The Smashing Pumpkins – Revista e Muito Ampliada!

Relançamento da caixa “The Aeroplane Flies High” vem em boa hora para os fãs da banda de Billy Corgan

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Billy Corgan sempre foi um sujeito perfeccionista e egocêntrico. Essas duas características maiores em sua personalidade, aliadas aos problemas familiares que ele enfrentou na adolescência, o transformaram num sujeito atormentado, maluco e muito talentoso. Seu The Smashing Pumpkins foi, ao lado de Nirvana e Pearl Jam e acima de Soundgarden e Alice In Chains, em termos de popularidade, uma banda gigante. Conseguiu manter-se no topo por um bom tempo, soube se reinventar na hora certa, perdeu o viço quando não era mais possível mantê-lo e voltou à ativa quando era tolerável tê-la presente num mundo totalmente diferente. Além disso, durante todo esse processo, iniciado na aurora dos anos 90 e materializado pela primeira vez em Gish, um daqueles discos de estreia dignos de placa e uma curiosidade: lançado no mesmo dia que Nevermind, do Nirvana.

O grande charme do Smashing Pumpkins residia no singelo – mas notável – fato da banda nunca ter sido “grunge”. Apesar de coexistir com o pessoal da flanela quadriculada de Seattle, Corgan, nativo de Chicago, sempre esteve muito mais próximo, em termos de influência, do Pós-Punk inglês de bandas como The Cure ou Joy Division, algo que ele só deixou vir à tona em 1995, quando a banda lançou seu terceiro disco de inéditas, descontando a coletânea de lados-B, Pisces Iscariots, lançada no ano anterior.

Mellon Collie And Infinite Sadness marcou o momento de maior ambição estética de Corgan. Um disco duplo e cheio de referências a várias fontes de inspiração, visuais e musicais, diferente de tudo o que se fazia nos anos 90. Mellon Collie parecia mais afeito aos anos 70, tempo de exagero e experimentação do que ao momento em que o Rock procurava seu rumo, pouco tempo depois do suicídio de Kurt Cobain.

Foram cinco singles extraídos do álbum duplo: Bullet With Butterfly Wings, Zero, 1979, Tonight, Tonight e Thirty-Three, devidamente martelados nas mentes e retinas do mundo, via MTV, então com força suficiente para dar ao disco o contraponto clípico que se esperava e necessitava. Ao contrário de seus colegas contemporâneos, Corgan nunca foi de esconder o jogo em termos de lados-B e sobras de estúdio. Sendo assim, ele resolveu reunir, em uma só caixa, os singles que se destacaram em Mellon Collie. Todos já haviam sido lançados em forma de CD-single, com menos ou mais canções, em versões europeias, australianas e americanas. Assim nasceu The Aeroplane Flies High, lançada no fim de 1996, trazendo um total de 33 canções. O grande atrativo, além do fetiche de comprar uma caixa cheia de discos, era a quantidade generosa de lados B, que podiam ser covers como You’re All I’ve Got Tonight (Cars), A Night Like This (The Cure), Destination Unknown (Missing Persons) ou Dreaming (Blondie). Também podiam conter canções muito legais, com potencial radiofônico como Pennies ou The Boy e mesmo algumas coisas incompreensíveis, como Tonite Reprise (um rascunho acústico de Tonight Tonight) e Pastichio Medley, composta por pedaços de riffs, atingindo mais de 25 minutos de duração.

Corta pra 2013. Billy Corgan dá continuidade ao processo de exumação total das sobras de estúdio de todos os períodos dos Pumpkins. Após relançar os três primeiros discos remasterizados, cheios de bônus e DVD’s com shows das épocas em que os álbuns originalmente foram lançados, ele chegou a Mellon Collie no fim do ano passado. Como resultado, o álbum passou a contar com seis discos cheios de demos, outtakes, versões intermediárias e tudo mais, além de um DVD ao vivo, trazendo um show na Brixton Academy, em Londres. Agora é a vez de The Aeroplane Flies High passar por processo semelhante. O número de músicas subiu para 90, além de mais 14 canções reunidas num DVD ao vivo, contendo um show de 04 de julho de 1997, na França.

As músicas foram devidamente remasterizadas por Bob Ludwig, o mesmo sujeito que cuidava do som dos discos do Pink Floyd. A sede por demos continua, elas são novamente a estrela do relançamento. Há pencas de versões alternativas e gravações raras ao vivo. Um livro de 46 páginas, cheio de comentários de Corgan sobre cada faixa, também está incluído. O material, assim como na caixa original, complementa Mellon Collie, fornecendo um retrato extremamente acurado da mente criativa de Corgan entre março de 1994 e fevereiro de 1995, além de aumentar essa visão para o resultado já posto em prática, caso do registro em DVD, da Mellon Collie Tour, de 1997. O disco extra, também ao vivo, mostra shows de 1996 em lugares tão distintos como Philadelphia, Copenhagen, Washington e Estocolmo, além de funcionar como um álbum ao vivo do período, completo, com catorze canções, documentando a mesma turnê do DVD ao vivo na França.

Billy Corgan está em turnê atualmente, liderando a nova encarnação da The Smashing Pumpkins, divulgando seu trabalho mais recente, o respeitabilíssimo Oceania, do ano passado. Apesar de estar na ativa e bem, o que os fãs esperam mesmo é a continuidade das escavações dos tesouros de sobras de estúdio. Seguindo a ordem natural das coisas, a próxima parada é no sombrio e sensacional Adore, de 1998, o trabalho em que Corgan abraçou com força o Rock dos anos 80. Seu nerdismo perfeccionista deve continuar a prover uma torrente de sobras, versões, registros ao vivo e tudo mais que podemos esperar, dado o padrão de excelência que ele alcançou nesses relançamentos pra lá de generosos.

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MARCADORES: Relançamento

Autor:

Carioca, rubro-negro, jornalista e historiador. Acha que o mundo acabou no meio da década de 1990 e ninguém notou. Escreve sobre música e cultura pop em geral. É fã de música de verdade, feita por gente de verdade e acredita que as porradas da vida são essenciais para a arte.