Major Lazer Aposta Mais em Entretenimento do que em Criatividade

Apesar de fazer show animado e dinâmico, “headliner” de sábado cai em clichês e demonstra comodismo

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Fotos: MRossi/Lollapalooza Brasil 2015

Pontualmente às 21h30, os graves deram início ao suspense da entrada de Major Lazer no Palco Perry. Dois anos depois, Diplo, Jillionaire e Walshy Fire retornam ao Lollapalooza Brasil e trazem a Jamaica para o encerramento do sábado. Engravatados, como de costume, os artistas iniciam todo o processo de forma sóbria para poder avacalhar no final. E, como headliners da noite, demonstraram segurança, firmeza, força, técnica, repertório e animação – ou seja: o de sempre.

Desde o começo, toda a tenda já admitia um comportamento diferente. A fotografia e cenografia optaram por cores mais quentes, então o palco geralmente ficava mais escuro dando muito mais ambiente de club. Com Jillionaire no som na primeira parte do set, a performance ficou focada no EDM e nos timbres jamaicanos. As músicas não pareciam ter mais que 40 segundos, os cortes eram secos e precisos, nenhuma faixa tinha drop repetido. E quem conhece Major Lazer sabe que a brincadeira é séria, só as mais relevantes: Boneless, do parceiro que tocou no dia seguinte Steve Aoki, LRAD (Knife Party), I Can’t Stop (Flux Pavilion), Tell Me (What So Not) e Tremor (Martin Garrix), além de faixas mais versáteis como Get Busy (do artista R&B Sean Paul), Drop Like It’s Hot (do headliner Pharrell com Snoop Dogg), Take me To Church (Hozier) e Can’t Hold Us (Macklemore & Ryan Lewis). Pensa nisso tudo em menos de 10 minutos.

O guia de festa feito por Walshy Fire empolga a pista, mas todos os truques de animação soaram como clichê, principalmente para quem já tinha acompanhado o show do duo em 2013. Diplo chamou garotas para fazer twerk no palco, entrou na bola e foi em direção ao público, depois pediu para que os rapazes (e também as garotas) tirassem e rodassem as camisetas no ar, Fire pediu para que o público corresse para um lado e depois para o outro e, é claro, o velho conhecido: todos abaixarem e levantarem no drop da faixa. Esses elementos para os virgens de Major Lazer soam como pílula do ineditismo, mas, para os presentes da última apresentação, pareceu bem mais descaso de pensar outras formas de entreter os fãs. Sem contar que, em 2015, somente duas dançarinas oficiais acompanharam o duo e os famosos balões inflados “M” e “L” não tiveram espaço para compor o cenário. Uma pena.

Quem criou expectativa com uma possível apresentação de Jack Ü ao vivo (Skrillex + Diplo) ou até DJ Snake com Diplo, para tocar Lean On, se frustrou, mas tiveram os dois singles. Além disso, o público enlouquecia a cada sucesso autoral: Revolution cantada, Buble Butt requebrada, Original Dom ovacionada. E seguindo uma história bem construída, o set permeou Jamaica, EDM, foi para o Trap e depois teve o repeteco de 2013: quando Diplo assumiu pas pick ups o Rio foi lembrado. Quem viu foto rm um desses dias do produtor em estúdio com Bin Laden, funkeiro nato, agora pôde ter certeza da brincadeira: rolou uma introdução especial para Bololo Haha. Major Lazer tocou Funk Carioca sim e ainda pecou uma a capella autoral que tudo indica ser uma próxima faixa. Nessa hora, qualquer máscara de “hypismo” caiu e deu espaço para quem queria se divertir. Foi Valesca Popozuda, MC Beyoncé, MC Pedrinho e MC Romântico. Foi sensacional.

Pra fechar, a dupla ainda arriscou Drum’n’Bass com Get Free. Major Lazer não precisava provar versatilidade, já tinha feito isso em 2013. Técnica? Também não. Repertório? Jamais. Major Lazer, infelizmente, não veio com muitos trabalhos expressivos no último ano e, talvez por conta disso, o show não tenha mudado muito de 2013 pra cá. Mas, convenhamos, Diplo, Jillionaire e Walshy Fire são mais que músicos, são entertainers. Bastille e Jack White sentiram o peso disso.

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Autor:

Publicitário que não sabe o que consome mais: música, jornalismo ou Burger King