Resenhas

Behaving – Behaving

Projeto Eletrônico do cantor Keaton Henson traz sensibilidade já conhecida

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Ano: 2015
Selo: Oak Ten Records
# Faixas: 9
Estilos: Eletrônica, Eletrônica Experimental, Folk Eletrônico
Duração: 35'
Nota: 3.5
Produção: Keaton Henson
SoundCloud: /tracks/217899105

É sempre interessante acompanhar um artista que se aventura por desafios diferentes da música que esperávamos que ele fizesse. No caso do britânico Keaton Henson, seu primeiro álbum trazia principalmente a combinação de voz e guitarra, seja ela elétrica ou acústica. O segundo, Birthdays, trazia uma incursão inesperada pelo Rock Alternativo em algumas faixas. Para Romantic Works, ele seguiu uma direção completamente distinta e lançou um disco instrumental e orquestrado. Ao olharmos esse padrão de mudanças, talvez a surpresa diminua ao vermos que seu novo trabalho, Behaving, é todo calcado na música Eletrônica.

Ao longo das nove faixas, o artista parece inverter pelo avesso seu lançamento anterior e virou o maestro de batidas e ruídos que acompanham sua voz também sintetizada. É uma obra que exala isolamento, como se ele tivesse cansado do trabalho com os muitos músicos de Romantic Works e precisasse recuperar as energias na solitude.

E é nesse momento que o paralelo com toda a obra do cantor fica mais claro. Mesmo sob o nome Behaving, é o mesmo Keaton Henson que já conhecemos, com uma melancolia arisca e sensibilidade exacerbada. Todas as faixas possuem alguma pequena introdução (umas maiores que outras), como se ele nos preparasse para entrarmos na intimidade que aquela composição expressa ao cantar de amores frustrados e o peso do viver com tudo isso.

Não é difícil imaginar faixas como Preacher e Vivisect com arranjos próprios para seus primeiros álbuns, ao mesmo tempo em que outras, como The River, apresentam uma ambientação inédita como um todo para a obra de Henson, que conseguiu fazer em Behaving um álbum que desafiará seu público com mais um pouco de sua complexidade, ao mesmo tempo em que atinge um público que não se interessaria a princípio por sua obra.

Ouça com o grau de sensibilidade que escutaria um amigo desabafar, com respeito pela fragilidade e gratidão pela honestidade. Mais do que um desafio para o artista, Behaving é uma dádiva para os fãs de sua arte.

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Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.