Eagles of Death Metal se Alimentou da Tristeza para Manter-se em Atividade

Show divertiu sem surpresas e serviu para afirmar os propósitos do grupo

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Fotos: Joel Saget/AFP

Existe muita tristeza e alívio quando, após uma situação trágica, recebemos a mensagem “vida que segue”. Nesse sentido, o trauma que Eagles of Death Metal sofreu em novembro passado nos fatídicos ataques terroristas a Paris está além de nossa alçada de compreensão psicológica. Perdas irreparáveis existiram naquela noite e o terror que se espalhou em um ato que deveria ser de alegria, não medo, parece que não foi forte o suficiente para que o grupo deixasse de fazer o que sabe de melhor: Rock n’ Roll sujo e indiscreto. Sea vida seguiu com traumas, continuar tocando talvez seja a terapia para Jesse Hughes e companhia.

Visivelmente emocionado, o líder do grupo traria à tona sempre que possível a emoção de estar tocando para um grande público no início do festival e o quanto isso lhe fazia bem. Para os presentes, não se esperava nada além de uma diversão descompromissada, quase sem vergonha, de um Rock garageiro que permite dança, copos cheios de bebida e eventuais gargalhadas. Faixas do primeiro e melhor disco, Death By Sexy, foram o auge do concerto – Cherry Cola, I Want You So Hard e Don’t Speak permanecem como hinos para o grupo e mostram a importância de sua estreia para a sua carreira. Dançar e pular ao desconhecido parecia ser a resposta de muitos dos presentes no palco Onix, no entanto o cover de Save A Prayer, de Duran Duran, colocou os presentes em uma zona de conforto que se seguiu até o fim do show.

O lado safado de Hughes, algo que está intrinsecamente ligado ao projeto que tem Josh Homme (Queens of the Stone Age) conduzindo eventualmente as baterias, surgia quando as declarações de amor eram direcionadas ao público feminino. A “indecência” aos olhares de alguns, algo que nunca foi motivo para faltar com o respeito aos seus fãs, pode ter sido muito mal interpretada pelos condutores dos ataques terroristas em Paris. No entanto, o que é “profano” não passa de uma brincadeira da banda e Speaking In Tongues e Wannabe in L.A. estavam lá para efetivar essa proposta no começo do Lollapalooza Brasil.

Se antes a banda se enquadrava dentro um nicho roqueiro e quase como um projeto paralelo de Josh Homme para alguns, o ataque a colocou em destaque e a impulsionou para sua descoberta sonora. Mesmo Zipper Down, disco lançado no ano passado, não procurava alcançar novos horizontes, mas realçar os seus propósitos dançantes alcolizados. Logo, novos fãs surgiram na tristeza do atentado e sua importância se mostrou mais pivotal na carreira do Eagles of Death Metal: um grupo que sofreu na vida para chegar onde está e que prefere se manter intacta, alegre e divertida para cumprir seu papel na música. Se não era para ser o concerto mais surpreendente do festival, acabou sendo um dos mais divertidos e bem humorados de um fim de semana intenso.

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Autor:

Economista musical, viciado em games, filmes, astrofísica e arte em geral.