Florence + The Machine: Pop Transcedental Fechando o Final de Semana

Banda soube envolver o público e entregar a experiência coletiva que se espera em um festival

Por Lucas Repullo, 14/03/2016, às 19:43

Fotos: Lollapalooza/I Hate Flash

Festivais de música não são apenas grandes reuniões de shows, são experiências realmente diferentes. Não à toa, tais eventos tem entrado pra cultura Pop como elementos definidores de estilo, comportamento e nem sempre, a música é o foco (o que não é nenhum problema).

Em um evento em que - independente das críticas que podem ser feitas para justificar uma falta de personalidade - pessoas do Brasil todo se isolam por dois dias da correria e da dureza do cotidiano para um final de semana com os amigos se divertindo e ouvindo música ao vivo, Florence + The Machine foi um encerramento bastante simbólico para isso.

What The Water Gave Me, faixa que abriu a apresentação, já resume tudo que seria o show da cantora. Momentos hipnóticos e transcedentais com sua bela voz acompanhada de uma banda impecável, alguns picos catárticos que fizeram todos pularem e dançarem e que mostram porque Florence se encaixa no catálogo de artista Pop, mesmo sendo tão diferente dos outros nomes do que é conhecido popularmente como tal. Ao mesmo tempo, deixam claro porque tornou-se muito mais popular do que outras cantoras que a antecederam com uma identidade parecida, mas que por uma maior complexidade e erudição não conquistaram multidões desta forma.

Mas os momentos mais simbólicos da experiência de um festival aconteceram, obviamente, nas faixas em que todos cantaram juntos, como Shake It Out, Sweet Nothing, Dog Days Are Over e Rabbit Heart (Raise It Up), em que Florence foi até o público com uma bandeira brasileira. Era possível perceber uma mistura de fãs da banda, ouvintes ocasionais e pessoas que desconheciam a maior parte do trabalho do grupo, mas que se identificaram com o clima grandioso e festivo da apresentação.

Fazendo o simples, que no caso de Florence + The Machine já é mais elaborado que a média, mas se entregando ao máximo e claramente se divertindo no palco, Florence conseguiu encerrar o evento de uma forma épica e especial, como já conseguiu Arcade Fire em 2014, mas não conseguiu Pharrel Williams no ano passado. Se a impressão final é a que fica, o show foi um grande cliffhanger para deixar todo mundo empolgado para a edição do ano que vem.

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