Cícero + Eskimo

Diretamente do Rio para São Paulo, a banda Eskimo e o cantor Cícero visitaram o Studio SP e entregaram ótimas performances para um público que gostaria de vê-los mais frequentemente na cidade

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Nota: 4.0

“Pô, todo mundo veio mesmo com chuva. No Rio, quando chove, ninguém sai de casa”, comentou o carioca Cícero no final do show emocionado que encerrou sua curta turnê no estado de São Paulo, com shows em Campinas e na capital. Nesse dia, quem o acompanhou foi sua conterrânea Eskimo, que surpreendeu os paulistanos em sua primeira vinda à cidade.

A tal chuva a que ele se referia foi uma das mais intensas de janeiro e durou aquela tarde inteira, transformando em uma corredeira a rua Augusta, onde fica o Studio SP. Mesmo assim, a fila começou cedo, com um pessoal se espremendo embaixo dos toldos da rua para receber os visitantes na cidade. Quem abriu a noite, do projeto Cedo e Sentado do Fora do Eixo, foi o sueco Kristian Anttila que subiu ao palco munido apenas de guitarra e voz para cantar em sua língua natal – uma experiência bacana que nem sempre vemos por aqui.

Em seguida, o baixista (e cabeça da banda) Patrick Laplan apresentou ao público paulistano o Eskimo, que tocou músicas de seu primeiro disco, Felicidade Interna Bruta (2011). A explosão gerada pela colisão de tantos estilos é bem orquestrada no palco, transformando a casa em uma panela de pressão com o som dos cinco excelentes músicos. O show abriu com Dama de Honra, que já começava a revelar a música de peso com uma alma em constante dinamismo que veríamos nos próximos minutos, com canções que variam bastante ao longo de si mesmas, como Bipolar, Forte Apache e Harbolita, todas com uma aceitação muito positiva do público.

A empolgação deles era nítida. “Estou feliz demais, isso aqui é algo que sempre sonhei”, revelou Laplan após a apresentação, completando com a promessa de mais vindas da banda à Sampa. Foi a mesma coisa que Cícero disse quando pisou na cidade pela primeira vez há 2 meses, para dois shows na capital, um em Campinas e outro em Santo André, todos em casas menores que o Studio SP, e aqui estava ele para cumprir a promessa e rever um público que parecia já estar com saudades dele.

Já na abertura, com Açúcar ou Adoçante, todos se mostraram bastante animados, mesmo com uma canção triste, vibe que se estendeu nas próximas músicas. Ao chegar em Vagalumes Cegos, o cantor estava visivelmente emocionado com a quantidade de pessoas cantando seus versos, e eis que surge Tempo de Pipa – encarada pela plateia como um grande hit, daqueles que fazem a multidão cantar em uma só voz. Depois desse ponto, o mais alto do show, algumas pessoas se dispersaram, foram para o bar ou para o fundo, enquanto os fãs permaneceram firmes lá na frente até o encerramento.

“Isso aqui tá acontecendo porque vocês compartilharam pela Internet”, discursou Cícero antes da última música. “Se vocês gostam de um músico ou de uma banda, mandem pros amigos. Twittem, compartilhem no Facebook, MSN… As coisas acontecem por causa de vocês”. Se depender dos que estavam ali naquela noite, com certeza esses cariocas voltarão ainda muitas vezes para a capital paulista.

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ARTISTA: Cícero, Eskimo
MARCADORES: Studio SP

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.