Alt-J: O Local Do Show Importa Tanto Assim?

Banda faz boa primeira turnê no país, mas mostra certo ar blasé durante performance

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Um pouco antes do relógio marcar as 16 horas, a ansiedade já era unânime entre os aglomerados do palco Skol. A passagem de Alt-J foi extremamente determinante para muitas pessoas que estavam em dúvida se deveriam ir ou não ao festival, ao mesmo tempo que um ótimo nome para entrar no line up de um evento com uma proposta tão diversa quanto o Lollapalooza.

Na pista, era possível ouvir ecos de elogios da apresentação que ocorrera no dia anterior do Cine Joia, um lugar que muitos julgavam ser mais adequado para uma banda com uma sonoridade tão detalhista e intimista. A abertura do show por conta de Hunger Of The Pine pode até ter dado uma brecha para esta opinião se confirmar, mas, assim que o baixo ensurdecedor de Fitzpleasure começou a ser tocado, a alegria do público demonstrou que nada disso importava.

Alt-J é uma banda que se vale das sensações que provoca. Com um setlist bem dividido entre os dois discos e que aproveitava ao máximo da condição externa do local, as músicas reproduzidas ganhavam uma dimensão maior e seus fãs podiam sentir a energia proveniente dos discos, muito mais amplificadas e sonoras, fato percebido pela grade quantidade de fãs dançantes na pista. Tivemos ótimos momentos, desde as músicas mais dançantes e populares, como Left Hand Free e Breezeblocks, até as canções mais calmas, como Taro e Tessellate.

Como era de se esperar, houve pouca interação com o público: alguns agradecimentos, um “Hi, Brasil!”, mas nada que pudesse realmente entusiasmar o público mais do que ele já estava. Não que isto seja ruim, afinal há bandas com zero presença de palco, mas que fazem uma baita performance. Entretanto, é um show que dependia muito mais do público do que da banda em si, que estava mais preocupada em tocar as músicas e ir embora. Ou seja, era como ouvir o disco em um volume maior. Nada além disso.

De qualquer forma, a banda fez uma boa passagem em terras brasileiras. Explorou bem a variedade de músicas e mostrou que sabe reproduzir suas composições fielmente ao disco (talvez fiel até demais). A grande lição que fica é que talvez seja mais útil pensar na performance em si do que ficar imaginando como seria ver Alt-J em outro lugar. Saciamos nossa ansiedade por ver a banda, porém com muitas expectativas para o próximo show.

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Autor:

Designer frustrado, julgador de capas de discos e odiador daqueles que põem o feijão antes do arroz.