Emicida – Auditório do Ibirapuera, SP

Com mais de duas horas de show, rapper soube agradar velhos e novos fãs

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Fotos: Fernando Galassi/Monkeybuzz
Nota: 4.0

A certo ponto do show, Emicida disse estar muito à vontade e se divertindo, e esse era mesmo o clima da apresentação do rapper, o que deixava quem assistia, estivesse sentado ou em pé à beira do palco, bem à vontade também. Versátil, o músico percorria do Rap ao Samba com suas rimas e a todo o momento conversava e brincava com o público. Cada troca de palavras com os espectadores ou membros da banda era carregado de bom humor, e foi nesse clima descontraído que o artista soube manter a plateia entretida por pouco mais de duas horas.

Ao contrário do que se imaginava, o rapper não deu preferência às faixas de seu novo disco, O Glorioso Retorno de Quem Nunca Esteve Aqui, e tocou muitas de suas antigas mixtapes e discos. Ainda assim, diversas canções do seu mais novo trabalho compuseram o longo setlist – por exemplo Bang!, que abriu a apresentação com um Rap explosivo e pulsante. Ali, os códigos de etiqueta já foram quebrados e o público, que tinha seus assentos marcados, foi para a frente do palco ver seu ídolo mais de perto.

O clima de Rap persistiu por mais um tempo antes do Samba dominar boa parte da apresentação. Levanta e Anda, Triunfo e Zóião impuseram o peso das batidas do Hip Hop antes do mesmo começar se misturar com outros estilos, como o Rock em Hoje Cedo e o Funk em Gueto. Como pontos altos dessa fase, inicial vele citar a bela Sol de Giz de Cera(que Emicida dedicou aos pais presentes no show), Alma Gêmea(na qual se via alguns casais dançando juntos pela plateia) e Vacilão (faixa tirada de um pequeno EP lançado em 2010).

Entre as canções, o músico falava do crescimento da cultura do Hip Hop no país e de sua própria trajetória, lembrando alguns momentos e pontuando sua carreira pelos lançamentos, às vezes contando breves histórias de alguns deles. A primeira intervenção do Samba veio com a ótima Crisântemo e continuou com Trepadeira, mergulhando de vez nas raízes da música negra com Ubuntu Fristili.

Antes do fim da primeira parte de seu show, Emicida emplacou uma boa sequência com as faixas Zica, Vai Lá e Nóiz. Músico e banda saíram do palco e retornaram somente o MC e DJ para criar um grande potpourri de alguns clássicos do Rap e de parte do seu antigo repertório. Entre muitas brincadeiras com seu amigo DJ Nyack, o rapper homenageou gente como Sabotage, Pepeu, Xis e De Menos Crime, além de tocar músicas suas, como Rua Augusta, Dedo na Ferida, Beira da Piscina, Viva e uma linda versão à capela de Então Toma.

Já somando mais de duas horas, o músico disse que gostaria de ficar mais tempo, porém teria que ir embora e, para ilustrar o momento, se despediu ao som de Trem das Onze, de Adoniran Barbosa – novamente acompanhado de sua banda e com o clima do Samba tomando conta. Um show completo e multifacetado que faz jus ao status que o rapper alcançou nos últimos anos. Com um set composto por velhos e novos sucessos, o músico soube agradar desde os mais novos fãs até àqueles que o acompanham há mais tempo.

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ARTISTA: Emicida

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts