Resenhas

Tamaryn – Tender New Signs

Segundo disco da dupla dá continuidade ao que foi proposto em “The Wave”, mas adiciona mais personalidade ao som já característico da banda

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Ano: 2012
Selo: Mexican Summer
# Faixas: 9
Estilos: Shoegaze, Nu Gaze, Dream Pop, Experimental
Duração: 40:40
Nota: 3.5

Tamaryn é, na verdade, um duo formado pela moça que dá nome ao projeto e pelo produtor e guitarrista Rex John Shelverton, e os dois já tocam juntos há quase uma década. Mas foi somente depois de quase dez anos de colaboração que os primeiros frutos foram de fato colhidos, quando, em 2010, a dupla lançou seu primeiro álbum, The Waves. Reverberação por toda parte, guitarras dissonantes e sonhadoras, e uma aura “preguiçosa” (aquelas músicas que são perfeitas para se ouvir quando tudo o que se quer se fazer é não fazer nada) dominavam suas canções e, para facilitar sua categorização, a banda foi posta no mesmo cesto de muitas bandas Lo-Fi, gênero que estava em seu ápice naquele momento.

Mas esse foi um erro cometido na época. De Lo-Fi a Tamaryn não tem nada, ou pelo menos mostra muito pouco dos traços desta estética. Suas músicas são todas muito claras, concisas e limpas sonoramente, portanto tal classificação é no mínimo um equivoco que pode fazer com que o ouvinte se distraia procurando traços do gênero em suas obras. Dito isto, podemos prosseguir e entender mais do novo lançamento da dupla, Tender New Signs.

Assim com em The Waves, aqui existem tendências Shoegaze (pode chamar também de Nu Gaze se quiser), Pop e Psicodélicas que se encontram em músicas muito bem arquitetadas e conseguem, em uma exploração mais atenta, exibir inúmeros detalhes que não podem ser vistos em sua superfície. Este disco me parece uma baía de corais e ouvi-lo é o mesmo que mergulhar e explorar esse recife. Porém, você depende somente de seu pulmão nesta tarefa, tudo o que tem a fazer é se jogar nessa vasta imensidão e tentar ir o mais fundo possível.

Tender New Signs progride lentamente, mostrando em seus pouco mais de 40 minutos uma viagem em camadas, sonoridades e humores diferentes, projetando em cada uma das nove canções novas direções a serem seguidas. Ele é aberto com a anunciação de uma despedida com I’m Going, que reverbera as frases “I’m gone/ Tell me when/ I’m going” com uma voz embargada e lamuriosa que ganha força com acompanhamento de uma guitarra ecoante e chorosa. Nesta faixa, a bateria, em contraste aos outros elementos, cria uma batida segura, compassada e firme, o que cria uma grande dualidade dramática.

While You’re Sleeping, I’m Dreaming mostra outro lado de Tamaryn, um mais hipnótico, sedutor, mas é a guitarra que está em maior evidência nesta faixa e rouba a cena por se mostrar mais radiante e agressiva, adicionando toques do Rock Psicodélico e do Surf Rock. O grande single Heavenly Bodies volta às raízes do Shoegaze e tira de lá muito do seu encanto. A música cresce lentamente e a pequenos passos, que são dados calculadamente e que a fazem seguir caminhos já trilhados por outros tantos artistas, mas que os explora de maneira diferente. A sequência, com No Exits, segue quase por este mesmo caminho, mas adentra para um terreno mais Pop, com refrãos e guitarras incrivelmente intoxicantes.

Inebriante, a dobradinha Prizma e The Garden tem em comum as guitarras esparsas e distorcidas que trazem consigo uma carga melódica intensa e sonhadora. Em ambas, a bateria tem um papel secundário, de apenas manter o ritmo, o que não se vê em outras faixas em que ela participa de forma mais ativa. Afterlight carrega uma obscuridade até então não vista em mais nenhuma outra faixa do álbum. Ela é construída a partir de uma percussão ecoante e à sua volta são postas texturas, vocais sibilantes e uma guitarra que tem o papel de balancear a tensão da música.

Violet’s in a Pool, apesar de ser o fim do álbum, é, também, seu clímax. A faixa nos entrega o memento de maior tensão dentro do disco e grande parte dele é criado pela introdução instrumental de quase dois minutos. A bateria milimetricamente tocada e a guitarra lamuriosa criam o palco para a voz hipnótica de Tamaryn entrar em cena. Fechando o trabalho de forma densa, o duo mostra que sabe criar algo que vai além de suas influências e de qualquer etiqueta que possam colocar em seu som.

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BOM PARA QUEM OUVE: Ringo Deathstarr, Frankie Rose, DIIV
ARTISTA: Tamaryn

Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts