Jorja Smith – Lost & Found

Disco de estreia da cantora é um passeio tranquilo e suave por referências R&B, Hip Hop e Psicodelia

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Ano: 2018
Selo: FAMM
# Faixas: 12
Estilos: Alt-R&B, Chillhop, Trip Hop
Duração: 46:00
Nota: 4.0
Produção: Cadenza, Charlie Perry, Ed Thomas, Felix J., LBS, Jeff Kleinman Joice, Maaike Kito, Lebbing, Michael Uzowuru, Sam Wills e Tom Misch

Jorja Smith é um daqueles nomes que, onde quer que olhamos, está associado a coisa boa. Influenciada por uma safra caprichada do R&B, como Alicia Keys e Lauryn Hill, e sendo comparada até mesmo com Rihanna, a jovem de apenas 21 anos coleciona parcerias fortes em sua curta carreira, desde participações no disco More Life do rapper Drake, até Tyrant, um forte single junto da américo-colombiana Kali Uchis.

Descrita nas redes sociais como “uma música para as tardes de ócio no verão”, sua obra parece sempre estar vinculada a texturas suaves e timbres de uma Psicodelia precisa, sem exageros e com muita parcimônia. Assim, chegamos ao seu tanto aguardado disco de estreia e o resultado não poderia ser mais preciso do que a definição que ganhara.

Lost & Found reúne tudo aquilo que pudemos juntar de seus singles soltos e afirma com vontade sua sonoridade, juntando elementos aparentemente distintos em um mesmo contexto harmônico. A suavidade característica das batidas Hip Hop aliada a timbres criativos e precisos parecem vir do Lo-fi Hip Hop, um gênero subestimado e disseminado por canais de streaming no YouTube.

Entretanto, este gênero é incrementado pelo imaginário de Jorja, ganhando novas cores e significados bastante pessoais, à medida que ela nos joga letras sinceras e tocantes. O Pop também tem importante papel no desenrolar do disco, com melodias pegajosas que ganham potência com a voz camaleônica da cantora. Pode parecer que este é um álbum sem unidade, pelas referências esparsas, mas o trabalho do afiado time de produção torna este um registro coeso e unido pela identidade de Jorja. Ou seja, esta mistura maluca é Jorja Smith.

A faixa título do disco é como um despertar calmo que aos poucos vai ganhando nuances mais percussivas até cativar totalmente o ouvinte com sua malemolência e calor. February 3rd é mais influenciada pelo Hip Hop, ao mesmo tempo que mostra o excelente trabalho de escolha de timbres minimalistas. Com belíssimas linhas de cordas, The One é a derradeira mostra que a voz de Jorja ocupa um grande espaço na composição, sendo pouco necessários arranjos extravagantes e mirabolantes para destaca-la, da mesma forma que Goodbyes o faz com apenas um violão. Blue Lights é uma espécie de mistura dos elementos Hip Hop de The Fugees com a Psicodelia típica e leve da Chillwave. Por fim, a derradeira Don’t Watch Me Cry consegue sair do escopo R&B e equiparar a voz de Jorja com as melodias grandiosas de Adele.

Com um disco de estreia certo das referências que quer nos apresentar e uma sonoridade complexa, ao mesmo tempo que minimalista, Jorja Smith nos entrega um doce paradoxo a ser desvendado. Um daqueles discos que nos causa sentimentos ambíguos, mas que são certamente deliciosos de tentar compreender.

(Lost & Found em uma faixa: February 3rd)

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BOM PARA QUEM OUVE: Nunjabes, Kali Uchis, Rihanna
ARTISTA: Jorja Smith
MARCADORES: Alt-R&B, Chillhop, Ouça, Soul

Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.