Gênero do ano: Trap

O estilo conseguiu estrapolar os limites do conceito e ser usados pelo Pop, Hip Hop e EDM em 2014

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2014 foi o ano do EDM. Dentre tantas sub vertentes nenhuma, sem sombra de dúvidas, teve maior destaque que o Trap. Aquele gênero que surgiu em meio a tanta brincadeira de um meme repetitivo (e bota enjoado nisso) parecia cair na mesma cova de vários outros estilos convenientes e temporários, aqueles que bombam por épocas, por hits. O Moombahton, na mesma época do estouro do Trap, vivia seu declínio. A única diferença entre os dois é que o o segundo conseguiu extrapolar seu conceito musical que artistas consagrados aplicam e lecionam muito bem – como Flosstradamus – e se apropriar bem de outros gêneros como Pop, Hip Hop e Eletrônico através da flexibilidade e criatividade de seus produtores.

Bem no final de 2013, quase que no início do ano, tivemos o lançamento de Turn Down For What. A faixa de Lil Jon com DJ Snake tava tarde demais para as listas de melhores daquele ano e inadequadas para deste, mas eu tento aqui trazer a importância desse single para a ascensão do Trap. A música, que inclusive teve seu clipe indicado no Grammy, indicou uma ruptura clara com o Trap que estávamos vendo e mostrou como funcionaria o gênero aplicado no EDM. O resultado disso é Turn Down For What como melhor faixa Trap de 2013 e 2014. Com três drops muito bem encaixados, DJ Snake soube empurrar possibilidades bem distintas de brincar com o gênero, seja acelerando o BPM ou tornando-o mais denso como, de fato, acontece no desfecho.

Depois da aula, tudo ficou mais interessante, porque os olhos dos investidores e produtores viraram completamente para o “produto”. Faixas e faixas, álbuns e álbuns, remixes e remixes iam saindo. Mas o mais interessante nem era a quantidade, era, principalmente, a qualidade.

Beyoncé, por exemplo, diva Pop marcada por usar sempre batidas marcantes e fora dos padrões, preferiu vir para esse lado em seu álbum também lançado no final do ano passado. Beyoncé, com toda sua carga pesada de marketing, reuniu produtores conceituadíssimos e trouxe uma nova experiência sonora a parte do que o Pop estava habituada a escutar, seja o que Lady Gaga fez com Zedd e Electro House rasgado ou Rihanna com EDM-Progressive. É válido lembrar que há poucos dias vimos que a estratégia de seguir a mesma linha do Trap continua em 7/11. Ainda em 2013, Katy Perry vendeu 4 milhões de cópias digitais com Dark Horse, faixa com colaboração de Juicy J, e uma estrutura no Trap produzida por Cirkut e Dr Luke. E como esquecer 23 quando Miley Cyrus finalmente pareceu interessante no mesmo ano?

A fórmula deu tão certo que 2014 o caminho estava pronto. O Pop estava amaciado e preparado para o estilo. O Hip Hop já andava junto com o Trap desde Look At Me Now e Mercy desde 2011 e 2012, respectivamente. Pensar que uma subcultura dos anos 70, mega fechada, conseguiria conversar e dar as mãos para uma criança talentosa. E agora com a ajuda de Snake e Lil Jon o Trap poderia chutar a porta do ano e impressionar de vez.

Pois bem. O que isso significa? Um gênero que chegou há menos de dois anos conseguir uma aceitação da massa e, consequentemente, das rádios representa o que para a cena? Principalmente busca de talentos dentro da área, o investimento maior na carreira, projeção e construção de marca, marketing. Movimentar esse mercado, conseguir mais adeptos ao estilo, gerar mais receita, faz com que cada vez mais tenhamos mais shows, festivais e artistas voltados ao Trap. E suas subvertentes. Seja no comercial ou ao underground. Além disso, o ano foi marcado pela consolidação de artistas como RL Grime, Baauer, Flume, GTA, Bro Safari, Dillon Francis, Jack U, DJ Snake, Flosstradamus competindo com artistas de Progressive e Electro nos maiores festivais do mundo. Por conta disso, houve um maior incentivo para gravação e produção de material e exposição desses artistas, o que gera ainda mais aproximação de novos ouvintes.

Essa mistura de público serve como respiro e estímulo de troca de experiências musicais. É quando há ainda mais hibridização, quando há experimentação de estilos, quando o gênero vai difundir ainda mais com o Pop, com o Deep House, o Hip Hop, etc. E isso abrange, abraça e soma. Quem souber aproveitar essa oportunidade que o EDM traz consegue fazer manter, reviver ou até reascender um gênero como é o caso, inclusive, do Deep House, nesse ano também. E agora que o Trap conseguiu romper a barreira do conceitual para a indústria musical é uma prova mais que suficiente que o estilo já consegue andar com as próprias pernas. 2014 foi o teste de fogo.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King