte de renda para artistas, mas de fato o que se paga a eles é irrisório e está muito longe de ser justo.

“Infelizmente, o dinheiro arrecadado por esses serviços é baixo para bandas que estão começando”, nos disse Daniel Plentz, baterista do Selton. “Se por um lado esses canais ajudam a descoberta de novos artistas, por outro estimulam os fãs a comprarem menos discos, porque podem ter acesso ao streaming gratuito” acrescentou o músico.

Ainda assim, há maneiras dos artistas explorarem esses serviços para conquistar novo público e levá-los aos seus shows (atualmente a maior fonte de renda de muitos músicos iniciantes). Afinal, um disco disponibilizado gratuitamente e de fácil acesso é um grande convite a novos ouvintes. “Trata-se uma ótima alternativa para fazer com que nossas gravações cheguem ao maior número possível de pessoas”, nos disse o cantor e compositor Jair Naves, que ainda acrescentou: “Como nem todo mundo que ouve músicas pela internet baixa os discos na íntegra antes de conhecer o material, é uma boa forma de atingir ouvintes que ainda não conhecem o trabalho”.

”Percebo uma vontade de beneficiar cada vez mais os artistas nas novas iniciativas de sites desse gênero, mas ainda está longe do ideal”

E, por mais que esses serviços ajudem a conquistar novo público, eles ainda não conseguem pagar o que deveriam aos artistas. ”Percebo uma vontade de beneficiar cada vez mais os artistas nas novas iniciativas de sites desse gênero, mas ainda está longe do ideal” nos contou Jair. Portanto, se você quer realmente apoiar seu artista favorito, vá aos shows, compre os discos e participe de projetos de financiamento coletivo – é a maneira que você tem de ajuda-los a continuar fazendo música, de certa forma, pra você.

E tentando responder a pergunta do título:: Não há exatamente uma visão maniqueísta de toda a situação, tentar dividi-la em somente dois polos (como só boa ou só ruim) me parece um erro. De fato, esses serviços tem seus pontos falhos (no que diz respeito ao artista), mas também tem seus pontos positivos. Yorke e Godrich terem reaberto essa discussão é importante, não para “vilanizar” esses sites, mas para trazer isso ao também ouvinte e fã de música, fazê-los enxergar que, por enquanto, esses serviços ainda não ajudam, pelo menos financeiramente, seus artistas prediletos.

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ARTISTA: Jair Naves, Selton
MARCADORES: Discussão

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts