Omar Rodriguez-Lopez: Gênio das 1001 Faces

Conhecido por tocar guitarra no The Mars Volta e At The Drive-In, Omar tem muito mais o que o mostrar em seus inúmeros projetos paralelos e discos solos

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Você já deve ter ouvido falar de Omar Rodriguez-Lopez por tocar em bandas como The Mars Volta ou At The Drive-In, mas saiba que seu currículo vai muito além disso. Ele é, sem dúvida alguma, um dos artistas mais prolíficos dos últimos 20 anos e em todo esse tempo de carreira como letrista, multi-instrumentista e produtor, o cara já esteve envolvido em inúmeros, projetos, parcerias e também em incontáveis discos solos. Além de disto, Omar também já se engajou como escritor, ator e diretor de alguns filmes (mas isso é assunto para outro dia).

Dono de um estilo muito peculiar ao tocar guitarra e ao escrever suas letras, ele é conhecido por criar sonoridades transcendentais e brincar com tendências psicodélicas em grande parte de seus projetos. Ainda que o Rock esteja presente em grande parte deles, o músico sabe compor utilizando uma grande variedade de ritmos, desde o Dub (como em sua primeira banda, De Facto) até o Jazz (presente em alguns de seus discos solos e alguns outros tantos projetos). Influências da música latina também são sentidas em muitas produções com o selo “Omar Rodriguez” de qualidade – e isso se deve principalmente a sua descendência porto-riquenha.

Começando ainda bem cedo no mundo musical, o artista tocou baixo dos 12 aos 15, época em que “precisava de mais cordas” e então começou a desbravar as seis de sua guitarra, instrumento que hoje domina e pode ser considerado um dos grandes nomes entre os guitarristas modernos. Nesta época, ele morava em El Passo, Texas, lugar onde conheceu Cedric Bixler-Zavala, que o acompanharia em muitos dos projetos futuros e, desde então, começariam sua parceria com o projeto de Dub Reggae De Facto.

At The Drive-In

Com uma infinidade de projetos e discos lançados nestes 20 anos, vamos nos focar somente nos mais relevantes e tentar criar um panorama da carreira de Omar, que, pode se dizer, teve seu real início com o Post-Hardcore do At The Drive In.

Formado em 1993, o quinteto tinha uma sonoridade crua, que combinava melodias emotivas a ritmos acelerados e transitava entre o Hardcore dos anos 80 e a Psicodelia que estava presente no começo dos 90. Esse tipo de som levava um passo adiante do que Fugazi, Bad Brians e outras bandas da época faziam. Não por acaso, ATDI se tornaria uma dos grupos mais influentes da década, pelo menos no meio alternativo.

Nos primeiros anos de banda, Omar ainda tocava baixo e somente após a gravação de seu primeiro disco, Acrobatic Tenement, que o músico assumiu as guitarras. Nem preciso dizer que, depois disso, o grupo emplacou e experimentou o sucesso beirando o mainstream. Tanto que o grupo chegou a apresentar seu derradeiro disco, Relationship of Command, no Late Show with David Letterman, além de aparecer nos programas televisivos de Jools Holland e Conan O’Brien.

Um ano após o lançamento, a banda se desfez e Omar juntamente a Cedric se lançariam em um projeto ainda mais ambicioso. Mesmo dividindo sua crescente base de fãs, esse novo projeto acumularia uma série de novos admiradores e entusiastas que seguiriam o músico em qualquer direção que seus projetos apontassem. Onze anos após a dissolução do ATDI, a banda retornou aos palcos do Coachella para saudar os antigos fãs, mas, pelo visto, a volta foi somente para o evento e não há nenhuma pista de que o retorno seja definitivo ou gere material inédito.

The Mars Volta

No TMV, Omar teria mais liberdade e oportunidades de criar músicas que explorariam outros tantos terrenos que o At The Drive-In o limitava. A parceria com Bixler aumentou neste período em que, juntos, lançaram seis discos, sendo os dois primeiros (De-Loused in the Comatorium, de 2003, e Frances the Mute, de 2005) considerados obras-primas do Novo-Psicodélico e do Neo-Prog.

Nestes doze anos, o grupo ficou conhecido por suas obras conceituais (além dos dois primeiros, The Bedlam in Goliath, de 2008, também se enquadra nesta categoria) e por suas apresentações enérgicas. Em todo esse período, as influencias latinas e tom Rock and Roll dos primeiros discos foram perdendo força e se moldando em algo diferente, mas a forte presença da Psicodelia esteve presente até o derradeiro Noctourniquet.

Paralelamente, Omar se envolvia em alguns projetos solos ou parcerias, que discutiremos mais tarde, mas que foram essenciais para as mudanças de sonoridade do grupo. Uma delas, a com o ex-guitarrista do Red Hot Chili Peppers, Jonh Frusciante, não só virou um disco instrumental feito pelos dois músicos, como também foi presenciada em diversos discos do TMV. Ainda falando de RHCP, o baixista Flea também participou das gravações de diversos álbuns da banda.

De 2001 a 2013, o grupo modificou bastante sua sonoridade, mas nunca perdeu de vista o espírito aventureiro e indomável que levou a dupla a abdicar de uma banda que estava em pleno crescimento para criar outra e erguê-la a partir do zero.

O hiato de tempo indeterminado, anunciado no início deste ano, pegou muita gente de surpresa, mas, quando se trata de Omar, nunca se descarta a possibilidade de uma reunião ou até mesmo a volta do grupo à ativa daqui a algum tempo.

Omar Rodriguez Lopez Group

Esse é um grupo mutante de Omar que a cada hora assume uma formação e número de integrantes diferentes. Ele começou como um quinteto para promover um dos discos solos do músico, já foi um trio e um quarteto e, com o tempo, acabou se enraizando como uma banda que sempre lança algum material novo, apesar de ter essa formação errante.

Entre tantos membros que passaram por lá, vale destacar Juan Alderete, Marcel Rodriguez-Lopez, Cedric Bixler-Zavala e Thomas Pridgen (do The Mars Volta), Ximena Sariñana, John Frusciante, Lars Stalfors e outros tantos músicos.

Um projeto que se destaca entre todos estes grupos foi o flerte de Rodriguez com o Math Rock em El Grupo Nuevo de Omar Rodriguez Lopez, que, além de contar com seus parceiros de TMV Cedric e Juan, contava também com Jonathan Hischke e Zach Hill (do Hella). Em 2009, o grupo gerou, até agora, seu único disco, Cryptomnesia. A boa notícia para quem gostou do resultado é que, em 2010, Omar e Hill se reuniram novamente para rabiscar algumas novas faixas e a qualquer momento poderemos ter alguma novidade da dupla.

Bosnian Rainbows

Você já deve ter percebido que muitos dos projetos de Omar surgem a partir de suas parcerias – e com Bosnian Rainbows não foi diferente. Por alguns anos, o músico tocou baixo e produziu o duo Le Butcherettes, formado por inicialmente por Teri Gender Bender, que não por acaso é vocalista deste novo projeto de Rodriguez.

Este é um projeto tão aventureiro quanto seus outros, porém com um viés à música Pop fortíssimo e que pode surpreender os fãs mais antigos que nunca viram Omar envolvido com este tipo de sonoridade. Mas até os mais xiitas hão de concordar que esta é uma das bandas mais divertidas que o músico já formou.

Ao recrutar Deantoni Parks (que já assumiu as baquetas no TMV) e Nicci Kasper, o grupo estava formado e essa parece ser a nova oposta de Omar para 2013. Um disco está saindo do forno e uma mega turnê também está sendo preparada. Com o hiato do Mars Volta, todas as atenções do guitarrista parecem ter se voltado para esta nova banda.

Parcerias

Isso mesmo, muitos de seus projetos nascem de parcerias. El Grupo Nuevo de Omar Rodriguez Lopez, por exemplo, surgiu de uma com o baterista Zach Hill. Outras tantas formações do Omar Rodriguez Lopez Group surgiram delas também, mas as que realmente se destacam são as com o compositor e produtor alemão Hans Zimer, com as cantoras Damo Suzuki e Lydua Luch, com seu finado parceiro de De Facto e TMV Jeremy Ward e, é claro, John Frusciante.

Essa parceria com o ex-Chili Peppers rendeu um dos discos mais completos e tocantes de Omar. Lançado em 2010, Omar Rodriguez Lopez & John Frusciante é composto por sete faixas completamente instrumentais que mostram todo o talento da dupla às guitarras.

Solo

Aqui é o espaço em que Omar pode realizar todas as suas maluquices e tentar achar um padrão é simplesmente impossível. Vertentes do Jazz, Psicodelia, Post-Rock, Música Eletrônica, Dub e outros tantos estilos convivem em meio as suas experimentações que podem ser inacessíveis para alguns. Com uma discografia bastante fragmentada e uma média de três lançamentos por ano, o músico tem um grande número de lançamentos peculiares em seu currículo.

Produtor

Como produtor, Omar também acumula incontáveis lançamentos. Além de produzir seus próprios discos, contando de seus inúmeros projetos e colaborações, ele também já esteve envolvido com Le Butcherettes, Juliette and The New Romantiques no Terra Incognita, de 2009, e claro que irá produzir o disco de sua nova banda, Bosnian Rainbows.

Deu pra perceber que Omar Rodriguez não para nunca e respira música a todo o momento. Seu maior destaque não é só produzir muito, é aliar a essas incontáveis produções muita qualidade.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts