Resenhas

Filipe C. – Silence

Músico paulistano estreia sua carreira solo com ricas composições sobre o que é comunicado em meio aos momentos quietos de um relacionamento

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Ano: 2012
Selo: Independente
# Faixas: 7
Estilos: Rock Alternativo, Indie, Indie Pop
Duração: 25:30
Nota: 4.0
Produção: Filipe C.

“O silêncio é o ponto em comum entre o começo e o fim do amor”. É assim que o paulistano Filipe C explica o conceito de seu primeiro EP solo, Silence. Ao longo de suas sete faixas, o trabalho discorre sobre o que acontece no meio tempo entre os tais dois momentos silenciosos de uma relação – quando não se sabe o que falar em meio a tantos sentimentos e o outro, no qual se desiste de se comunicar qualquer emoção.

Esse ínterim é preenchido por sonoridades ricas que passeiam pelas dores e alegrias do viver em par. A faixa-introdutória Gale já dá uma pista do caminho que o disco percorrerá, com o instrumental que surge repentinamente trazendo uma tensão entre a percussão e os acordes, que parecem competir pelo primeiro plano sonoro. Ela dá lugar para Empty Spaces, canção em que os elementos musicais fizeram as pazes e unem suas forças para amparar o vocal.

Melancólica, a voz de Filipe quase se perde em meio às tantas camadas, com os questionamentos e argumentos construídos nos versos fortalecidos pelos arranjos. É aí que entra em cena Crack of Love, uma faixa ensolarada com juras de amor de início de relacionamento e sorrisos apaixonados – talvez aquele momento em que se tem muito a dizer após o primeiro “silêncio” mencionado.

Daí chega a dupla Before We Got Sober e That’s the Way It Is, que parecem funcionar juntas para desacelerar nossos ânimos causados pela faixa anterior e preparar terreno para o gran finale de Silence, momento que revela as duas maiores pérolas do lançamento.

But Then You’re Gone surge com mais de um minuto e meio de introdução instrumental antes que Filipe comece a cantar. Talvez seja o segundo silêncio querendo aparecer, ou a consequência dele – visto que, pelo título da canção, o relacionamento já se encerrou. Com uma ótima progressão, a música é um raro caso de faixa que parece mais longa do que realmente é sem ser monótona em momento algum. E ela termina na constatação de que aquilo que antes havia já não é presente, e as camadas de som vão sumindo aos poucos até os quietos segundos finais.

É a deixa para How Has It Gotten So Wrong refletir sobre tudo o que foi ouvido até agora. Calcada em voz e piano, esta é a mais quieta do disco. Bateria, baixo e guitarra surgem com cautela, sussurrando e dialogando o mesmo lamento do refrão que repete o título da música.

Se o disco começa no tumulto organizado de vozes, ele termina na solidão de uma só nota grave, como uma luz que se apaga ou um livro que se fecha – um ponto final em uma fase para que se inicie outra. E é na oportunidade de um novo começo que Filipe C. estreia sua carreira solo muito menos silencioso do que alguns podem pensar pelo nome do EP, mas garantindo que vale a pena pararmos para ouvir o que ele tem para nos contar.

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BOM PARA QUEM OUVE: Team.Radio, Radiohead, Cambriana
ARTISTA: Filipe C.

Autor:

Comunicador, arteiro, crítico e cafeínado.