Resenhas

Young Wonder – Show Your Teeth

Segundo EP da dupla irlandesa mantem a solidez de sua obra e mostra que essa mistura feita por Ian Ring e Rachel Koema tem um potencial incrível a ser explorado

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Ano: 2013
Selo: Feel Good Lost Records
# Faixas: 6
Estilos: Indie Pop, R&B, Trip-Hop, Pop Experimental
Duração: 20:10
Nota: 4.0
Produção: Ian Ring
SoundCloud: /tracks/86054201
Itunes: http://clk.tradedoubler.com/click?p=214843&a=2184158&url=https%3A%2F%2Fitunes.apple.com%2Fbr%2Falbum%2Fshow-your-teeth-ep%2

Seis faixas. É somente isso que a dupla irlandesa Young Wonder precisa para deixar claro que não veio para ser só mais um duo Pop em meio as tantas já existentes neste saturado mercado. Show Your Teeth, EP com as tais seis músicas, é uma pequena amostra do potencial de hibridismo criado pela dupla, que brinca com diversos gêneros, indo do Dubstep ao R&B, do Trip Hop ao Dream Pop. Ian Ring e Rachel Koema transitam muito bem entre estes estilos sem se apegar a um deles como principal – o que pode te fazer quebrar a cabeça na hora de tentar categoriza-los dentre uma tag.

O resultado não nada “inesperado” para quem ouviu os dois singles lançados antes de serem compilados aqui. Time e To You são bem distintas entre si, cada uma se apoiando em elementos e estilos diferentes. Seguindo esse clima de disparidade, o duo apresenta mais três músicas (e uma introdução para Time), que faixa após faixa, quebram a expectativa do ouvinte por grandes semelhanças entre elas. Curiosamente, a obra se mantém incrivelmente coesa, mesmo se aventurando tanto.

Intro e Time formam uma só faixa e abrem o pequeno EP criando um efeito hipnótico com suas batidas downtempo e texturas nevoentas. Esse efeito psicodélico é potencializado pelos vocais arrastados e cheios de efeito e também pelas inserções de sons de relógios (dando o sentido da passagem do tempo ao longo da música). Seguindo um clima próximo ao R&B/Trip Hop, Rachel canta em um ritmo mais lento e divide os vocais com o rapper Sacred Animals, que rima sobre a temática da canção.

A também já citada To You mostra a qualidade do duo em amalgamar instrumentos acústicos com a programação eletrônica. Brincando com o que parece ser uma cítara, o duo inicia a faixa incorporando fortes batidas eletrônicas ao som do instrumento típico do leste europeu. Rachel mostra mais uma vez sua voz se adaptando aos novos contornos musicais assumidos pelo duo e aumentando ainda mais o teor Pop da canção. Na sequência, vem Electrified, talvez a mais radiofônica dentro desta proposta do duo. Ela brinca com mais uma vez as batidas do Trip Hop e com os vocais arrastados e cheios de efeito, trazendo uma aproximação mais assimilável ao grande público.

Seventeen explora o terreno eletrônico, lembrando as colagens de produtores como Madeon ou Flume. Deixando o vocal de Koema em segundo plano, ela se concentra em brincadeiras de Ian com diversos sons, efeitos, batidas e texturas – e “brincar” parece ser a real intenção dos músicos nesta faixa, comprovada com a inserção das gargalhadas de uma criança. Bullet fecha o EP em um clima “Totally Enormous Extinct Dinosaurs”, usando mais uma vez as colagens sonoras, porém as orientando a um lado mais dançante e dando destaque novamente à voz da moça.

Mesmo que muito diferentes entre si, o viés Pop (acessibilidade, ritmo e duração das faixas) garante a coesão entre as faixas e mostra também a grande versatilidade na produção de Ian e Rachel. A dupla já mostrou (duas vezes) a solidez de seu trabalho e dá pistas de continuar assim, aliando qualidade a uma música irresistivelmente Pop.

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Autor:

Apaixonado por música e entusiasta no mundo dos podcasts